Um blog de raiz
2 Aug 2008
Como eu estava falando no post anterior, antes de ser misteriosamente interrompido por mim mesmo, uma novela que tem me chamado a atenção, ultimamente, é A Favorita, de João Emanuel Carneiro.
Quando estreou, no dia 02 de junho, a novela amargou o menor ibope para uma estréia no horário: 35 pontos. E durante todo o mês de junho ficou nessa média, dez pontos abaixo de Duas Caras, novela anterior.
Parece que, atualmente, ela vem recuperando os pontos perdidos, mas mesmo assim, abaixo do esperado.
Na verdade, acho que a Globo nunca mais vai ter aquela hegemonia no quesito novela - a emissora chegou a ter picos de 94 pontos durante a exibição do último capítulo de Vale Tudo (lembra do mistério “quem matou Odete Roitman?”).
As outras emissoras estão investindo pesado, algumas com atores que já brilharam na Globo; a Record vem fazendo história com a surpreendente Os Mutantes-Caminhos do Coração, seqüência do sucesso anterior Caminhos do Coração, que inovou ao enxertar na receita do folhetim elementos de ficção científica e quadrinhos - cópia descarada dos X-Men e da série Heroes, embora o autor negue. Confesso que, como bom nerd que sou, tentei ver alguns capítulos mas não consegui suportar aquela mistureba. Mas a iniciativa é interessante.
Ah, e o SBT está reapresentando Pantanal, da extinta Rede Manchete, com relativo sucesso.
Quem é o mocinho?
Acho que (lá vem suposição) um dos fatores que está afastando o público comum da novela A Favorita é a personalidade dúbia de boa parte dos personagens na trama.
Afinal de contas, quem está falando a verdade: Donatela (Cláudia Raia) ou Flora (Patrícia Pillar)? As duas personagens não deixam claro quem é mocinha e quem é bandida, pois tomam atitudes suspeitas a cada capítulo.
Outros personagens também surpreendem, como Silveirinha, interpretado magníficamente por Ary Fontoura.
Some-se a isso a ausência do clássico par romântico (e do inevitável triângulo amoroso) que cause empatia ao público. Para coroar, o autor não gosta de ficar enrolando e enche a história de reviravoltas instantâneas, que dão agilidade à novela.
É ou não é interessante? Personagens que se parecem com gente de verdade, cheios de qualidades e defeitos ao mesmo tempo, reviravoltas, bons diálogos e boas interpretações (menos a de Murilo Benício, só prá variar).
Pelo menos nesses dois meses em que está no ar, A Favorita tem se distanciado de alguns clichês novelísticos. Mas, por quanto tempo será que isso vai durar?
E a audiência dita as regras…
Novela é uma obra aberta e sua trajetória fica a mercê da audiência. Se tudo vai bem, as coisas se mantém do jeito que estão; se a audiência vai a pique, o jeito é mudar.
Pelo que tenho lido na net, o autor disse que vai revelar o verdadeiro assassino de Marcelo (personagem pivô de toda a trama) no mês de agosto.
Se mesmo assim a audiência não reagir, alguém aí duvida que a Globo vai exigir mudanças radicais? Caso clássico: Torre de Babel, de Sílvio de Abreu, exibida entre 1998/1999, não agradou ao público em vários aspectos e teve baixos índices no Ibope, durante os primeiros meses.
Resultado: personagens morreram (as lésbicas vividas por Christiane Torloni e Sílvia Pfeiffer, por exemplo), outros mudaram de comportamento (o personagem de Tony Ramos, um ex-presidiário raivoso que queria se vingar de seu ex-patrão, ficou mais bonzinho) e por aí vai. Depois das mudanças, a audiência voltou ao normal.
Será que o autor d’A Favorita vai conseguir manter sua história do jeito que está até o fim? Olhaí um mistério digno de novela…
Sphere: Related Content8 Jul 2008
Jô, Faustão e Serginho Groisman não são mais aqueles.
Quando uma banda de rock ou cantor de mpb surge nas entranhas do underground e arrebanha uma legião de fãs, vira cult, objeto de adoração e por aí vai.
(Hoje em dia, o underground é o MySpace e serviços similares).
Então, basta o hype se agigantar, o queridinho do underground ser descoberto pelo mainstream e migrar para uma vida profissional, com produtor, gravadora e tudo o mais por trás, para a maior parte dos fãs de outrora torcerem o nariz e exclamarem: “seu vendido!”
Claro que nem todos se “vendem” e abandonam os seus ideais artísticos, mas alguns fazem isso mesmo.
Pois bem: saindo do exemplo da música e partindo prá televisão (que é o foco deste post), “se vender” talvez seja a expressão mais certa para três figuraças da televisão que, no passado, eram lendas de um entretenimento televisivo inteligente e inovador.
Fausto Silva começou sua carreira no rádio, mas foi na televisão que começou a fazer sucesso, quando em 1982 estreou o programa Perdidos na Noite, nas madrugadas da TV Bandeirantes e que ficou seis anos no ar.
Irreverente, anárquico e inusitado, o programa caiu no gosto popular e tornou-se um hype à época. Eu varava as noites de sábado assistindo o programa. Fausto estava no auge: ácido até mesmo com as espartanas condições da produção, tinha uma agilidade espantosa para a comédia, para pegar uma idéia no ar e transforma-la num texto engraçadíssimo.
A abdução
Aí veio o sucesso e a Globo. No início, o Domingão do Faustão tentou manter o espírito do Perdidos na Noite, mas, claro, adaptado ao “padrão Globo de qualidade”.
Nessa adequação, foram-se os palavrões, o improviso, a liberdade, a anarquia produtiva do Perdidos.
Hoje, Faustão é uma sombra do que foi. Chega a ser ridícula a já obrigatória homenagem aos atores da casa e os elogios exagerados prá cantores/bandas de qualidade prá lá de duvidosa.
Ô lôco, meu!
Com mais liberdade prá montar a sua grade de entrevistas, o Jô mandou bem durante os 11 anos em que esteve à frente do Jô Soares Onze e Meia (1988/1999). O único problema era a já lendária falta de apego ao cumprimento de horários de Sílvio Santos: o programa começava a qualquer hora, menos às onze e meia da noite, o que virou piada até no próprio programa.
A abdução
Depois de recusar várias ofertas da Globo, Jô decidiu que era hora de voltar por cima para sua antiga casa. Não adiantaram os apelos (e aumentos obscenos de salário) do Homem do Baú.
Como todo artista que muda de casa, Jô alegou que não foi o salário que o atraiu e sim as novas possibilidades que a Globo estava lhe oferecendo em termos de tecnologia e interatividade. Falou em interligar o programa com o jornalismo em chamadas ao vivo, recursos de interação com os espectadores e por aí vai.
Pois bem: em 2000 Jô voltou à Globo e, oito anos depois, o Programa do Jô não inovou em nada. Nem a tão falada interatividade com o jornalismo deu o ar de sua graça (quer dizer, não que eu tenha visto. Alguém aí viu?).
Além disso, o programa entrou naquela cota obrigatória de entrevistar “a prata da casa”. E tome ator global ocupando o sofá, algumas vezes prá não dizer nada demais (ou, quando vão divulgar alguma peça ou filme, serem desviados do assunto pelo gordo).
Salvam-se algumas entrevistas de desconhecidos, mas a repetição de gags e piadas sem graça, além do corte substancial da participação do assessor para assuntos aleatórios Derico no programa, transformaram o Gordo num programa sem sal (vai ver que a ausência do tempero é para manter baixinho o nível de colesterol do apresentador).
Beijo do Gordo!
Serginho Groisman é o cara. Conheci o trabalho dele no programa Matéria Prima, que passava na TV Cultura. Mas ele já vinha de outras experiências, como a TV Mix, da Rede Gazeta. Em 1991, Groisman foi contratado pelo SBT e mudou o nome do programa para Programa Livre. Na tv do camelô, sofreu com as alterações de horário do patrão. Mas o programa, com seu famoso bordão “Fala, garoto”, era espetacular. Assuntos diversos eram discutidos abertamente, sem meias palavras e com excelente participação dos jovens. Aliás, esse é o superpoder do Serginho: conversar bem com a juventude.
Depois de anos sendo empurrado prá cima e prá baixo na grade de horários, Groisman recebeu uma proposta tentadora da Globo e se mudou prá lá em 2000, quando estreou o Alta Horas.
A abdução
Prá começar, o programa foi jogado para um horário ingrato: depois de Supercine, lá prá meia-noite/uma da manhã. Tem jovem assistindo isso num sábado?
O Serginho continua com seu superpoder intacto, mas as entranhas do programa mudaram radicalmente.
O Altas Horas também entrou na cota obrigatória de entrevistar a prata da casa. E tome entrevista com ator/atriz global todos os sábados, às vezes sem nenhum motivo realmente importante!
Vez por outra acontecem coisas legais por lá, como as inusitadas parcerias musicais ou algumas entrevistas simplesmente geniais com alguém da platéia.
Mas o programa virou um pastiche. Já deu o que tinha que dar e quadros como Eu protesto não têm o mesmo feeling do começo; além disso, ninguém merece o chorão do seu Madruga todos os sábados.
Mas, dos três apresentadores citados aqui, Groisman ainda consegue ser o menos ruim, acho que pelo carisma e pelo superpoder citado - e o Altas Horas é o único dos três programas que ainda consegue surpreender, de vez em quando.
Japão!!!!
****************
De que adianta tudo isso se você termina virando um bundão no ar?
É por essas e outras que Cazé (da MTV) e o maluco do Thunderbird não se acomodaram ao “padrão Globo de qualidade” e saíram de lá rapidinho.
Bem, péssima maneira de acabar uma carreira heróica: se deixando derrotar por um supervilão sem ao menos reagir!
20 May 2008
20 May 2008
O bom e velho Hikaru Sulu, também menos conhecido como George Takei, aproveitando a legalização do casamento gay na Califórnia {e atendendo a centenas de ordens “Mr. Sulu, engage!”, dadas pelo Capitão Kirk nos últimos anos } anunciou que irá se casar com seu namorado Brad Altman, de 54 anos, com quem vive há mais de vinte anos.
Três anos depois que saiu do armário da Enterprise, Sulu disse, em seu blog, que “O sonho de Califórnia é realidade. Eu e o Brad Altman agora podemos nos casar. Nós estamos superfelizes! Nós somos iguais como todos os cidadãos de nosso estado!”
E que agora, a única coisa que os está incomodando é “o delicioso dilema de decidir onde, quando, e como nós seremos casados. A união entre iguais demorou um tempo longo, mas, como o vinho fino, seu bouquet é simplesmente exótico”.
O amor não é lindo?
14 Mar 2008
Por Conta do meu dia corrido, não consigo mais assistir TV até altas horas. Tirando as duas noites em que não dou aula, quando chego da faculdade quero mais é cair na cama. Atualmente, tento acompanhar a série “Queridos Amigos”, entre um cochilinho e outro.
Mas esta semana dei uma zapeada básica enquanto jantava e assisti inteirinho (pela primeira vez) o Debate MTV, apresentado pelo Lobão.
O tema da vez era “Pesquisas com células-tronco: violação ou defesa da vida?”.
Tema interessante, convidados idem, assim divididos:
A FAVOR DAS PESQUISAS:
- Marcelo Yuka, ex-Rappa;
- um cientista;
- uma historiadora, católica praticante.
CONTRA AS PESQUISAS:
- um advogado;
- uma cientista, pesquisadora de células-tronco adultas;
- um padre.
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