Mapa da Web 2.0, elaborado pela Future Exploration Network

Mapa da Web 2.0, elaborado pela Future Exploration Network

Redes sociais na web são o assunto do momento. Com o boom do Twitter neste ano e serviços como o Facebook e MySpace descendo pro play prá brigar com o Orkut, não se fala em outra coisa por aqui.

Isso sem falar nos blogs, que teimam em não morrer, humilhando as profecias mais catastróficas. Sei não, quem sabe em 2012? (a bola da vez agora é o e-mail! Ele que se cuide).

Estatísticas confirmam que o brasileiro é um o povo que passa mais tempo conectado na web, mesmo com as restrições econômicas de acesso à tecnologia. Essa popularização da internet (viva as lanhouses!) vem fazendo pequenas revoluções na maneira das pessoas não só interagirem entre si, mas também com as empresas, independentes do segmento (comunicação, negócios, serviços ou comércio). Basta uma megacorporação maligna pisar no calo de um cidadão para ela ver essa pisadela se transformar em barulho na internet.

Outro paradigma quebrado é a do público apenas como receptor da informação; hoje, o receptor virou autor e produz conteúdo. Não cabe discutir aqui a qualidade dessa produção (ela é inversamente proporcional à quantidade), mas algumas coisas que aparecem nos youtubes da vida são geniais e inusitadas. Jovens ainda em formação expressam suas opiniões em blogs sobre os mais diversos assuntos; ouvem e são ouvidos; fazem cultura, discutem política, comportamento e caçam novas tendências – e tudo isso antes de chegar à uma universidade! Essa é a verdadeira democracia: liberdade de expressão!

E confirmando a profecia de Andy Warhol[bb], todo mundo é famoso hoje – alguns por 15 minutos, outros por muito mais tempo.

A grande questão que se levanta nesse cenário é: como aproveitar o poder da web para transformar a educação brasileira? Como professor, esse é um assunto que me interessa e me preocupa. O grande investimento dos órgãos de educação oficial (federal, estadual, municipal) para equipar as escolas públicas com acesso à internet e desktops e distribuir notebooks[bb] para os professores revela que há interesse governamental em não ficar para trás. Mas fica a pergunta: de que maneira o computador está sendo utilizado na escola pública? Algumas conversas informais, sem validade científica, com amigos professores da rede pública indicam que há uma subutilização do computador. Esse pré-cenário me instigou a agarrar o tema e desenvolver uma pesquisa, futuramente.

Com relação às Redes Sociais, como aproveitar o enorme potencial e poder de atração que as mesmas têm sobre os jovens para mudar, radicalmente, o modo de ensinar? Tenho plena convicção de que o Twitter, a mídia social mais usada do pais, por exemplo, pode ser utilizado como ferramenta no processo ensino-aprendizagem, em conjunto com outras como wikis e blogs. Eu só ainda não sei como. :)

Por outro lado, algumas instituições de ensino superior ainda têm uma visão ultrapassada da internet. Ano passado, fiz uma experiência com uma turma da disciplina Comunicação e Expressão. Já que a ementa previa uma “abordagem sobre os novos meios de comunicação da atualidade (blogs, fóruns, chats)“, criei um blog no Blogspot para interagir com os alunos e ampliar o conteúdo vivenciado em sala. O problema é que o laboratório de informática da faculdade bloqueava qualquer endereço com a palavra “blog” na url. Para convencer o setor de que não havia riscos em acessar um blog na internet levei um tempo.

Infelizmente, a tentativa não deu 100% certo. Os alunos tiveram muita resistência em participar; de uma turma de 60 alunos, apenas 10% interagiu com comentários e contribuições como a indicação de textos relacionados às aulas. Parte da culpa foi minha, com certeza – inseguro nessa primeira experiência; mas os alunos estranharam a mudança no estilo da aula, mais flexível e participativa, que exigia mais leitura e pesquisa do que as disciplinas comuns do curso (Ciências Contábeis).

Nesse ponto, fica a seguinte certeza: antes de se pensar em uma educação 2.0 com o uso de ferramentas tecnológicas, é preciso haver uma mudança para uma educação 2.0 na maneira de ensinar; resumindo, o professor precisa rever seu conceito de ensino, precisa rever suas técnicas e metodologias. Por fim, precisa perceber que o processo da educação é dialógico, participativo, cooperativo; em meio a realidades como a Educação à Distância[bb] (EaD) e seus ambientes virtuais de aprendizagem (AVA’s), Tecnologias de Informação e Comunicação[bb] e o aluno como um “leitor imersivo que navega entre nós e nexos construindo roteiros não-lineares, não-sequenciais e que interage com as diversas mídias disponíveis na internet“, conforme nos alerta Lúcia Santaella[bb] em seu excelente livro Navegar no Ciberespaço. O Perfil Cognitivo do Leitor Imersivo, é inaceitável que ainda exista o ensino tradicional, aquele onde o professor sabe tudo, não dialoga, copia quilômetros de texto no quadro e passa exercícios as vezes descontextualizados da realidade dos alunos.

Eu conheço professores assim – e não são do ensino fundamental e médio da escola pública: são professores universitários.

Uma educação 2.0 no sentido de se aproveitar todos os recursos das ferramentas tecnológicas é possível e necessária, mas ela não deve vir dissociada de um upgrade na educação analógica, aquela do marcador no quadro branco, da leitura de textos e da conversa-troca-de-experiências entre professor e aluno. Essas são tecnologias que não se esgotam, não estão ultrapassadas e que são fundamentais para que se possa utilizar todas as demais.

Esse, sim, é o primeiro grande desafio da educação brasileira.

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Os links abaixo são de artigos que relatam experiências do uso da web 2.0 na educação. Vale a pena ler.

Comunidades de prática e ferramentas Web 2.0: uma experiência em um curso de especialização em Matemática

O Google Sites no processo de ensino e aprendizagem: uma experiência no ensino superior

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