Como eu estava falando no post anterior, antes de ser misteriosamente interrompido por mim mesmo, uma novela que tem me chamado a atenção, ultimamente, é A Favorita, de João Emanuel Carneiro.

Quando estreou, no dia 02 de junho, a novela amargou o menor ibope para uma estréia no horário: 35 pontos. E durante todo o mês de junho ficou nessa média, dez pontos abaixo de Duas Caras, novela anterior.

Parece que, atualmente, ela vem recuperando os pontos perdidos, mas mesmo assim, abaixo do esperado.

Na verdade, acho que a Globo nunca mais vai ter aquela hegemonia no quesito novela - a emissora chegou a ter picos de 94 pontos durante a exibição do último capítulo de Vale Tudo (lembra do mistério “quem matou Odete Roitman?”).

As outras emissoras estão investindo pesado, algumas com atores que já brilharam na Globo; a Record vem fazendo história com a surpreendente Os Mutantes-Caminhos do Coração, seqüência do sucesso anterior Caminhos do Coração, que inovou ao enxertar na receita do folhetim elementos de ficção científica e quadrinhos - cópia descarada dos X-Men e da série Heroes, embora o autor negue. Confesso que, como bom nerd que sou, tentei ver alguns capítulos mas não consegui suportar aquela mistureba. Mas a iniciativa é interessante.

Ah, e o SBT está reapresentando Pantanal, da extinta Rede Manchete, com relativo sucesso.

Quem é o mocinho?

Acho que (lá vem suposição) um dos fatores que está afastando o público comum da novela A Favorita é a personalidade dúbia de boa parte dos personagens na trama.

Afinal de contas, quem está falando a verdade: Donatela (Cláudia Raia) ou Flora (Patrícia Pillar)? As duas personagens não deixam claro quem é mocinha e quem é bandida, pois tomam atitudes suspeitas a cada capítulo.

Outros personagens também surpreendem, como Silveirinha, interpretado magníficamente por Ary Fontoura.

Some-se a isso a ausência do clássico par romântico (e do inevitável triângulo amoroso) que cause empatia ao público. Para coroar, o autor não gosta de ficar enrolando e enche a história de reviravoltas instantâneas, que dão agilidade à novela.

É ou não é interessante? Personagens que se parecem com gente de verdade, cheios de qualidades e defeitos ao mesmo tempo, reviravoltas, bons diálogos e boas interpretações (menos a de Murilo Benício, só prá variar).

Pelo menos nesses dois meses em que está no ar, A Favorita tem se distanciado de alguns clichês novelísticos. Mas, por quanto tempo será que isso vai durar?

E a audiência dita as regras…

Novela é uma obra aberta e sua trajetória fica a mercê da audiência. Se tudo vai bem, as coisas se mantém do jeito que estão; se a audiência vai a pique, o jeito é mudar.

Pelo que tenho lido na net, o autor disse que vai revelar o verdadeiro assassino de Marcelo (personagem pivô de toda a trama) no mês de agosto.

Se mesmo assim a audiência não reagir, alguém aí duvida que a Globo vai exigir mudanças radicais? Caso clássico: Torre de Babel, de Sílvio de Abreu, exibida entre 1998/1999, não agradou ao público em vários aspectos e teve baixos índices no Ibope, durante os primeiros meses.

Resultado: personagens morreram (as lésbicas vividas por Christiane Torloni e Sílvia Pfeiffer, por exemplo), outros mudaram de comportamento (o personagem de Tony Ramos, um ex-presidiário raivoso que queria se vingar de seu ex-patrão, ficou mais bonzinho) e por aí vai. Depois das mudanças, a audiência voltou ao normal.

Será que o autor d’A Favorita vai conseguir manter sua história do jeito que está até o fim? Olhaí um mistério digno de novela…

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