Macaxeira Geral

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Pequeno Dicionário de Idéias Afins, de Hermínio Sargentim

Você está às voltas com a atualização do blog, escrevendo seu post freneticamente quando, de repente, percebe que já usou uma palavra mais de uma vez e não quer repeti-la de novo. O que fazer?

A melhor solução é ir correndo pegar o dicionário (aliás, o dicionário já deveria estar por perto, pois é uma peça fundamental para quem escreve) e procurar uma palavra diferente, mas que tenha o mesmo significado… um sinônimo, certo?

Mas o melhor mesmo seria se você tivesse em mãos um dicionário analógico!

Não sabe o que é?

Então, que tal um Dicionário de Idéias Afins?

Um dicionário de idéias afins ou analógico é aquele que agrupa palavras que têm uma semelhança entre si, que são análogas.

Para quem vive escrevendo diariamente como nós, blogueiros, esse tipo de dicionário é uma mão na roda!.

O Dicionário de Idéias Afins é organizado pelo Hermínio Sargentim e é um livro que carrego pra cima e pra baixo e que já me salvou em muitos momentos de necessidade – principalmente durante a redação da minha dissertação de mestrado!

Tenho uma edição da editora IBEP, velhinha que só; pensei que o dicionário estava fora de catálogo, mas me surpreendi com uma nova edição, pela mesma editora. Só que agora ele se chama Pequeno Dicionário de Idéias Afins.

Veja, por exemplo, algumas palavras que você encontra no verbete LUZ:

substantivos: raio; claridade; fulgor; dia; centelha; clarão; lampejo; chama…

verbos: alumiar; clarear; fulgurar; cintilar; refulgir…

adjetivos: brilhante; coruscante; lúcido; nítido; claro…

Ou no verbete CONHECIMENTO:

substantivos: talento; saber; bagagem; esclarecimento; competência; preparo…

verbos: saber; apreender; ter noção de; conhecer plenamente…

adjetivos: versado em; erudito; esclarecido; eminente; pensante…

Legal, não é?

PROMOÇÃO MACAXEIRA GERAL

E aí, achou interessante? Quer ganhar um exemplar do Pequeno Dicionário de Idéias Afins? Vou sortear dois exemplares do livro. Para participar, é só deixar seu comentário no post e você já estará concorrendo. Os comentários devem ser postados até às 23:59 do dia 4 de julho. O resultado do sorteio sai no dia 07 de julho, ok?

Boa sorte!!

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Faltam apenas quatro dias para o final da primeira promoção do Macaxeira, que é o sorteio do livro Fome. Um Tema Proibido, de Josué de Castro.

A promoção foi lançada neste post. Confiram e participem!

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CONTO: Imitaçao de Vida

Mão-Robô - imagem da University of British Columbia

O jovem cientista olhou detalhadamente suas mãos. Mexeu os dedos, investigou cada linha, refez inúmeros movimentos. Ia inserindo todos os dados num notebook, cheio de esquemas e gráficos.

Se deliciava com o balé que as mãos eram capazes de fazer, a leveza e a harmonia que elas desenhavam no ar. Tocou a pele do rosto de sua assistente, uma jovem e bonita moça, como se ela fosse de fumaça, como se não estivesse tocando nada. A suavidade do toque fez com que ela fechasse os olhos; foi como se ela sentisse o vento. Sua pele rosada se avermelhou, uma onda de prazer desceu por sua espinha.

Uma microcâmera registrava tudo e cruzava as imagens com os dados do computador. Cabos delgados e coloridos corriam pela sala.

Por fim, suas mãos concluíram o passeio pelo rosto da jovem assistente. Ele voltou-se para o computador, digitou algumas teclas nervosamente e por fim acionou a tecla enter.

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O futuro chegou, mas ainda tem fome.

 Desamparados, 1974 - escultura de Abelardo da Hora

 Uma das visões otimistas de como seria o século 21 apontava o fim das adversidades que atormentam a humanidade: as guerras, as doenças e o espectro da fome. A tecnologia daria um fim a tudo isso e o homem se dedicaria a outras “preocupações”, como a de explorar o espaço.

Bem, chegamos ao futuro. Ainda há guerras. Ainda há doenças. E ainda há a fome.

Tema freqüente debatido por todas as nações do planeta, a fome talvez seja uma das maiores vergonhas da humanidade.

Um brasileiro dedicou toda a sua vida a denunciar a fome no mundo.E uma boa introdução ao seu pensamento é o livro que estou lendo atualmente.

 Capa do livro “Fome: um tema proibido”, de Josué de Castro

Fome – um tema proibido é uma coletânea com os últimos escritos do médico Josué de Castro, organizados por Anna Maria de Castro, sua filha.

Apesar dos textos do livro terem sido publicados entre 1964 e 1973, os mesmos continuam atuais, o que evidencia a urgência do tema e confirmam que, desde a publicação de sua obra-prima, Geografia da Fome, em 1946, pouca coisa concreta foi feita pelos governos mundiais para resolver este problema.

 
A fome como fenômeno universal

 
O livro começa com “A descoberta da fome”, o prefácio que Josué de Castro fez para o seu único romance, “Homens e Caranguejos”. Publicado em 1965, o livro é um relato quase autobiográfico de como a fome se revelou para ele – e onde ele descreve o famoso ciclo do caranguejo, que serviu de base para Chico Science, Fred 04 e Renato L elaborarem o conceito do Movimento Mangue.

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ESPÉCIES

…sempre viveram do que achavam na lama…

Ele não conseguia entender o que tinha acontecido com seu filho. Sempre viveram do que achavam na lama, sempre se alimentaram do que o rio deu. E no entanto, seu filho deixou o mundo. Amanheceu imóvel, depois de noites de sofrimento. A comunidade se reuniu para discutir a questão e, como em toda reunião, não chegaram à uma solução.

Ele não queria soluções. Queria respostas. Seu filho já não estava ao seu lado e nada mais importava.

Ele apenas achava, tinha uma sensação, de que a culpa era daquelas criaturas estranhas, que jogavam coisas nas águas e a deixavam diferente. Lembrava das histórias contadas pelos mais velhos da comunidade, que falavam de como a vida era boa antes dessas criaturas aparecem. Mas isso foi a muito tempo.

Alguma coisa lhe dizia que aquilo era apenas o início do fim.

Desolado, moveu sua patola e começou a catar comida na lama, comendo apenas por comer.

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Às margens do Salzach

Rio Salzach, em Salzburgo, Àustria

- Não queres a glória, meu senhor?

Ante a pergunta do etéreo jovem que surgiu ao seu lado como num passe de mágica, o irrequieto Johannes Chrysostomus Wolfgang Gottlieb Mozart sentiu uma neblina tomando conta de sua visão, uma tontura, o chão pareceu fugir-lhe aos pés. Olhou de novo para a estranha figura e por um momento lhe pareceu que ela era transparente.

“Acho que me excedi caminhando”, pensou. “Já estou vendo miragens”.

O mais estranho era que ao movimentar-se, o jovem deixava no ar um aroma doce que quando absorvido suavemente pelas narinas, soava como música dentro da cabeça do compositor.

- És o anjo da morte que veio anunciar o meu fim?

- Não me respondestes, senhor.

- A glória? – Mozart parou de caminhar. De repente, a brisa suave e os murmúrios vindos do Salzach não lhe importavam mais. Diante da beleza do jovem à sua frente, o rio não passava de uma faixa de água correndo entre duas faixas de terra. – Quem não a quer, meu jovem? A questão é que não é fácil domá-la. É uma dama muito arisca, inconsistente, frívola; num momento está ao nosso lado para no momento seguinte nos abandonar.

Parou de falar para sentir novamente o aroma doce que emanava do jovem. Desta vez, chegou a ter a sensação esquisita de ter visto o cheiro dele.

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O trabalho é a única recompensa do homem

Sérgiofredo se apressava para descer do ônibus apinhado, pisando nos pés dos outros passageiros, gritando pro motorista que acelerava: “vai descer, vai descer”.

Caminhou pela rua enlameada e escura. O maldito poste tinha apagado de novo.

Êta vida sacrificada!”, pensou ele. Como seria bom se tivesse um carro.

Não precisaria mais vir espremido nem correr atrás do ônibus.

Cruzou com dois homens pela rua. Um deles puxou o revólver e anunciou o assalto.

Sérgiofredo correu.

Escutou o estampido. Esperou o impacto nas costas, ou na cabeça. Não sentiu nada. Mais dois estampidos. Nada. Outro. E outro.

Não parou de correr. Corria como o vento.

Chegou em casa branco, olhos arregalados, a camisa empapada de suor.

A mulher acudiu e quis saber o que tinha acontecido. Ele contou.

Ela não acreditou na história. Como ele podia ter sido mais rápido que as balas?

Sérgiofredo contou: “Foi só imaginar que na minha frente ia o ônibus das 6 e meia e que se eu não o pegasse, ia chegar atrasado e ser demitido”.

Mais uma vitória do proletariado.

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Rotina

Uma das coisas que mais gosto no meu trabalho é a cara que a pessoa faz quando descobre o que vai acontecer com ela. Quando isso acontece, pelo menos o começo do meu dia está salvo. Dá para perceber a despedida surgindo, a incredulidade dando lugar à resignação, o grande vazio da perda se formando. Na maioria das vezes é assim; claro que de vez em quando há desespero, tentativas de agressão e de fuga. Nem pisco nesses casos. Vou direto ao assunto e pronto.

Gosto mais dos que se resignam, batem um papo como se para ganhar um tempo, para tentar entender. Como agora. Os olhos castanhos claros parece que me fitam a uma eternidade; o lábio inferior treme suavemente; as lágrimas que começam a surgir nos olhos encontram o sol e criam aquele brilho estrelado, como nos filmes…só faltou aquele barulhinho…. “plim”! Apesar de não-dito, o “porquê?” é palpável.

Ele me pergunta se pode fazer um pedido. Claro que eu digo que sim. Me pede para que aconteça num local discreto, longe de todos. Então eu lembrei de um lugar onde nos sentiríamos num deserto. Ele agradeceu. O silêncio tomou conta da nossa partida.

Caminhamos devagar – mais um de seus pedidos, pois queria observar pela última vez a vida. De vez em quando, parava repentinamente. Eu seguia o seu olhar e lá estava: um baobá, imponente, sábio e velho. “Nunca tinha percebido como ele é bonito…”, sussurou. Outro olhar, outro lado. Um prédio antigo, estilo clássico, pintado com cores alegres – por um desses projetos de revitalização urbana. “Veja só…agora não acho esse prédio tão museu assim…”, disse, um breve sorriso surgindo, para depois desaparecer.

Foi assim toda a caminhada.

Chegamos, sentamos lado a lado, mudos por alguns instantes.

É nessa hora que chegam os clichês: tanto ainda por fazer, se não tivesse dito aquilo à ela, se pudesse voltar no tempo…aí vem aquele olhar suplicando uma nova chance. Nem pisco. Minha distância incomoda, não digo nada, não mudo minha expressão, não sorrio, não choro. Apenas olho.

Quando começa o crepúsculo, vem o silêncio final. Sem estardalhaços, limpo, objetivo.

Pronto. Mas uma missão cumprida. Agora, tenho que ir, ainda há mais uma pessoa para hoje, segundo a informação que chega no meu smartphone.

Espero que venha mais uma cara engraçada para fechar o dia com chave de ouro.

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