Sou um homem binário. Adoro coisas em par. Números pares para mim são mais simpáticos. Casais são mais simpáticos.

Qualquer coisa que vejo que não seja par, eu corro prá ajeitar (se puder, claro). Tem três canetas no bolso interno da minha mochila? Cato logo outra prá completar as quatro.

Coxinha, bolinho, lanchinhos pequenos? Dois de cada. Ah, e o suco ou o refrigerante? Tomo dois? Não, peço um copinho extra e divido o conteúdo.

Meio maluco, né? TOC, talvez? Mas nada que comprometa minha sanidade, afinal, não é uma mania tão radical assim.

Por isso, números ímpares me causam desconforto. Tinha uma coisa comigo de que nos anos pares, as coisas davam mais certo prá mim. Nos ímpares, aconteciam pequenos desastres pessoais.

Aí, comecei a repassar minha vida e vi que isso é uma tremenda besteira. Afinal, nasci num ano ímpar! Casei num ano par, mas minha filha nasceu num ano ímpar; o meu filho nasceu num par; terminei a faculdde num ano ímpar, entrei no mestrado em 2001, concluí em 2003.

Comecei a dar aulas em 2004, em 2005 virei coordenador de estágios…

Mas minha mente continuava a insistir que, em anos ímpares, coisas ruins aconteciam.

Pois em 2008 minha vida deu uma desregulada total. Foi um ano difícil, pesado, contado dia a dia para acabar. Ano par. 2007 também não foi essas coisas, mas foi melhor.

Um choque de realidade pode destruir uma verdade ilusória. Foi o tiro de misericórdia na minha obssessão por números pares.

Ainda continuo os achando mais simpáticos. Mas começo a ver beleza no incompleto. Maluco isso, não?

E que não é isso que define o caminho de uma vida. Isso tem a ver com planejamento, atitude, pensar antes de agir e outra série de fatores.

Bem, agora que voltei à normalidade, sinto que um pedaço de mim foi arrancado.

Preciso achar, urgentemente, uma nova mania para ocupar o meu insconsciente. Alguém tem alguma sugestão?

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