Um blog de raiz
2 Sep 2008
Uma das notícias mais bizarras que li semana passada foi sobre a decisão da Warner Bros. de que o próximo filme do Super-Homem terá um clima sombrio, tipo o tenebroso tom dos filmes do Batman, principalmente do último Cavaleiro das Trevas.
Peraí, pára tudo! Parem as prensas (sempre quis dizer isso)!!!
Como assim, um “Super-Homem sombrio?”
Parece até que os executivos da Warner, dona da DC Comics, nunca leram uma hq do azulão. A própria origem dos personagens é marcada pelos opostos. Todos os dois são órfãos, mas as semelhanças acabam aí.
Kal-El, filho de Jor-El e Lara, do planeta Krypton, foi enviado a Terra para escapar da iminente destruição do seu mundo. Aqui, caiu no Kansas (EUA), foi criado por uma típica e conservadora família protestante norte-americana, que o orientou a usar seus milagrosos poderes especiais para combater o mal e defender o modo de vida americano. Para isso, ele escolheu um uniforme colorido e brilhante, com as cores da América e partiu para a vida super-heroística utilizando o nome de Superman (ou Super-Homem na verão brasileira).
Bruce Wayne, filho de Thomas e Martha Wayne, viu os pais serem assassinados por um bandido de quinta categoria, quando tinha oito anos de idade. Daí em diante, jurou usar toda a sua fortuna para combater o mal na degradante cidade de Gotham City. Para isso, escolheu a assustadora figura de um morcego e partiu para dar porrada nas almas sebosas utilizando o nome de Batman.
Pronto, simples assim. A partir dessas premissas, os dois personagens começaram a ser classificados como antagônicos: o Super era representante da luz, pois ele tem a capacidade de sempre esperar o melhor da humanidade; ele é um otimista e prefere não se intrometer muito nas questões humanas e servir mais como uma inspiração, um símbolo.
O Batman era o representante das trevas, pois ele tem a capacidade de sempre esperar o pior da humanidade; ele é um pessimista e prefere meter o bedelho onde não é chamado e servir mais como um símbolo do terror (”criminosos são covardes e supersticiosos”) do que como inspiração.
Aí, vem o segundo filme da nova franquia do morcegão, Batman, O Cavaleiro das Trevas, que faz um sucesso estrondoso e pronto: os executivos, ainda ressabiados com a pífia recepção do retorno do azulão (Superman Returns, uma bomba H de tão ruim) acham que é só pegar o clima sombrio do Batman, fazer control c + control v e voilá! O novo filme do Super-Homem vai ser um sucesso!
Todo mundo fica dizendo que o Cavaleiro das Trevas abre um novo parâmetro para os filmes de super-heróis a partir de agora. Acho que até eu falei isso em algum lugar. Mas agora, depois de ver o filme de novo, acho que ele pode ser, sim, um modelo a ser seguido, mas que DEPENDE EXCLUSIVAMENTE DO PERSONAGEM!
Pegar, por exemplo, o Flash, ou o Homem de Ferro
ou ainda o Arqueiro Verde e fazer um filme dark só porquê pode ser um sucesso ao ser comparado com o filme do Batman, é de uma idiotice sem tamanho.
Espero que alguma alma da Warner que tenha os pés mais no chão atente para essa maluquice e faça um filme do azulão digno do personagem, ao nível de Superman I e II, do eterno Christopher Reeve.
Até porquê um personagem que usa sunga vermelha sobre um colante azul celeste não pode ser considerado um super-herói dark, não é mesmo?
P.S.: Mas até que o logo do Super em versão darkknight fica legal, né?
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4 comentários para "Super-Homem, o Cavaleiro das Trevas de sunguinha vermelha"
O logo fica legal, mas pára por aí. Dark não é fórmula nenhuma. A única coisa que fizeram no Batman foi representá-lo mais fiel aos quadrinhos, e com bons atores(não que os outros Batmans não tivessem bons atores).
O Homem de Ferro achei muito bom também, justamente porque também o fizeram mais fiel aos quadrinhos, e inclusive essa foi a fórmula pros primeiros Supermans.
O resto de filmes baseados em HQs são tentativas de “blockbusterizar” o personagem, mas acabando com as características do mesmo. Spider-Man poderia ter sido melhor justamente porque focaram mais nos efeitos especiais do que na profundidade da história em si.
Ótimo texto.
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Bruno Alves Reply:
September 3rd, 2008 at 3:14 pm
Eu até gosto dos dois primeiros Aranhas, mas o terceiro é de doer de ruim. Acho também que Dark Knight é uma evolução dos filmes do Tim Burton, que até conseguiu passar o clima sombrio do Batman prás telas (só faltaram bons roteiros).
“Blockbusterizar” foi ótimo! É por aí mesmo!
Valeu e grande abraço!
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há potencial…
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Bruno Alves Reply:
September 7th, 2008 at 8:21 pm
Para um filme dark do super? Não acredito, caro Wallace. Filme do Super tem que fugir do clima sombrio e tem que ter pelo menos um dos supervilõs clássicos dele. Imagina ele trocando tapas com Mongul…claro, em cima de um roteiro decente, ia ficar legal.
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