Uma das coisas que mais detesto é quando esqueço (ou quando as crias “pegam emprestado”) o meu X-Micro em casa e tenho que ir ao trabalho escutando a programação das rádios locais nos falantes do ônibus .

Quando o motorista tem bom gosto (caso raro), sintoniza na Rádio Tribuna ou na Antena 1, que embora toquem muita música velha (standards do pop internacional e da mpb oitentista), é melhor do que aquelas que tocam “músicas” que me tiram do sério, como forró eletrônico, calipsos da vida e porcarias similares.

Ontem, voltava do trabalho no final da tarde e o rádio do ônibus estava tocando um daqueles programas de música romântico-brega que também servem como agência sentimental, com recados de ouvintes se oferecendo ou procurando um amor eterno…

Mas o que chamou a minha atenção foi um detalhe nos pedidos: “Fulana, 32 anos, moradora do bairro de Casa Amarela, procura homem de 40 a 50 anos, bem sucedido e livre blá blá blá…

Todo os pedidos vinham acompanhados desse requisito. Independentes da idade desejada, o bem sucedido era inevitável.

O melhor era o apresentador explicando o que era um homem bem sucedido: “é aquele tem uma ocupação, que tem condições de pagar despesas, fazer uma feira, ajudar a pagar um aluguel, pagar sua condução…” e por aí vai.

Todos os exemplos de bem sucedido eram nesse nível, com exemplos bem suburbanos. Foi até divertido enquanto durou (logo depois ele botou uma “música” de Daniel prá tocar - ARGHHH!!!).

Mas, aí, eu fiquei pensando: afinal, o que é uma pessoa bem sucedida?

Uma vez, um amigo me falou de uma teoria interessante: a de que, salvo não tenha nascido em berço de ouro, uma pessoa só alcança o nirvana do sucesso depois dos 50 anos: estabilidade financeira, maturidade para tomar decisões importantes na vida, paciência diante das reviravoltas inesperadas e etc.

Achei a teoria meio furada, pois conheço algumas pessoas que já chegaram nesses níveis com bem menos idade e que não nasceram em berço de ouro - ao contrário, ralaram um bocado prá chegar lá.

Por outro lado, ele me deu alguns exemplos de pessoas próximas prás quais as coisas aconteceram do jeitinho que a teoria descreve - inclusive a própria história dele foi assim.

Pela teoria dele, eu ainda tô um pouco longe do sucesso - ainda tenho uns bons oito anos pela frente.

De minha parte, acho que tudo depende das escolhas que você faz na vida. Quebrando a cara ali, levantando em seguida, caindo de novo e, assim, aprendendo com os erros e acertos.

E, no final das contas, ser bem sucedido é uma questão de ponto de vista; não tem nada a ver com dinheiro, posiçao social ou quantidade de bens.

Tem a ver com ser feliz com o que se conquistou e com a ambição saudável de ficar de bem com a vida.

Bem sucedido? Ainda não. Mas tô chegando lá, com muito trabalho, persistência e fé em Deus.

Sphere: Related Content