Macaxeira Geral

Um blog de raiz

Arquivo de May de 2008

prancheta

Com a proximidade de mais uma eleição (dessa vez municipal), os institutos de pesquisa começam a ganhar uns trocados fazendo (dãã…) pesquisas de opinião sobre preferências eleitorais e quejandos.

Pois eu acho que esse tipo de pesquisa no Brasil deve estar sendo feita através da leitura das mentes dos eleitores.

Sim, pois do alto dos meus quarenta e dois anos e onze meses de idade, NUNCA {eu disse NUNCA} fui abordado na rua por nenhum pesquisador, nem prá responder pesquisa sobre marca de sabão ou outra coisa qualquer.

Por isso, toda vez que vejo um resultado de pesquisa eleitoral “realizada na capital pernambucana entre os dias X e Y, que ouviu dois mil eleitores blá blá blá…” me pergunto: e eu, porque não fui entrevistado? Aliás, entre os dias X e Y eu estava na capital. Moro em um bairro, trabalho em mais dois diferentes, circulei pelo centro da cidade…e não vi ninguém de prancheta na mão abordando transeuntes pelas ruas.

Eu só acredito que existem pesquisadores andando por aí com pranchetas porque um amigo meu trabalha no IBGE – embora eu acredite apenas por ele dizer que esses pesquisadores existem, pois na verdade nunca vi nenhum.

E falando no IBGE, minha família só foi visitada por um agente do Censo uma vez, há mais de trinta anos – e eu não vi porque estava na escola  : (

De lá prá cá, nenhum desses senhores deu o ar de sua graça prá fazer aquelas perguntas indiscretas (qual sua idade, quanto você ganha…).

Por isso que além do Papai Noel, do Coelhinho da Páscoa e do Acre, eu também não acredito em pesquisa eleitoral.

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Em recente pesquisa {realizada nos dias 9 e 10 de maio} sobre as eleições municipais no Recife {vi lá no Acerto de Contas}, já dá pra perceber que o processo eleitoral da capital pernambucana vai ser, no mínimo, animado.

 

João “quem-é-esse-cara” da Costa. Foto do blog do Luciano Siqueira

 De um temerário último lugar na pesquisa realizada em outubro de 2007, João “quem-é-esse-cara?” da Costa, candidato do atual Prefeito João Paulo, subiu de 5 para 11 pontos percentuais na intenção de votos dos eleitores – isso significa um pulo de mais de 100%!!! Mas João “Quem?” da Costa continua com alto índice de rejeição e de desconhecimento por parte da população. Tem tempo pra consertar? Sei não…

Enquanto isso, todos os demais candidatos ou perderam pontos ou ficaram estacionados. Tá vendo que pesquisa preliminar não quer dizer nada?

Dentre os que vão brigar pela prefeitura, temos velhos conhecidos do eleitor:

 

Mendonça Filho, do DEM.

Mendonça Filho {DEM = muda o nome desse partido, gente}: vice-governador de Jarbas Vasconcelos durante oito anos, Mendoncinha perdeu a eleição para governador em 2006 para o neto de Miguel Arraes, Eduardo Campos. Agora, tenta a cadeira de prefeito.

Sei não, mas isso tá me cheirando mais à estratégia tipo “depois que eu virar prefeito, vai ficar mais fácil me candidatar a governador em 2010. Ou seja, você elege um prefeito e dois anos depois ele vai embora tentar a sorte grande e deixa um vice no lugar {aliás, quem é o vice dele mesmo?}.

E desconfie mesmo se ele jurar de pés-juntos que não vai fazer isso – lembrem do José Serra, que assinou até documento registrado em cartório dizendo que não ia deixar a prefeitura…

 

Cadoca. Fonte: site do candidato

Cadoca {PSC}: ou “aquele-cara-do-Recifolia”. É um candidato da categoria dos “sem carisma”, conforme ficou comprovado na última eleição para prefeito. E tinha propostas tão esdrúxulas que minha sobrinha de 12 anos à época ironizou uma delas, diante da tv: a de que a redução da passagem de ônibus pela metade também aos sábados iria diminuir o índice de desemprego no Recife. Próximo.

  

Raul Henry. Fonte: site do candidato

Raul Henry {PMDB}: é isso que eu gosto na atual oposição: eles ficaram iguais aos partidos de esquerda de antigamente e ao invés de se unirem, ficam brigando entre si por causa de suas ambições e vaidades particulares {vide o caso Cadoca X o grupo político que sempre lhe deu sustentação}.

Henry é jovem {isso ajuda com jovens eleitores}, tem fama de competente e boa penetração junto às eleitoras que querem mais do que comprometimento político {afinal, beleza ajuda, né?}. :P

Mas vai bater de frente com seu amigo Mendoncinha. E agora?

 

Raul Jungmann. fonte: site do candidato

Raul Jungmann {PPS}: segundo um amigo experiente no meio político/administrativo {já passou por vários cargos públicos e conhece esse povo de perto}, ele é o candidato mais capacitado para assumir a prefeitura, mas não tem carisma e nem é tão conhecido pela massa. É campeão de rejeição. É um azarão que só terá força em um provável segundo turno.

  

Luciano Siqueira. fonte: blog do candidato

Luciano Siqueira {PCdoB}: atual vice-prefeito do Recife e, ao meu ver, o candidato natural à sucessão de João Paulo – menos para o prefeito, claro, que escolheu o desconhecido João “Quem?” da Costa. Bem, ele é carismático, ele  parece ser boa gente, ele é blogueiro…

Mas não tem peso político…

E, como em toda eleição, não poderiam faltar os bufões da disputa:

 

Clóvis Correia. fonte: num sei onde peguei essa foto…

 Clóvis Correia {PSDC}: ou o vereador das kombis. Correia ficou conhecido pela sua defesa aos kombeiros que tumultuaram as ruas do Recife durante os anos 90. Só por isso deveria ser defenestrado da política pernambucana, mas como eleitor tem memória curta…

Com certeza, vai ganhar votos dos kombeiros que desejam a volta do terror no trânsito.

Eriberto Medeiros {PTC}: sei quem é não - nem foto dele eu achei. Só apareceu na recente pesquisa, com 3 por cento dos votos – empatado com Luciano Siqueira e Clóvis Correa.

  

Edílson Silva. fonte: Psol PE

Edílson Silva {PSOL}: gostei desse cara na última eleição para governador, ele é articulado, inteligente e desarmou alguns grandões nos debates com suas colocações. Mas é do PSOL e isso significa propostas ultrapassadas e utópicas, capitaneadas pelo que há de pior no esquerdismo.

Marcos de Jesus {PRTB}: tenho dúvidas se esse é o nome dele mesmo, pois normalmente esses candidatos com vínculos religiosos agregam os sobrenomes “de Jesus” ou “de Deus” aos seus nomes de batismo. Evangélico, já concorreu a outras disputas no estado.

Bem, os pré-candidatos estão à postos. Agora, é acompanhar os acordos, conchavos, trocas de favores, chutes no saco e dedada no olho até o prazo final para definição das chapas - até lá, muita água vai rolar e talvez o cenário mude um pouco.

Mas que vai ser divertido, vai.

 

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Brasileira tem seis mil piercings pelo corpo…

 

Que eca…

Com licença que eu vou ali vomitar…

Mr. Sulu engaged com seu namorado

Sulu e Brad Altman

 

O bom e velho Hikaru Sulu, também menos conhecido como George Takei, aproveitando a legalização do casamento gay na Califórnia {e atendendo a centenas de ordens “Mr. Sulu, engage!”, dadas pelo Capitão Kirk nos últimos anos } anunciou que irá se casar com seu namorado Brad Altman, de 54 anos, com quem vive há mais de vinte anos.

Três anos depois que saiu do armário da Enterprise, Sulu disse, em seu blog, que “O sonho de Califórnia é realidade. Eu e o Brad Altman agora podemos nos casar. Nós estamos superfelizes! Nós somos iguais como todos os cidadãos de nosso estado!

E que agora, a única coisa que os está incomodando é “o delicioso dilema de decidir onde, quando, e como nós seremos casados. A união entre iguais demorou um tempo longo, mas, como o vinho fino, seu bouquet é simplesmente exótico”.

O amor não é lindo?

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Este artigo tem como objetivo analisar a recente produção de adaptações de quadrinhos do gênero super-heróis e identificar as proximidades e distanciamentos que estes personagens sofrem a serem adaptados para o cinema.

O Cinema e as Histórias em Quadrinhos sempre caminharam lado a lado, e a aproximação entre estas duas linguagens faz com que elas sejam consideradas irmãs. Moacy Cirne, em seu livro Quadrinhos, sedução e paixão (2003) nos lembra que “(…) é possível apontar semelhanças significativas entre elas: decupagem, cortes, planos, enquadramentos (…)” – o que me faz lembrar de Scott McCloud, ao definir, em Desvendando os Quadrinhos (1995), os fotogramas de um filme como “uma hq beeem lenta”, e da definição do quadrinho como “cineminha de papel”, comum no Brasil dos anos 1950.

A indústria do cinema, percebendo o potencial mercadológico dessas histórias ilustradas, tratou logo de providenciar versões cinematográficas das mesmas. Assim, de personagens clássicos (Fantasma, Flash Gordon) a super-heróis (Capítão Marvel, Super-Homem), passando por graphic novels como V de Vingança, do cultuado Alan Moore (que prá não fugir da rotina, renegou a adaptação) tiveram suas adaptações para a tela grande.

Tendo em vista a amplitude do tema discutido aqui, tenho que fazer uma opção, ou um recorte – como se chama na academia – e focar minha análise no novo filão cinematográfico: a adaptação de hq’s de super-heróis.

A tradução intersemiótica

Pegando o gancho do desprezo de Alan Moore para com as adaptações de sua obra – em alguns casos com muita razão, vide Do Inferno, A Liga Extraordinária e a assustadora próxima adaptação, Watchmen -, os filmes baseados em quadrinhos dificilmente alcançam a unanimidade entre os fãs, chegando ao ponto de ter gente que não curtiu X-Men 3:O Conflito Final pelo simples fato de não ter rolado uma briga entre Colossus e Fanático, coisa comum nos quadrinhos.

O fato é que, ao transportar uma linguagem artística para outra, acontece uma tradução, semelhante à transposição de um texto de uma língua para outra. A tradução não é construída literalmente, transcrevendo tudo ao pé da letra, como se diz; isso não é possível pelo simples fato de existirem diferenças culturais entre os envolvidos. Assim, o tradutor faz uma adequação de uma linguagem à outra, para que a obra possa ser compreendida.

Então, para fazer um filme de super-herói que agrade, ao mesmo tempo, tanto àquele fã radical quanto ao espectador que nunca ouviu falar do personagem, a receita é simples: basta traduzir o essencial do universo do personagem para as telas. No caso dos X-Men, a mensagem principal criada por Stan Lee era o da luta contra o preconceito, a intolerância. Então, mutação se torna uma metáfora para todo tipo de discriminação; pois bem, isso foi mantido no filme – e aí está uma das razões para o seu sucesso.

Segundo o professor e artista intermídia Julio Plaza, em seu livro Tradução Intersemiótica {2003} a tradução Intersemiótica ou ‘transmutação’ pode ser definida como sendo aquele tipo de tradução que ‘consiste na interpretação dos signos verbais por meio de sistemas de signos não verbais’, ou ‘de um sistema de signos para outro, por exemplo, da arte verbal para a música, a dança, o cinema ou a pintura’, ou vice-versa, poderiamos acrescentar.”

Em poucas palavras, intersemiose é o diálogo entre duas linguagens artísticas distintas, como o cinema e os quadrinhos, por exemplo; a tradução intersemiótica acontece quando uma linguagem adapta para si os códigos da outra: a adaptação cinematográfica de um romance, a quadrinização de uma música, são alguns exemplos desse processo.

Quando isso acontece, é comum o resultado ter algumas diferenças básicas em relação à obra original, o que é perfeitamente compreensível, pois o texto fica a serviço dos códigos da linguagem adaptadora. Teoricamente compreensível, mas, na maioria dos casos, inaceitável por parte dos admiradores do original, o que gera comentários comuns como “o livro é melhor” - frase muito ouvida no cenário cultural pop atual por parte dos fãs de obras como “O Senhor dos Anéis”, só para ficar no caso mais famoso.

Isso se deve ao fato de que na verdade a obras foi traduzida para a nova linguagem, e não transposta; tradução implica numa deliberada escolha de elementos mais significativos da obra original que continuem sendo significativos na nova linguagem. Assim, todos os “excessos” que não funcionariam são deixados de lado.

Como estratégia para agradar um público mais universal, algumas adaptações cinematográficas de hq’s se distanciam de seus modelos; no entanto, ultimamente podemos ver adaptações mais fiéis às obras originais - chegando ao extremo de uma total transposição do quadrinho para a tela.

Categorias de análise

Para exemplificar, escolhi quatro filmes, que vão desde o distanciamento total da obra original até a fidelidade máxima, passando pela tradução propriamente dita e por um exercício de narrativa.

Tão longe…

Mulher-Gato (2004), com Hale Berry. Dirigido por Pitof.

Eu poderia ter escolhido qualquer outro filme baseado em hq para exemplificar o total distanciamento de uma adaptação para com a obra original - alternativas não faltam. Mas Mulher-Gato beira o ridículo.

Quando Michelle Pfeiffer apareceu vestida de couro preto remendado no filme Batman - O Retorno, todos esperavam ver, na seqüência, um filme solo da personagem com a loira no papel principal. Anos depois, a decepção.

Nos quadrinhos, a Mulher-Gato é Selina Kyle, uma ladra sofisticada, que tem uma relação conturbada de amor/ódio com Batman. Era tão simples realizar essa adaptação, certo?

Mas o estúdio optou por mudar o nome da personagem (que passa a se chamar Patience Price), apagar suas características principais, retirar qualquer menção ao universo do homem-morcego…

Resultado: o esperado e merecido fracasso.

Tão Perto…

Sin City (2005), com Mickey Rourke e Bruce Willis, dirigido por Frank Miller e Robert Rodriguez.

Aqui, não estamos diante de uma tradução, mas sim de uma perfeita transcrição de uma história em quadrinhos para um filme. Nesse caso, os enquadramentos, ângulos, diálogos, passagens quadro a quadro, foram fielmente “copiados” para a tela do cinema.

Essa estética, adotada igualmente em 300, de Zack Snyder, tem como objetivo ser o mais fiel possível à obra original. Para fãs radicais, um delírio visual e narrativo.

No entanto, como produto de cinema, como filme, Sin City fica devendo em termos de linguagem, pois se preocupa demais em não se distanciar de suas origens quadrinísticas; então, nesse sentido, fica indeciso entre ser cinema e hq e termina se tornando um híbrido que não resiste a uma segunda olhada.

Traduzindo…

X-Men 2 (2003), com Hugh Jackman, Patrick Stewart, Ian McKellen, dirigido por Bryan Singer.

Também poderia ter escolhido outros filmes, até mais recentes, para ilustrar a categoria tradução. Mas continuo achando que X-Men 2 é uma das melhores adaptações de um universo de quadrinhos para o cinema.

Aqui, Bryan Singer faz uma tradução intersemiótica perfeita, ao transpor para a linguagem cinematográfica todos os elementos seminais que formaram a história dos mutantes nos quadrinhos. As características de cada personagem, como comportamento e relação interpessoal, os conflitos que os motivam a lutar, a metáfora original criada por Stan Lee sobre preconceito…tudo está lá, bem colocado, de uma maneira que o torna realista, crível aos olhos de quem nunca viu os mutantes nos quadrinhos, e ao mesmo tempo reconhecível para velhos leitores.

Claro que, dentro dessa categoria, ainda podemos citar Homem-Aranha 2, Batman Begins e o recente Homem de Ferro, mas X-Men 2  foi o filme que mostrou que pode existir inteligência nas adaptações de histórias em quadrinhos. Pena que Singer não repetiu o tento no triste Superman Returns.

Experimentando o quadrinho na tela…

Hulk (2003), com Eric Bana, Jenniffer Connely e Nick Nolte, dirigo por Ang Lee.

Eu gostei do filme de Ang Lee. Sério. Tirando o final, que é ruinzinho, o filme dá uma abordagem diferente do que todos esperavam do personagem que “esmaga homenzinhos”.

Mas o grande achado do filme é a tentativa de Ang Lee de recriar na tela do cinema a experiência de leitura de uma história em quadrinhos, usando uma narrativa cheia de quadros e requadros, em enquadramentos típicos dos quadrinhos.

Além disso, a inovadora abordagem psicológica da dupla personalidade do verdão tornou-o mais interessante e palpável do que sua tradicional persona nos quadrinhos.

Uma das melhores adaptações de um personagem de hq para o cinema, para o bem ou para o mal.

Só espero que Watchmen e The Spirit, quando chegarem, fiquem bem encaixadinhos na terceira categoria.

 

Este post faz parte do projeto Blogueiro Reporter, uma iniciativa do Edney Souza.

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 Este artigo é licenciado em Creative Commons


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Os canais de televisão vivem da audiência. Audiência traz anunciantes. Anunciantes trazem dinheiro.

As estratégias que os canais fazem para atrair a audiência é que faz a diferença entre um canal e outro. Nesse caso, entra o peso da tradição, de quem está no topo, de quem dita as regras há muito tempo.

Claro que essa hegemonia de vez em quando é abalada, mas nada que cause danos sérios à estrutura de quem está lá em cima.

Assim como nos nossos conhecidos blogs, o que atrai a audiência é o conteúdo veiculado.

Acontece que na tv, paradoxalmente, algumas vezes a qualidade desse conteúdo é altamente questionável e, mesmo assim, atrai audiência.

Analisar as estratégias discursivas que os canais de televisão utilizam para ganhar audiência e pontos no Ibope é um delicioso exercício para quem gosta de comunicação, de entender como esses discursos são construídos e de como eles pautam o comportamento da sociedade – para o bem ou para o mal.

Na entrevista que o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá deram ao Fantástico há algumas semanas, ouvi muitos comentários de que eles deram um tiro no pé e que ficou evidente a falta de sensibilidade do casal diante do acontecido.

Resumindo o coro geral: eles não convenceram.

Diante do furo – que rendeu picos de audiência à Globo – os demais canais ficaram à deriva, principalmente a Record, que ficava repetindo o já repetido, sem assunto novo para explorar.

Com a entrevista da mãe de Isabela, Ana Carolina Oliveira, estratégicamente programada para ir ao ar no Dia das Mães, a Globo mostrou mais uma vez porque ainda continua no topo (e mais uma vez, para o bem ou para o mal…)

A brilhante estratégia de colocar uma mãe que perdeu a única filha num crime cruel, provavelmente praticado pelo próprio pai, para se abrir diante de milhões de telespectadores num dia repleto de emoções à flor da pele como o 11 de Maio, com certeza pode contribuir para jogar a pá de terra que faltava para a condenação do casal Alexandre/Anna Jatobá.

Sim, porque se diante comoção da sociedade diante do caso e dos discursos elaborados pela mídia (enquadramentos de imagem, tipo de música utilizada nas matérias, repetição exaustiva de detalhes do crime, repetição exaustiva de fotos e vídeos da vítima e toda uma série de recursos que criam verdades nos receptores) o juiz Maurício Fossen chegou a afirmar que o casal “é desprovido de sensibilidade moral”, o que poderá acontecer agora depois da entrevista da mãe de Isabela?

Engraçado que alguns juízes não ficam preocupados e sensibilizados com a ordem pública antes de pensar duas vezes em dar liberdade condicional a homens presos por abuso sexual e estrupro, que ao saírem terminam cometendo os mesmos crimes…

Pena que o mesmo também não tenha acontecido com o fazendeiro Vitalmiro Moura, suspeito de ter mandado matar a missionária Dorothy Stang. Depois de ter sido condenado a 30 anos de prisão, foi absolvido num novo julgamento. E tem o jornalista Pimenta Neves, do qual não se tem mais nenhuma dúvida da autoria do crime contra Sandra Gomide e que hoje responde em liberdade.

Tudo indica, todas as provas levam a crer que o casal é culpado. Mas eles ainda não foram julgados OFICIALMENTE. Mas já foram OFICIOSAMENTE, inclusive com pré-julgamentos da própria justiça brasileira.

Como diria aquele velho orelhudo, esse é um momento “fascinante” para quem gosta de fuçar as entrelinhas da mídia.

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Eu odeio o Jovem Nerd!

 

Grrrrr…

 

Eu sempre fui um nerd.

Um nerd light, mas um nerd. E nunca tive vergonha disso.

Mas meu maior surto de nerdice aconteceu na universidade.

Junto com mais quatro nerds, eu passava horas discutindo hq, cinema, tv, literatura e ficção-científica.

Chegamos a matar várias aulas inúteis (que meus filhos não leiam isso) pra ficar conversando abobrinhas culturais. Chegamos a cogitar o lançamento de um fanzine com nossas baboseiras - eu cheguei a fazer um “boneco” do fanzine. Até que alguém disse: “Se isso virasse um programa de rádio, ia fazer sucesso“.

Aí veio a vida real, formatura, cada um para um lado, atividades diferentes, família, trabalho e por aí vai.

Desses nerds, apenas dois continuaram próximos – e um deles sumiu faz uns meses. {deve estar na Ilha. Não, não a de Lost, mas aquela ilha pra onde iam todos que sumiam em Watchmen, lembram? Essa era nossa piada interna na época: se alguém sumisse de repente, tava na ilha - inclusive “desaparecidos” como Elvis, Jim Morrison, Janis Joplin, Kennedy e por aí vai}.

Quando me falaram de podcasts e eu fui fuçar e descobri o Nerdcast, minha cabeça explodiu!

Putz! Sabe aqueles flashbacs de cinema que mostram o cara lembrando do passado num zoom que entra na sua cabeça (tipo em Ratattouille)?

Foi escutar um episódio pela primeira vez e voilá – me vi na universidade numa manhã quente, junto com mais quatro caras, falando das mesmas coisas que Allotoni e companhia, com o mesmo humor, ironia e nerdice!

Putz!

Quantos grupos de amigos nerds da minha época não passaram por isso ao escutarem o Nerdcast?

grrrr…..

Tivemos a idéia de fazer um programa com nossas nerdices antes mas a tecnologia da época não permitia que fizéssemos um podcast – nem tinha internet decente naquela época.

Por isso, toda vez que eu escuto o Jovem Nerd, em meio às risadas vem aquele sentimento inconsciente de ódio benéfico: “malditos sejam vocês por terem nascido na época certa”.

Pô, que falta faz um DeLorean e um capacitor de fluxo agora…

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Admirável Mundo Novo

Corria o ano de 1980 e alguma coisa. Eu tinha dezoito anos, trabalhava num banco privado, havia conseguido escapar do serviço militar e toda a minha grana era prá comprar discos, quadrinhos, roupas e sair com os amigos prá me divertir – nessa ordem de prioridades.

Foi nesse período que o rock nacional deu um upgrade e os ingleses cometeram a chamada “segunda invasão mundial”: Smiths, Cure, Simple Minds, U2, Felt, Durutti Column, Bauhaus, Joy Division, Cocteau Twins…{“Heaven knows i’m miserable now” , dos Smiths, foi meu hino durante muito tempo}

Com tanta novidade, corri prá conseguir informações sobre aquelas bandas. Pena que não tinha Google naquela época (bem, não tinha nem internet naquela época) .

A primeira coisa que li sobre os ingleses (e sobre os brasileiros também) foi na primeira encarnação da revista Bizz, da qual virei assinante. Comprava também a revista Roll, que era mais pobrinha visualmente, mas que algumas vezes chegava a superar a concorrente de luxo no quesito “qualidade” de suas matérias.

E tome informação nova. Bandas das quais nunca tinha ouvido falar, muito menos ouvi um acorde sequer; resenhas sobre discos clássicos de artistas que ainda estavam ativos, como David Bowie, Talking Heads, Jethro Tull e por aí vai.

O problema é que parte desse material clássico e/ou de novidades não chegava ao país com tanta facilidade naquele período; e quando acontecia, geralmente era a preços nada convidativos.

Resultado: tenho uma boa leva de discos em vinil daquele período, mas fiquei chupando dedo e deixei de conhecer muita coisa boa que as revistas indicavam.

Quando a novidade do compact disc aterrisou por aqui, pensei: agora eu tiro o atraso!

Pois bem: até que chegaram alguns daqueles discos tão alardeados pelas revistas dos anos 80/90. Só que, mais uma vez, os preços não eram nada convidativos.

Quando estourou a onda da pirataria, fiquei com o pé atrás. Queria os discos originais, com encartes e tudo o mais.

O problema é que às vezes eu economizava uma grana e comprava um cd original e então tcharam!!!! – o encarte era pobre, não vinha com as letras, nem fotos decentes, nem nada. Pô, então, qual era a vantagem de comprar o cd original?

 

Cd original do Pearl Jam…

Cd original do Pearl Jam…

…e cadê as letras e as fotos?

 

…e cadê as letras e fotos?

Mesmo assim resisti, acreditando que as coisas iriam mudar. Tanto que os únicos discos piratas que tenho daquele período comprei para os meus filhos, que ficavam me enchendo: uma coletânea dos Guns’n’Roses, outra do Nirvana e uma daquelas da Globo, Classic Metal 2 (er…bem, essa eu comprei prá mim só por causa de “Breaking all the rules”, do Peter Frampton).

Genérico do Guns - Greatest Hits

 

Genérico do Guns - Greatest Hits

Então, os mp3 da vida deram o ar de sua graça. E, apesar de ter resistido por muito tempo, minha paixão pela música falou mais alto… (more…)

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Hora do desenho

cartum

 um dos meus cartuns preferidos {fiz lá no comecinho dos anos 2000}.

 

 

Museu Murillo La Greca fica no bairro do Parnamirim - Recife

O Museu Murillo La Greca, da Prefeitura da Cidade do Recife, está com inscrições abertas para o primeiro módulo do Curso de Histórias em Quadrinhos, que acontece de maio a dezembro.

O curso é divido em quatro módulos: Roteiro, Narrativa, Desenho e Editoração.

O primeiro módulo, Roteiro, será ministrado pelo cartunista da Associação dos Cartunistas de Pernambuco - ACAPE e professor universitário Bruno Fernandes Alves - este que vos bloga - e acontece nos meses de maio e junho, às segundas e quartas, das 14h30min às 17h30min.

O segundo módulo, Narrativa, será ministrado pelo cartunista Rafael Anderson entre os meses de julho e agosto. Rafael é membro da ACAPE e foi o ganhador do evento 24 Horas de HQ, que aconteceu durante o IX Festival de Humor e Quadrinhos, em outubro de 2007.

Em seguida, Arnaldo Luiz, cartunista membro da ACAPE e um dos editores da revista independente PRISMARTE, ministrará o módulo de Desenho para Quadrinhos nos meses de setembro e outubro. Arnaldo é criador do personagem MinoTauro e do Esquadrão Agakê.

Finalizando o curso, o cartunista e designer gráfico Romo Oliveira ministrará o módulo de Editoração, nos meses de novembro e dezembro.

Cada módulo custa R$ 150,00 e pode ser parcelado em duas vezes.

Maiores informações:

Museu Murillo La Greca
Rua Leonardo Bezerra Cavalcanti 366, Parnamirim
3232 4276 | murillolagreca@gmail.com
Seg a sex | 9 às 17h

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