Um pouquinho de história

Quando eu tinha 17 anos e fui tirar a minha carteira funcional, na Delegacia Regional do Trabalho, aqui em Recife, pude comprovar tudo aquilo que falavam do servidor público: que eles não faziam nada, que eram incompetentes, que pediam um trocadinho para o cafézinho e por aí vai.

Fui mal atendido (assim como todos que estavam na fila), os funcionários mal olhavam prá você, não explicavam as coisas direito; dias depois, no prazo estipulado, fui buscar minha carteira e ela ainda não estava pronta.

Quando ficou pronta, o funcionário, antes de me entregar, pediu um dinheiro pro café; meu pai, que me acompanhou dessa vez, disse um sonoro “não” e completou: “eu já pago o seu cafézinho todos os meses“. No caminho prá casa, ele me explicou como funcionava o serviço público e quem pagava a conta.

Isso foi em 1982. Em 1983, consegui meu primeiro emprego, num banco privado.

Cinco anos depois, já estressado com o emprego de bancário, quase pedindo as contas, prestes a dar umas bifas na cara do gerente administrativo, recebi um telegrama me convocando prá assumir uma vaga de assistente administrativo na Universidade Federal de Pernambuco, resultado do concurso que tinha feito um ano antes. Dei adeus à minha nada promissora carreira no universo bancário e escapei de ser preso por agressão.

E assim, lá se vão vinte anos de serviço público.

Serviço Público Federal: o que mudou

O primeiro susto que tomei quando comecei, no dia 19 de dezembro de 1988, foi o de perceber que ali ninguém fazia corpo mole, todos trabalhavam muito, atendiam bem as pessoas e cumpriam seus horários; ninguém deixava o paletó pendurado na poltrona e desaparecia (a mais emblemática imagem de um serviço público ineficiente).

Claro que haviam excessões. Mas no banco privado onde trabalhei também tinha gente assim, que levava o trabalho com a barriga. A diferença é que esses não duravam muito e eram logo eliminados. O servidor público encostado e faltoso se ampara na muleta da estabilidade e do corporativismo e nunca é posto prá fora. Infelizmente, isso ainda dura até hoje.

Mas o universo do emprego público mudou muito nesses vinte anos. Hoje, o mote é capacitação. O perfil do servidor público sofreu um upgrade em duas décadas e arrisco dizer que a força de trabalho, atualmente, é uma das mais qualificadas de todos os tempos.

Tomo como exemplo a UFPE. Quando entrei lá, existiam servidores analfabetos realizando suas funções. Casa de ferreiro e espeto de pau era amelhor definição prá situação. Um absurdo.

Hoje, qualificar o seu quadro de pessoal é uma das metas da UFPE; foram criados programas de capacitação para todos os três níveis (auxiliar, médio e superior), cursos preparatórios para o vestibular, cursos de especialização em gestão pública (a primeira turma já se formou e a segunda começa mês que vem), bolsas para especializações em diversas áreas, incentivo à participação em congressos da categoria.

Além disso, por conta própria, vários servidores possuem títulos de especialista e mestre.

O único porém ainda é o impacto financeiro de tudo isso, pois se comparados aos do legislativo e judiciário federal, os salários da educação são os piores. Mas isso é com o Lula…

Mas é muito bom entrar numa sala de aula e compartilhar o conhecimento com servidores de diversas idades, com suas histórias de vida e experiências. O último que fiz foi o de “Ferramentas de Gestão”, onde fiz amigos e aprendi coisas que levo prás minhas atividades e prá vida aqui fora.

Por isso, hoje, 28 de outubro, é um Dia do Servidor Público especial. Parabéns a todos os que trabalham com seriedade, compromisso, respeito e amam o que fazem.

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