Estava arrumando a bagunça que normalmente é o meu quarto (gibis, cd’s, dvd’s, livros, revistas e o escambau, para desespero da patroa) quando reencontrei um pequeno grande livro, que achava ter perdido no limbo: Noite, de Érico Veríssimo.

Foi aí que bateu uma saudade.

Érico Veríssimo foi o “companheiro literário” mais presente durante um período da minha vida: final dos anos 1980, recém empossado num emprego público federal, com duas horas de almoço prá gastar e sem nada prá fazer nesse tempo.

Foi quando descobri que, como funcionário, podia me cadastrar nas bibliotecas da universidade e retirar livros. Pronto!

Foi o período em que mais li na minha vida: de 1989 até 1992. Tinha dias em que eu praticamente engolia a comida e ia correndo para a biblioteca central para escolher os livros que ia ler durante a semana. Na época, fiz uma relação de quantos livros li nesse período, mas a perdi. Não me lembro mais quantos foram. Só sei que foram muitos.

Entre todos, o autor que mais me marcou foi Érico Veríssimo. Já tinha ouvido falar dele e de seus livros. A biblioteca tinha todos. Por qual começar foi a grande dúvida.

Aí, esse livro aí em baixo chamou minha atenção pelo título:

Solo de Clarineta, em dois volumes, é a autobiografia do escritor. Gostei muito do título, achei poético. Decidi começar por ele.

Como diz outro querido escritor, Manuel Bandeira, foi um alumbramento! Li rápido e em poucos dias, já pegava a segunda parte, que devorei igual à primeira. E foi aí que me apaixonei pelo autor.

Então, decidi seguir suas obras pelo ano de publicação: Clarissa, Caminhos Cruzados, Música ao Longe, Um Lugar ao Sol e Olhai os Lírios do Campo.

Decidi pular Saga e parti para aquela que é, para mim, sua obra-prima, um dos maiores romances da literatura mundial: O Tempo e o Vento.

Composta por três partes (O Continente, O Retrato, O Arquipélago), distribuídas em sete livros, a saga conta a formação do Rio Grande do Sul através da história da família Terra Cambará.

Cheia de personagens emblemáticos e marcantes como Ana Terra, Capitão Rodrigo, Bibiana Terra, Floriano Cambará, a saga foi publicada de 1949 a 1962.

Veríssimo é um escritor raro, daqueles que conseguem prender o leitor desde a primeira linha.

Ao ler suas descrições de batalhas, diálogos, paisagens e personagens, era como se eu estivesse vendo um filme na minha cabeça, tamanha a riqueza de detalhes. Dava para escutar os sons, sentir os cheiros; ficar com fome numa cena de banquete ou com sede durante uma reunião de amigos bebendo cerveja (que foi resfriada no fundo de uma cacimba).

Apesar da imensidão da obra, em nenhum momento ela se torna cansativa, entediante ou desinteressante.

O Tempo e o Vento merecia virar um filmaço daqueles - ou uma graphic novel em vários capítulos!

Vou correndo reler Noite. Qualquer dia, escrevo uma resenha sobre essa fantástica novela, uma obra gigante contida num…livrinho.

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