Com a estréia do aguardado Batman, O Cavaleiro das Trevas, segundo filme do revival do morcegão pelas mãos do diretor Cristopher Nolan, veio à tona a seguinte questão: o Robin terá vez nessa nova série?

A primeira voz a se levantar contra a idéia foi a do ator Christian Bale, que interpreta o morcegão. Ele chegou a dizer que se essa idéia fosse adiante, ele abandonaria o barco.

Pelas experiências anteriores da participação do menino-prodígio nos filmes do Batman (aquelas bombas dirigidas por Joel Schumacher) dá prá ficar assustado. Mas no meio dessa discussão toda, ainda não vi ninguém dando um bom argumento, seja a favor ou contra a aparição do personagem na franquia cinematográfica.

Mas, afinal, qual a função do colorido e juvenil Robin para um personagem sombrio e amargurado como o Batman? Como é que esse pivete surgiu? Quantas pessoas já assumiram o manto do Robin? Vale a pena enfiar o garoto no próximo filme do morcegão? Afinal, que fim levou o Robin?

Batman, o vigilante impiedoso e o garoto do circo

Quando surgiu, em 1939, o Batman era um personagem muito diferente do que conhecemos hoje, principalmente por um detalhe: ele matava!

Se hoje o morcegão é totalmente avesso à armas, naquele tempo ele era um vigilante que não tava nem aí prá saúde dos seus inimigos - e ele usava uma pistola!

Enquanto o Super-Homem, que no início também não tinha essa preocupação em preservar a vida de seus inimigos, logo se tornou um exemplo de bondade a ser seguido, o Batman era um personagem muito violento e sombrio para o público-alvo daquele contexto histórico: as criancinhas.

Para amenizar a violência do personagem e deixá-lo mais atraente para o público infantil (além de lhe dar um interlocutor para que ele não passasse as histórias pensando demais ou falando sozinho), Bob Kane, Bill Finger e Jerry Robinson criaram o Robin, um dos mais importantes personagens do universo do Batman.

Robin (o garoto Richard Grayson) apareceu na revista Detective Comics #38 (1940) e o que mais chamava atenção eram as cores do seu uniforme: amarelo, verde e vermelho, que constrastavam violentamente com os tons sombrios do Morcego. Ele fazia parte de uma família de trapezistas chamada Os Graysons Voadores. Quando seus pais foram assassinados em plena apresentação, Bruce Wayne o acolheu em casa e tornou-se seu tutor. Ao resolver o caso e punir o assassino do menino, Batman ofereceu a ele a chance de se tornar seu parceiro na luta contra o crime. Surgia uma lenda.

Dos anos 40 até o final dos anos 60, Batman e Robin (e todos os demais personagens de sua galeria) estavam longe da seriedade - principalmente nos anos 60, quando a série de tv estabeleceu uma nova abordagem, transformando todo o universo do personagem em piada.

Mas foi graças a essa série galhofa que o personagem voltou à mídia. E daí, despertou o interesse da DC Comics em resgatar as origens do personagem, o que veio a acontecer nos anos 70, com a excelente fase de Dennis O’Neil, Neal Adams e Dick Giordano.

Embora pareça estranho um cara sisudo e sombrio andar prá cima e prá baixo com um garoto de calças curtas e cores alegres, diversos roteiristas começaram a criar toda uma aura ao redor do Robin, transformando-o num elemento imprescindível nas histórias do morcego, fazendo até com que os leitores esquecessem o ridículo uniforme.

Dick Grayson cresceu e criou independência. Tornou-se líder do grupo de heróis juvenis Novos Titãs. O Batman passou a agir sozinho, como no início da carreira. Depois de uma série de aventuras, Robin deixou de existir e Dick assumiu a identidade do Asa Noturna, que mantém até hoje.

Robin II: morte em família

O segundo Robin foi Jason Todd. Ele era um garoto de rua e foi descoberto pelo Batman quando tentava roubar os pneus do Batmóvel. Invocado, o garoto, não?

Logo depois, Batman treina o rapaz e oferece a ele a chance de ser o segundo Robin. Impulsivo e rebelde, o personagem não caiu nas graças do público, que numa votação por telefone decidiu que o mesmo deveria partir dessa prá melhor.

Isso aconteceu na história Morte em Família, onde o Coringa mata o menino-prodígio de forma brutal (se bem que Jason Todd voltou dia desses do mundo dos mortos…)

Depois do trauma da morte de Todd, Batman decide que nunca mais vai arriscar a vida de outro jovem no papel de Robin (Dick Grayson levou um tiro e ficou à beira da morte numa história dos anos 70).

Bem, tava na cara que isso não ia durar muito tempo.

Robin III: o melhor

Tim Drake foi introduzido no universo do Batman de forma retroativa: ele presenciou a morte dos pais de Dick Grayson no circo e a partir daí, começou a interligar todos os eventos ligados a Bruce Wayne, Batman e Robin, deduzindo que o milionário de Gotham e seu pupilo eram, na verdade, os super-heróis.

Anos depois, durante uma saga onde o Batman está fora de controle, atormentado pelas tragédias de sua vida, Tim Drake aparece com a missão de devolver a sanidade ao morcego e para isso convoca Dick Grayson para ajudá-lo.

Depois dessa série, Tim Drake tornou-se o terceiro Robin, mas só estreou ao lado do Batman depois de um árduo treinamento. Por isso, juntando suas habilidades naturais de dedução e conhecimento de computação com os ensinamentos daqueles que ensinaram tudo ao Batman (artes marciais, luta de rua, estratégia, etc…), ele tornou-se o mais completo dos parceiros do Morcego, suplantando até o primeiro de todos, Dick Grayson.

Recentemente, durante a saga Crise de Identidade, o pai de Tim foi assassinado e ele foi adotado por Bruce Wayne. Depois de um tempo sem atuar como Robin, ele já voltou a ativa.

Robin de saias (não é o que você está pensando)

Stephanie Brown era filha de um vilão da DC chamado Mestre das Pistas e decidiu atuar como a heroína Salteadora.

Quando Tim Drake se afastou temporariamente do cargo pelo fato do seu pai ter descoberto sua identidade secreta, ela assumiu temporariamente o posto de Robin, numa alusão à garota Carrie Kelley, que foi a Robin da mini-série O Cavaleiro das Trevas.

Mas sua passagem durou pouco e a menina morreu durante a saga Jogos de Guerra.

Carrie Kelley foi a última Robin e atuou ao lado do Batman sessentão da mini-série Dark Knight Returns, de Frank Miller, que acontece num futuro alternativo.

E no cinema, dá certo?

Acredito que toda essa celeuma em torno da inclusão ou não do Menino-Prodígio na seqüência de Batman- O Cavaleiro das Trevas tem que ser analisada do seguinte ponto de vista da adequação à mitologia/design dos filmes feitos até agora. Sendo assim, acho que ele é perfeitamente aceitável se:

- for um personagem que passe o realismo que tem dado o tom dos filmes até agora;

- seu uniforme fugir do tradicional e usar os mesmos tons sombrios dos filmes (deixem os nerds xiitas de plantão xingarem à vontade);

- ele não ficar falando “Santa seriedade, Batman!” a todo instante;

- ele não se comportar como um adolescente mimado;

- ele for interpretado por um ator competente.

Seguindo essas regrinhas, eu acho que dá samba. O personagem tem histórias solo marcantes, que podem ser utilizadas como base para sua inclusão. Nem que seja para uma breve apresentação que abra caminho para um filme solo do personagem, que mostre seu amadurecimento até sua transformação no Asa Noturna, outro ótimo personagem do univeso do Batman.

E você, o que acha de toda essa polêmica?

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