Na academia, quando o sujeito (e a sujeita também…) começa a pesquisar sobre um assunto que no fim vai se transformar em uma monografia, dissertação ou tese, é comum (e necessário) que se faça o que se chama de recorte, para que o trabalho não abarque o mundo com as pernas.

Quando comecei o mestrado, queria investigar de que maneira a identidade nacional era representada nos quadrinhos brasileiros. Até aí, eu tinha a brilhante idéia de pesquisar não-sei-quantas publicações nacionais, dos mais variados gêneros, prá tentar descobrir o que eu queria.

Logo na primeira apresentação do projeto, fui desencorajado por alguns professores dessa tarefa hérculea; depois de umas semanas angustiantes (e a little help for my friends), foquei a pesquisa no gênero super-heróis e escolhi como objeto de pesquisa o personagem Solar, do mineiro Wellington Srbek.

Recorte feito, foi só correr pro abraço (resumo simplificado e romântico para dois anos e meio de ralação…).

O bicho pega quando o pesquisador quer generalizar o resultado de sua pesquisa para todo o universo do objeto pesquisado.

Foi o que aconteceu com a professora Luíza Lobo, da UFRJ, com o resultado de sua pesquisa sobre blogs femininos, publicado no livro “Segredos públicos: os blogs de mulheres no Brasil”.

Não li o livro e nem sei se ele generaliza o resultado para toda a blogosfera feminina, mas numa entrevista dada à rádio CBN, a professora afirma que, no geral, os blogs de mulheres são diários confessionais, enquanto os homens se dedicam mais a blogs de notícias.

Como assim, minha senhora? Em que planeta a senhora vive?

Isso só vem demonstrar que, com honrosas excessões, o mundo acadêmico anda meio distante do que acontece na internet hoje em dia. E não só no quesito “pesquisa”: em algumas faculdades privadas, tudo o que tiver a palavra “blog” na URL é bloqueado nos laboratórios de informática. Quem tem um blog no Blogger (blogspot.com), coitado, nunca vai ser lido pelos estudantes…

Em 2005, o pessoal de informática lá do centro acadêmico onde trabalho, na UFPE, queria proibir o acesso ao MSN!!!!

Ainda bem que a blogosfera feminina brasileira não ficou calada diante de tamanha desinformação e botou a boca no trombone! Veja a repercussão da entrevista da professora no blog LuluzinhaCamp e a resposta das meninas prá ela!

Por fim, as meninas ainda enviaram para a professora uma lista com 75 blogs femininos brasileiros e mais 550 blogs internacionais, sendo 500 sobre política, escritos por mulheres.

Ponto prá vocês, meninas! E não estranhem o tom arrogante da professora: parece que, infelizmente, esse parece ser o tom dominante das professoras-universitárias-pesquisadoras-phdeusas-motherfucker-soudoutoraeaívaiencarar

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