Uma das notícias mais bizarras que li semana passada foi sobre a decisão da Warner Bros. de que o próximo filme do Super-Homem terá um clima sombrio, tipo o tenebroso tom dos filmes do Batman, principalmente do último Cavaleiro das Trevas.

Peraí, pára tudo! Parem as prensas (sempre quis dizer isso)!!!

Como assim, um “Super-Homem sombrio?”

Parece até que os executivos da Warner, dona da DC Comics[bb], nunca leram uma hq do azulão. A própria origem dos personagens é marcada pelos opostos. Todos os dois são órfãos, mas as semelhanças acabam aí.

Kal-El, filho de Jor-El e Lara, do planeta Krypton, foi enviado a Terra para escapar da iminente destruição do seu mundo. Aqui, caiu no Kansas (EUA), foi criado por uma típica e conservadora família protestante  norte-americana, que o orientou a usar seus milagrosos poderes especiais para combater o mal e defender o modo de vida americano. Para isso, ele escolheu um uniforme colorido e brilhante, com as cores da América e partiu para a vida super-heroística utilizando o nome de Superman[bb] (ou Super-Homem na verão brasileira).

Bruce Wayne, filho de Thomas e Martha Wayne, viu os pais serem assassinados por um bandido de quinta categoria, quando tinha oito anos de idade. Daí em diante, jurou usar toda a sua fortuna para combater o mal na degradante cidade de Gotham City. Para isso, escolheu a assustadora figura de um morcego e partiu para dar porrada nas almas sebosas utilizando o nome de Batman[bb].

Pronto, simples assim. A partir dessas premissas, os dois personagens começaram a ser classificados como antagônicos: o Super era representante da luz, pois ele tem a capacidade de sempre esperar o melhor da humanidade; ele é um otimista e prefere não se intrometer muito nas questões humanas e servir mais como uma inspiração, um símbolo.

O Batman era o representante das trevas, pois ele tem a capacidade de sempre esperar o pior da humanidade; ele é um pessimista e prefere meter o bedelho onde não é chamado e servir mais como um símbolo do terror (”criminosos são covardes e supersticiosos”) do que como inspiração.

Aí, vem o segundo filme da nova franquia do morcegão, Batman, O Cavaleiro das Trevas, que faz um sucesso estrondoso e pronto: os executivos, ainda ressabiados com a pífia recepção do retorno do  azulão (Superman Returns, uma bomba H de tão ruim) acham que é só pegar o clima sombrio do Batman, fazer control c + control v e voilá! O novo filme do Super-Homem vai ser um sucesso!

Todo mundo fica dizendo que o Cavaleiro das Trevas abre um novo parâmetro para os filmes de super-heróis a partir de agora. Acho que até eu falei isso em algum lugar. Mas agora, depois de ver o filme de novo, acho que ele pode ser, sim, um modelo a ser seguido, mas que DEPENDE EXCLUSIVAMENTE DO PERSONAGEM!

Pegar, por exemplo, o Flash[bb], ou o Homem de Ferro[bb] ou ainda o Arqueiro Verde e fazer um filme dark só porquê pode ser um sucesso ao ser comparado com o filme do Batman, é de uma idiotice sem tamanho.

Espero que alguma alma da Warner que tenha os pés mais no chão atente para essa maluquice e faça um filme do azulão digno do personagem, ao nível de Superman I e II, do eterno Christopher Reeve.

Até porquê um personagem que usa sunga vermelha sobre um colante azul celeste não pode ser considerado um super-herói dark, não é mesmo?

P.S.: Mas até que o logo do Super em versão darkknight fica legal, né?

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