Quando a DC aniquilou o seu multiverso em Crise nas Infinitas Terras e começou tudo do zero, redefiniu algumas origens e alguns relacionamentos dos super-heróis da casa. Depois tudo virou uma zona de novo, mas isso é outro papo.

Bem, como eu ia dizendo antes de ser rudemente interrompido por mim mesmo (©José Teles), nessa redefinição de relacionamentos, o Super-Homem e o Batman nunca foram amigos. Quer dizer, eles eram companheiros na luta contra o mal, se respeitavam e tal, mas nunca tiveram aquelas aventuras alegres, bobinhas e inocentes dos anos 1950/1960, quando o bom mocismo, a camaradagem e a infantilidade andavam juntas. Nem tampouco aquelas aventuras dos anos 1970 e início dos 1980, quando eram amigões, mas sérios, no combate ao crime.

Atualmente, essa amizade voltou à tona. Os dois estão mais soltos, confiam mais um no outro, são capazes de se sacrificar um pelo outro. Batman até faz piadas com o Super! Vejam só! É mesmo o fim do mundo!

Esse relacionamento à moda dos velhos tempos é muito bom, quando bem escrito. Isso Jeph Loeb fez isso muito bem durante metade da sua passagem pela série Superman/Batman, que no Brasil começou em Superman 27 e depois ganhou revista própria. Se Loeb teve seus altos e baixos, depois de sua saída lá pelo número 17 de S&B, a série vinha capengando.

Na edição 40, começa um novo time criativo. E o novo arco parece promissor!

Michael Green (Quem? roteiro) e Shane Davis (desenhos) chegam com o arco K. No primeiro capítulo, Favor Estranho, ao salvar (junto com o morcego) uma equipe de cinema que está rodando um filme sobre Super-Homem e Batman (hilário) do ataque de uma vilã elétrica, o azulão é atingido por estilhaços de kryptonita. Levado pelo Flash até a Fortaleza da Solidão, o Super é tratado pelo Alfred e fica todo remendado. É aí que decide dar um basta na enorme quantidade da rocha radioativa que existe na Terra e pede a ajuda do Batman para isso. A última cena é impactante e dá um gostinho de querer acompanhar o que vai acontecer a partir daí.

Como é a primeira história, fica difícil avaliar a capacidade do roteirista. Vamo esperar prá ver. Quanto ao desenho, nada demais, um feijão com arroz básico. Mas a capa ficou um bosta.

Completando a revista, duas aventuras da Canário Negro, com a participação de um dos meus heróis preferidos da DC: o Arqueiro Verde. Em Vivendo em Pecado-parte 3, continua a busca da Canário Negro pela sua filha adotiva, Sin, que foi raptada pelo arqueiro Merlin. Numa caçada insana pela cidade, a loira de meia arrastão dá um cacete federal em Merlin, enquanto Oliver Queen e Mia resgatam Sin, mas com um trágico desfecho (não é spoiler! Aguarde e confie).

Em Vivendo em Pecado – parte 4, Canário tenta se recuperar do trágico desfecho da história anterior e é melhor ninguém ficar na sua frente: uma leoa pode matar para defender sua cria! A trama, que chega ao final, é uma preparação para o evento do ano (segundo a Panini, né?): o casamento de Oliver Queen e Dinah Lance!

A hq é escrita por Tony Bedard e desenhada pelos brasileiros Paulo Siqueira, Rod Ramos, Amilton Santos e Joe Prado (sobre os esboços de Mike Norton). Não é lá uma hq memorável, mas dá prá divertir.

A edição fecha com a terceira parte da parceria entre Batman e o novo (e esquisito) Besouro Azul. Enquanto o Lanterna Verde e a Supergirl perseguem os alienígenas que fugiram levando o Livro do Destino (e terminam pedindo ajuda a…Lobo!), Batman persegue o alien que ficou por aqui e recebe a inesperada ajuda do jovem Besouro Azul.

O Senhor do Tempo, que também está atrás do artefato, chega de repente e abre um portal temporal, trazendo os Cinco Fatais, grupo de super-vilões da Legião dos Super-Heróis do século XXX.

Durante a batalha, Batman é atingido pelo Ciborgue e o inexperiente Besouro vai ter que assumir o conflito.

Mais uma hq mediana, que se salva apenas pela arte do veterano George Pérez. O roteiro de Mark Waid não é ruim, mas como é um meio de saga, fica naquele chove-não-molha.

A hq faz parte da série O Bravo e o Audaz (The Brave and the Bold, no original), remake de uma antiga revista da DC, que juntava numa mesma aventura Batman e outro herói da casa. Nos anos 1970, tinha desenhos de Jim Aparo na sua melhor forma e era publicada no Brasil pela EBAL, na revista Superduplas.

Por fim, o resultado do mix é fraco e fica difícil desembolsar R$ 6,90 por apenas uma história mais ou menos (o primeiro capítulo do arco K).

Superman & Batman 40. 100 páginas. Panini Comics. R$ 6,90. Em Recife, você encontra na Elemental Loja de Quadrinhos – Rua Sete de Setembro, ao lado dos Correios. Fone: (81) 3423-1118

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