Um blog de raiz
28 Nov 2008
Quando a DC aniquilou o seu multiverso em Crise nas Infinitas Terras e começou tudo do zero, redefiniu algumas origens e alguns relacionamentos dos super-heróis da casa. Depois tudo virou uma zona de novo, mas isso é outro papo.
Bem, como eu ia dizendo antes de ser rudemente interrompido por mim mesmo (©José Teles), nessa redefinição de relacionamentos, o Super-Homem e o Batman nunca foram amigos. Quer dizer, eles eram companheiros na luta contra o mal, se respeitavam e tal, mas nunca tiveram aquelas aventuras alegres, bobinhas e inocentes dos anos 1950/1960, quando o bom mocismo, a camaradagem e a infantilidade andavam juntas. Nem tampouco aquelas aventuras dos anos 1970 e início dos 1980, quando eram amigões, mas sérios, no combate ao crime.
Atualmente, essa amizade voltou à tona. Os dois estão mais soltos, confiam mais um no outro, são capazes de se sacrificar um pelo outro. Batman até faz piadas com o Super! Vejam só! É mesmo o fim do mundo!
Esse relacionamento à moda dos velhos tempos é muito bom, quando bem escrito. Isso Jeph Loeb fez isso muito bem durante metade da sua passagem pela série Superman/Batman, que no Brasil começou em Superman 27 e depois ganhou revista própria. Se Loeb teve seus altos e baixos, depois de sua saída lá pelo número 17 de S&B, a série vinha capengando.
Na edição 40, começa um novo time criativo. E o novo arco parece promissor!
Sphere: Related Content28 Nov 2008
E segue em frente o Desafio 21 Dias 2008, da Nospheratt!
A quarta tarefa é fazer um post sobre cinco coisas que aprendi sobre blogs em 2008. Essa foi a tarefa mais fácil de cumprir, mas mesmo assim não saiu no mesmo dia! Maldito dia de 24 horas!
Bem, um ano e dois meses depois de ter colocado o Macaxeira Geral no ar, o que mudou? Por curiosidade (e já que eu não lembrava mesmo) fui rever o meu post de um ano atrás, O que aprendi sobre blogs em 2007, com a idéia ver o que mudou na minha percepção da blogosfera.
1. A blogosfera é dinâmica! São milhares de cabeças pensando na melhor maneira de atrair leitores, em como se destacar no oceano de alternativas, como fazer para ser a bola da vez. Por isso, quando você tiver uma idéia interessante e depois de amadurecê-la, achar que ela pode render uma boa atenção para seu blog, coloque ela em prática ONTEM! Porque se você ficar pensando demais, alguém certamente vai ter a mesma idéia (ou outra similar) e passar na sua frente. Então, a lição que ficou foi: seja criativo, mas seja muito, muito mais rápido!
2. Ganhar dinheiro não é tudo. Na verdade, eu já tinha dito isso ano passado, mas de outro jeito. O que reforçou essa convicção foi o mais recente buruçú na blogosfera, com a história do meme dos links, que tinha o objetivo de burlar o (falho) ranqueamento do BlogBlogs. Muita tempestade num copo d’água por míseros links para (tentar) aumentar a visitação e arrebanhar uns trocados (ou prá provar alguma teoria idiota e óbvia). Uma coisa que aprendi desde que comecei a blogar e que muita gente parece que não vai entender nunca, é que só tem duas maneiras de ser notado: ou você produz com qualidade e vai ganhando terreno aos pouquinhos, ou pendura uma melancia no pescoço e sai prá rua. Essa última é mais rápida, mas corre-se o risco do cordão arrebentar e a melancia cair.
3. Tudo deve ser planejado, pois a Lei de Murphy não perdoa. Planejamento é tudo (igual ao contexto, que também é tudo). Isso é tão óbvio, não? Então, a lição que ficou foi: nunca prometa alguma coisa a alguém antes de ter essa coisa nas mãos. Gente, tô resolvendo isso, ok?
4. Que blogs ainda são elementos estranhos. Milhares de blogs brasileiros? Não-sei-quantos milhões de brasileiros lêem blogs? As empresas reconhecem os blogs como um novo canal de marketing? Bullshit! Isso tudo é migalha. Somos um grão de areia na praia. Que os blogs alcançaram um bom espaço na mídia, que já não têm mais cara de bandido, que blá blá blá, é vero. Mas o mundo real, palpável, não sabe de nossa existência. Iniciativas como a da revista Época talvez sejam o princípio de uma mudança, mas ainda é muito pouco. Digo isso com a experiência de quem ficou frustrado com o quase inexistente conhecimento das pessoas ao meu redor (colegas de trabalho, alunos, professores, amigos) sobre a blogosfera. Blog para eles é o Kibe Loco, são os blogs das celebridades da Globo; “Blog? Ah, legal, eu também tenho um orkut!”
5. Blogar é uma forma de aquisição de conhecimento. Meio óbvio isso, não? Mas será que todos os blogueiros percebem isso? Quando decide levar isso a sério, seja para ganhar dinheiro ou só para se divertir, você começa a imergir em um oceano de obrigações que te levam a: ler mais, escrever com mais cuidado, pesquisar sobre o que se escreve, conhecer pelo menos o básico de programação (html, css e etc.), desenvolver o senso crítico, aprender a se relacionar com as pessoas, ser solidário, ter humildade, planejar, traçar metas, tomar decisões…
É uma infinidade de competências que você vai desenvolvendo ou adquirindo no decorrer da atividade regular de postar uma porra de um texto. Quem não entendeu o espírito da coisa do que é blogar fica à deriva copiando&colando ou elaborando estratégias mirabolantes para ganhar “relevância” e ganhar um troco com monetização.
Bem, cumprida a tarefa! Que venha a quinta!
Sphere: Related Content26 Nov 2008
Depois da maldita saga Um Dia a Mais, na qual o Aranha, prá salvar sua tia da morte, vendeu a alma ao demônio Mefisto e jogou pro alto sua vida com Mary Jane, a Marvel veio com Um Novo Dia, que conta as aventuras de Peter Parker depois da lambança.
Prá quem não sabe do que tô falando, sugiro lerem meu post relacionado ao assunto, por sua própria conta e risco (tem spoilers por lá…e porque o negócio é tosco mesmo!)
Bem, o editor geral da Marvel, Joe Quesada, nunca escondeu que detestava a idéia do Homem-Aranha casado. Mas, ao invés de bolar uma coisa simples, tipo uma separação, ele achou melhor mexer na essência do personagem.
Será que isso deu certo?
Depende do contexto (e, você sabe, contexto é tudo): se você é um leitor das antigas, vai achar tudo mais do mesmo; se é um leitor novato, não vai sentir diferença; se é um leitor que tinha parado de acompanhar o Aranha nos anos 1980, vai achar que voltou no tempo.
Vamos às hq’s…
Sphere: Related Content25 Nov 2008
Na estréia da coluna Estante de Quadrinhos, uma resenha da melhor revista sobre quadrinhos do Brasil!
Para o alto e avante: Mundo dos Super-Heróis chega ao número 12!
Quando surgiu em julho de 2006, a Mundo dos Super-Heróis (MSH), publicação da Editora Europa, tinha pela frente uma gigante no segmento de revistas especializadas em quadrinhos: a Wizard Brasil, terceira versão nacional da revista, então publicada pela Panini Comics.
De periodicidade bimestral, a MSH chega, dois anos depois, à sua décima-segunda edição, mantendo a qualidade que lhe conferiu dois prêmios HQMix de Melhor Publicação Brasileira sobre Quadrinhos. Enquanto isso, a Wizard, que agora se chama Wizmania, foi descendo ladeira abaixo e hoje é uma sombra do que foi.
Nesta edição (setembro/outubro 2008), o grande destaque é o Dossiê Titãs, grupo de jovens heróis da DC Comics, sucesso de vendas nos anos 1980 na brilhante fase de Marv Wolfman e George Perez. São 22 páginas que contam as origens e a evolução do grupo: melhores momentos, cancelamentos, personagens mais marcantes, hq’s clássicas, desenhos animados e bonequinhos da hora (ou action figures, vá lá…).
A matéria cobre quarenta anos dos super-heróis juvenis e é um prato cheio de informações para os fãs da DC Comics; além disso, tem o making of da capa, que foi produzida pelos brasileiros Jackson Herbert e Alisson Ricardo - aliás, todas as capas da MSH são produzidas por talentos brasileiros e isso é muito bom!
Mas não é só de Titãs que vive a MSH 12. Entre os destaques, posso citar: um A a Z do Justiceiro e uma matéria sobre Magneto, o vilão mais classudo da Marvel; uma página sobre Lou Fine, um dos caras que mudaram o jeito de contar uma hq, lá nos anos 1940; uma visita do editor da MSH, Manoel de Souza, ao maior evento de quadrinhos da América, a Comic-Con, de San Diego/California; um mega-hiper matéria sobre um dos meus artistas preferidos, o John Buscema; e uma bela homenagem a Eugenio Colonnese, um dos grandes quadrinistas brasileiros, que se foi em agosto deste ano.
A Mundo dos Super-Heróis tem 84 páginas e custa R$ 9,90. Em Recife, você pode adquirir a mesma na Elemental Loja de Quadrinhos (parceira do Macaxeira Geral), que fica na Rua Sete de Setembro, ao lado da loja dos Correios, no Centro. Lá você encontra quadrinhos novos e usados, material setorizado, bonequinhos, camisetas e outras quinquilharias relacionadas às hq’s.
Quer saber se lá tem aquela revista clássica que você corre atrás faz anos? Liga prá lá, bate um papo com o Milton Willer e conheça a loja: (81) 3423-1118.
A seguir: Homem-Aranha 83 (com a fase Um Novo Dia, depois da polêmica saga Um Dia a Mais), Superman 72 (o final da saga O Terceiro Kryptoniano - afinal de contas, quantas pessoas escaparam de Krypton?) e Superman & Batman 40 (novo roteirista e novo arco de histórias).
Sphere: Related Content24 Nov 2008
Começou hoje a gincana mais inteligente da blogosfera: o Desafio 21 Dias - Edição 2008, promovido pela Nospheratt.
E a primeira tarefa é fazer uma faxina no blog. Então, vamos lá, seguindo a sugestão da Nosphie!
1. Corrigir links quebrados.
Moleza. Segundo o Xenu, programinha indicado pela Nospherat, não tinha nenhum. Seguem as telas;
Antes da varredura:
Depois da análise: zero! Nenhum link quebrado.
Próxima…
2. Descobrir páginas de erro dentro do seu site.
Bem…descobrir, eu descobri: só dois errinhos. Mas, sinceramente, não sei como consertá-los. De qualquer maneira, serviu de alerta e já estou pesquisando a maneira de resolver. Como não corrigi, este item é só para registro, certo, Nosphie? Se alguém souber como fazer, beijo me liga, ok?
Ah, só detalhando: um dos erros é uma página não encontrada (404) e o outro é uma URL inacessível (ver segunda tela abaixo).
3. Eliminar plugins ou widgets
Já estava na hora de fazer isso mesmo: tinha uma tonelada de plugins que nunca usei. Deletei a maioria e só deixei os que ainda estou testando. Abaixo, os plugins sem uso:
Depois da limpeza, ficaram o Vitrine Submarino e o WP-HotWords, que ainda vou testar; e o Maintenance Mode que só é ativado durante a atualização do Wordpress:
4. Comentário-Spam
Bem, a limpeza da minha lista de comentários-spam é diária; então, não tinha nenhuma sujeirinha por lá.
Dos seis desafios do primeiro dia, três cumpridos. 50%? Uma boa média para um dia corrido!
Agora, aguardar o segundo dia. Manda ver, Nosphie!
Sphere: Related Content20 Nov 2008
Imagine uma América onde os negros estão no topo da pirâmide social. Eles têm os melhores empregos, ganham mais, levam uma vida tranquila e comandam a maior economia do mundo.
Para que essa classe possa manter o status quo, alguém tem que suar a camisa.
Na base da pirâmide, estão os brancos. Eles são as vítimas da sociedade, sofrem discriminação racial pela cor da pele e moram em violentos bairros da periferia.
Num dia comum, o funcionário de uma fábrica é escolhido para fazer uma entrega na área nobre da cidade, na mansão de um rico empresário negro.
Acidentalmente, o jovem vê a mulher do empresário trocando de roupa no quarto. É surpreendido pelo dono da casa, que faz uma queixa à empresa, apesar dos argumentos do jovem de que tudo foi um simples incidente, que não foi intencional.
Depois da queixa, o funcionário é demitido.
Indignado, decide retornar à casa do empresário para tomar satisfações. A partir daí, seus atos vão desencadear uma série de eventos inesperados que terminam por transformá-lo num criminoso caçado pela polícia.
Essa é a trama de um grande filme, que assisti numa das madrugadas da Globo, já faz uns anos: A Cor da Fúria, de 1995, dirigido por Desmond Nakano, com John Travolta e Harry Belafonte nos papéis principais.
A grande sacada do filme é inverter a situação de negros e brancos na sociedade americana, tornando-se assim um poderoso libelo contra toda a forma de preconceito.
Com atuações brilhantes e sem excessos de Travolta e Belafonte, um roteiro inspirado e uma direção segura que não descamba para a panfletagem, o filme é uma boa pedida para se pensar sobre o que se comemora hoje, Dia da Consciência Negra.
Infelizmente, o filme não foi lançado em DVD por aqui e só é possível comprar a versão em VHS nos mercados livres da vida; na Globo, com todas as suas reprises, nunca mais ele deu o ar de sua graça.
Fica a dica.
P.S.: o título deste post é a tradução do título original do filme: White Man’s Burden
Sphere: Related Content20 Nov 2008
Era só o que faltava.
A DC Comics vai tirar Bruce Wayne de circulação e colocar o manto do morcego em outra pessoa.
Esse é mais um episódio da série: “tamo sem idéia legal prá aumentar as vendas, então vamo ferrar com um herói top, ganhar uns milhões e depois devolver tudo ao que era antes. Valeu, otários fãs!!”
Esse tipo de estratégia para alavancar as vendas já aconteceu outras vezes nos quadrinhos. É comum um personagem bater as botas para, algumas edições ou alguns anos depois, voltar todo serelepe do túmulo, às vezes com uma explicação prá lá de mequetrefe.
Quando isso acontece com um personagem top, como o Super-Homem (que “morreu” em 1993), a coisa ganha as manchetes de jornais de todo o mundo, sai na tv e vira assunto do mundinho cultural pop por alguns dias. Quem é fã das antigas, como eu, vê nisso uma besteira sem fim e normalmente não entra nessa.
Com o morcego, isso aconteceu durante a saga A Queda do Morcego, na qual um vilão saído do nada quebra a espinha do defensor de Gotham e o deixa inutilizado. A saga até que não é das piores, mas a maneira como Bruce Wayne voltou a andar foi uma solução deus ex-machina.
Se dá resultado financeiro prás editoras? Claro! A morte do Super-Homem reacendeu o interesse no personagem, que vinha despencando nas vendas e rendeu alguns milhões de dólares prá DC Comics; assim como aconteceu este ano, com a hipermidiática morte do Capitão América, da Marvel Comics (deu até na Globo!).
Hã, tô meio desatualizado: o Cap já voltou? E o Barry Allen, o segundo Flash, já deu o ar de sua graça?
Santa aposentadoria, Batman!
Mas, afinal de contas, o que vai acontecer com o homem-morcego?
é que está rolando nos EUA a saga Batman R.I.P, que termina agora, em Batman #681, com o afastamento do cruzado embuçado no combate ao crime em Gotham City. A hq é escrita por Grant Morrison e só por isso eu já gostei.
Em seguida, virá Neil Gaiman (oba!), que escreverá What happened to the caped crusader?; depois, vem A Batalha pelo Manto, onde os óbvios candidatos Tim Drake, Dick Grayson e (duh?!) Jason Todd irão se pegar prá tomar o lugar do morcego fodão.
<ironia>Parece promissor, principalmente se levarmos em consideração que depois de todo esse lenga-lenga, Bruce Wayne vai decidir voltar à sua missão sagrada de combater o mal e desfazer tudo o que foi feito durante meses! </ironia>
A DC arrisca muito ao tirar de cena um dos personagens mais emblemáticos do universo dos super-heróis, principalmente agora, com o mega-hiper sucesso de O Cavaleiro das Trevas, bilionária seqüência de Batman Begins; imagina o cara que assistiu ao filme e nunca mais tinha lido (ou nunca leu) um gibi do Batman na vida, se animar todo e quando comprar uma edição, não vai encontrar Bruce Wayne debaixo da roupa preta!
Aprendam, crianças: é assim que se conquista novos leitores! Não dando a eles o que eles esperam!!
A DC e a Marvel não aprendem mesmo. Tudo o que os fãs querem são boas histórias, sem mega-hiper-complicadas sagas cósmicas, sem crises infinitas, sem interligação entre cinquenta e sete gibis diferentes prá acompanhar a trama.
Bem, vou voltar ao meu velho armário e reler alguns clássicos dos super-heróis, quando a simplicidade era a grande inovação!
Sphere: Related Content20 Nov 2008
Eu torci prá seleção brasileira perder hoje.
#pronto, falei!
Só o Galvão Bueno que fica feliz com essa selecinha jogando.
Quase que eu morro numa grana, apostando que a seleção brasileira ia perder e que hoje seria o prego que faltava na tampa do caixão de Dunga. Ainda bem que a moral da seleção tá baixa e ninguém quis arriscar uns trocados numa vitória de Dunga…
Mas, aí, o Brasil ganha! Mas como é que vocês me fazem uma despeita dessas, rapazes?
Até tentei ajudar, dei meus passes lá na grande área, mas não teve jeito. Ô, Cristiano Ronaldo, é assim que você quer ganhar a chuteira de ouro?
Tá, confessa, Ricardo Teixeira: o que você mandou botar na comida dos portugueses?
Se Dunga perdesse hoje, dificilmente o imperador Adriano Ricardo Teixeira seguraria o anão no comando do escrete canarinho; a saída seria chamar um técnico de verdade.
Mas, percais as esperanças vós que aqui entrais! O horror! O horror!
Só falta agora a Argentina ganhar da Escócia na estréia de Maradona como técnico.
(momento de tensão…)
Sphere: Related Content17 Nov 2008
Como tinha prometido, o assunto de hoje é o making of do roteiro que escrevi para a revista em quadrinhos especial Sangue Latino: vida e trajetória de Abreu e Lima. A hq foi lançada pela Prefeitura de Ipojuca (que ainda não pagou a ninguém pelo trabalho!) e distribuída na rede escolar do município.
O objetivo era lançar a revista em um evento que contou com a presença do Presidente Lula e de Hugo Chávez. Mas por questões políticas, só foi lançada depois.
Bem, vamos ao trabalho.
Parte 1: o desafio
Quando recebi o convite para escrever um roteiro histórico sobre o general Abreu e Lima, não imaginava que o negócio ia ser tão acelerado. Tive apenas uma semana prá escrever a história - a saída foi usar meus últimos cinco dias de férias de um dos trabalhos e faltei um dia do outro. Mas cumpri o prazo.
Como base para escrever a hq, recebi uma pesquisa feita por Beatriz Paiva, que compilou os fatos mais importantes da vida de José Ignácio de Abreu e Lima, ano a ano.
Complementei a pesquisa com conteúdo que consegui em sites venezuelanos sobre o personagem - lá, ele é mais reconhecido do que aqui no Brasil. Por isso, os textos tinham mais detalhes, como diálogos.
Com a vida do homem nas mãos, já podia começar.
Parte 2: a decupagem
O desafio agora era distribuir as informações em cinquenta páginas. A vida de Abreu e Lima daria um bom filme, pois tem elementos universais como honra, lealdade, sacrifício, traição, intrigas e ação, muita ação.
Decidi dividir tudo em três partes; cada uma delas abordando uma etapa da vida do personagem. Essa foi a parte que levou mais tempo. Passei dois dias até conseguir organizar a estrutura da narrativa.
Na parte 1, achei melhor pular toda a parte de formação de Abreu e comecei com ele já voltando do Rio de Janeiro, como capitão de artilharia. Esse capítulo mostra sub-tramas como a Revolução Pernambucana de 1817; passa pelo fuzilamento do pai de Abreu (que era conhecido como Padre Roma) e mostra sua fuga da prisão, terminando com ele escrevendo ao General Bolívar, se oferecendo para lutar pela liberdade da América Latina.
Na parte 2, incluí toda a trajetória do personagem junto ao General Bolívar nos campos de batalha. É o capítulo mais “agitado” e por isso, teve mais páginas. Termina com sua expulsão da Venezuela, após a morte de Bolívar.
A última parte começa com Abreu e LIma voltando ao Brasil e culmina com sua última batalha pela liberdade de expressão, travada em Recife contra a poderosa e vingativa igreja católica.
Parte 3: montando a história
Particularmente, gosto muito de fazer roteiros fazendo esboços das páginas, que servem de indicação para o desenhista. Dá mais trabalho, porque tenho que “desenhar”, mas prefiro assim. Algumas passagens eu faço questão que permaneçam, em outras eu dou liberdade ao artista para criar sua narrativa.
Depois da divisão por capítulos, comecei a esboçar as páginas. São só rabiscos, com indicações de posicionamento de personagens e diálogos. Abaixo, a página 1:
E aqui, o resultado:
Outro esboço:
E o resultado final:
Cinqüenta páginas de rascunhos depois, o passo seguinte foi digitar todos os diálogos num arquivo à parte e mandar prá meu amigo Romo Oliveira, que fez a editoração e colocou balões e texto. A página acima, por exemplo, ficou assim:
PÁGINA 14:
Quadrinho 1: sem texto
Quadrinho 2: soldado: “Acabou. que isso sirva de lição…”
balão (fala de Abreu): “Baianos!”
Quadrinho 3: Abreu: “Vocês viram como morre um homem livre!”
Quadrinho 4: recordatório: “Que essa lição fique impressa na memória de vocês!”
Pense no trabalho…
Mas o mais legal de tudo é ver, depois de toda essa trabalheira, o resultado final e a revista impressa.
Sangue Latino: Vida e Trajetória de Abreu e Lima foi produzida por:
Bruno Alves: roteiro / Arnaldo Luiz: desenhos / Milson Marins, Rafael Anderson e Liz França: arte-final / Romo Oliveira: editoração e desenho da capa / Beatriz Costa Paiva: idealização e pesquisa / Sofia Gomes Costa: coordenação
Devo receber alguns exemplares da hq ainda esta semana e vou sortear alguns exemplares. Fiquem atentos!
Sphere: Related Content15 Nov 2008
Na academia, quando o sujeito (e a sujeita também…) começa a pesquisar sobre um assunto que no fim vai se transformar em uma monografia, dissertação ou tese, é comum (e necessário) que se faça o que se chama de recorte, para que o trabalho não abarque o mundo com as pernas.
Quando comecei o mestrado, queria investigar de que maneira a identidade nacional era representada nos quadrinhos brasileiros. Até aí, eu tinha a brilhante idéia de pesquisar não-sei-quantas publicações nacionais, dos mais variados gêneros, prá tentar descobrir o que eu queria.
Logo na primeira apresentação do projeto, fui desencorajado por alguns professores dessa tarefa hérculea; depois de umas semanas angustiantes (e a little help for my friends), foquei a pesquisa no gênero super-heróis e escolhi como objeto de pesquisa o personagem Solar, do mineiro Wellington Srbek.
Recorte feito, foi só correr pro abraço (resumo simplificado e romântico para dois anos e meio de ralação…).
O bicho pega quando o pesquisador quer generalizar o resultado de sua pesquisa para todo o universo do objeto pesquisado.
Foi o que aconteceu com a professora Luíza Lobo, da UFRJ, com o resultado de sua pesquisa sobre blogs femininos, publicado no livro “Segredos públicos: os blogs de mulheres no Brasil”.
Não li o livro e nem sei se ele generaliza o resultado para toda a blogosfera feminina, mas numa entrevista dada à rádio CBN, a professora afirma que, no geral, os blogs de mulheres são diários confessionais, enquanto os homens se dedicam mais a blogs de notícias.
Como assim, minha senhora? Em que planeta a senhora vive?
Isso só vem demonstrar que, com honrosas excessões, o mundo acadêmico anda meio distante do que acontece na internet hoje em dia. E não só no quesito “pesquisa”: em algumas faculdades privadas, tudo o que tiver a palavra “blog” na URL é bloqueado nos laboratórios de informática. Quem tem um blog no Blogger (blogspot.com), coitado, nunca vai ser lido pelos estudantes…
Em 2005, o pessoal de informática lá do centro acadêmico onde trabalho, na UFPE, queria proibir o acesso ao MSN!!!!
Ainda bem que a blogosfera feminina brasileira não ficou calada diante de tamanha desinformação e botou a boca no trombone! Veja a repercussão da entrevista da professora no blog LuluzinhaCamp e a resposta das meninas prá ela!
Por fim, as meninas ainda enviaram para a professora uma lista com 75 blogs femininos brasileiros e mais 550 blogs internacionais, sendo 500 sobre política, escritos por mulheres.
Ponto prá vocês, meninas! E não estranhem o tom arrogante da professora: parece que, infelizmente, esse parece ser o tom dominante das professoras-universitárias-pesquisadoras-phdeusas-motherfucker-soudoutoraeaívaiencarar…
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