Macaxeira Geral

Um blog de raiz

Arquivo de April de 2008

Para um domingo

Gatos ao léu

Domingo é um dia ideal para não fazer nada.

Domingo é dia de acordar tarde, se espreguiçar na cama e se encolher debaixo do cobertor, buscando o calor do corpo feminino pra se proteger do frio do ar-condicionado.

Domingo é dia pra esquecer tudo aquilo que nos atordoa em outros dias da semana.

Esquecer as contas a vencer, esquecer que tem trabalho atrasado em cima da mesa do escritório, esquecer o ônibus lotado e o engarrafamento, esquecer aquela reunião chata da próxima quarta-feira.

Num domingo, não se deve contar as horas, antecipando uma saudade que fatalmente virá no final do dia.

Domingo não é dia de ver televisão.

Domingo é dia de ouvir música bem alto, ou de se largar na cama depois do café para ler o jornal ou um livro não-científico, não-técnico…resumindo, um livro chato para o domingo.

Se quando você acordar o sol estiver brilhando forte no céu e o calor for sufocante, olhe para o alto e agradeça. Se gostar de praia, vá correndo se arrumar.

A vida passa lentamente…

Se quando você acordar a chuva estiver cobrindo a cidade e o vento frio for cortante, olhe para o alto e agradeça. Se gostar de tomar banho de chuva, vá correndo aproveitar.

Domingo não é dia de corrigir prova, trabalho, preparar aula, desenhar, estudar pra prova, fazer conta, planejar o futuro…

Domingo não é dia pra fazer dieta; é dia de coisas gostosas, como bolo de chocolate, brigadeiro, mousse de limão, coca-cola com pizza, sorvete, biscoito recheado, pastel e feijoada – mas com moderação.

Contemplando a vida…

Domingo é o presente que a gente recebeu pra se sentir gente. Nos demais dias da semana, a “gente” da gente fica em casa enquanto a gente sai pra aventura da vida.

Mas se você trabalha no domingo, então o seu domingo cai em outro dia da semana.

E veja só que maravilha: enquanto todos os outros que estão trabalhando têm o mesmo dia especial, você tem um dia especial só pra você pra fazer o que quiser, tipo ir à praia, ir ao cinema, ir ao shopping…

Tudo isso que eu escrevi sobre o domingo foi inspirado pelos gatos que estão passeando pelo post, que curtiam a manhã de domingo esparramados sob a sombra de uma árvore.

Tem horas em que a gente sente mesmo é vontade de virar gato e ficar por aí, de pernas por ar, quarando ao sol, olhando a vida mansamente, pisando sem fazer barulho, se movendo com graça e leveza pelos telhados da cidade.

Taí! É isso!

O domingo é o dia ideal para virar felino.

Domingo é o dia ideal para gatear ao léu.

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Mais desenho…

Mais um desenho participante: uma caricatura de Freud, feita pelo imagenista Romo Oliveira.

Freud, por Romo Oliveira

Valeu, véio!

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Meme do desenho

Aí está a primeira participação no “meme do desenho”:

Não conhece o blog do Sampson? Vai lá que é muito bom!

é um desenho do Sampson Moreira, do blog Inovavox.

Obrigado pela participação, Sampson!

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II Encontro de Software Livre de Pernambuco

Nos dias 23, 24 e 25 deste mês vai acontecer o II Encontro de Software Livre de Pernambuco, no Bloco “B” da Faculdade Maurício de Nassau, que fica situada na Rua Guilherme Pinto, 400, Derby.

Segundo o site do evento

o Encontro trará debates a respeito do desenvolvimento, compartilhamento e propagação destes softwares, além de minicursos, exposições de painéis e apresentação de trabalhos técnicos e acadêmicos.

A organização estima que cerca de 800 pessoas participem do Encontro e ajudem a difundir o Software Livre {SL} nos âmbitos acadêmicos, empresariais, governamentais e sociais.

O objetivo geral do Encontro de Software Livre de Pernambuco {ESLPE} é propagar as práticas de desenvolvimento colaborativo e de garantia ao acesso à produção do conhecimento no estado de Pernambuco, além de difundir a cultura do Software Livre e a sua importância social.

A programação divulgada no site do evento lista os temas das palestras e dos minicursos, embora ainda esteja sujeita a alterações. O nome dos palestrantes e dos professores dos minicursos ainda não foram divulgados.

Alguns temas que me interessaram {vou tentar ver todos, caso os horários - que não foram divulgados - não entrem em conflito}:

Acessibilidade, Inclusão Digital e Tecnologias Assistivas com Software Livre Gerando lucros com Software Livre

Migre sem risco para Software Livre

Gerenciamento de Conteúdo com o Drupal

Cultura Livre: o que existe além do Software

Ubuntu e a Comunidade

Web 2.0 - Novos conceitos e tecnologias livres

As demais palestras são mais voltadas para um público especializado.

Quanto aos minicursos, estão sendo anunciadas seis opções, a maioria para um público bem específico, como Shell-Script, Desenvolvendo em LAMP e Ajax - Técnicas e ferramentas open source para melhorar a experiência do usuário na Web.

Para um iniciante entusiasta como eu, apenas o Conhecendo o Linux - Equipe Mandriva 2008 me pareceu mais acessível, embora tenha ficado interessado em dar uma olhada no curso Instalação e administração básica de Debian GNU/Linux.

Para saber mais sobre o Encontro e ver a programação completa, é só acessar o site oficial do evento.

A gente se vê por lá.

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Desenho de Saul Steinberg, um mestre do desenho

Desenho de Saul Steinberg, um dos maiores artistas gráficos do mundo.

Uma das maiores mentiras que se espalha por aí é de que o desenho é um dom, que todo desenhista é iluminado, um escolhido dos deuses e que nasceu para brilhar.

Bullshit!

Desenho pré-histórico encontrado em Carnaúba dos Dantas, Seridó-RN

Desenho pré-histórico encontrado em Carnaúba dos Dantas, Seridó-RN.

A expressão gráfica é inata ao homem. Enquanto a escrita e a leitura tem que ser ensinada, o desenho vem espontaneamente. Qualquer criança que pegue um lápis pela primeira vez, já sai riscando traços malucos em qualquer lugar que encontre – paredes, chão, móveis… acredite, isso é desenho. Por isso, o melhor é dar logo folhas de papel para as crianças irem se expressando – e assim poupar suas paredes. ; )

O que ficou impregnado na cultura ocidental é que desenho que vale é aquele que retrata fielmente a realidade, onde tudo está no lugar – perspectiva, proporção, anatomia, composição…

Isso é desenho, claro, mas não é um modelo a ser seguido.

Se você só sabe fazer aquele bonequinho de palito, ou a tradicional casinha com chaminé, a árvore ou um barquinho…parabéns, você é um desenhista.

Você está representando a realidade; o seu desenho não é realista e apresenta traços estilizados, mas…dá para reconhecer neles a representação de uma pessoa, de um objeto, de um ambiente, não dá?

Então, quem precisa de desenho certinho para se expressar?

O problema é que a criança, quando não é tolhida em casa pela família, é tolhida na escola, que privilegia mais a linguagem escrita do que a pictórica, quando na verdade as duas deveriam caminhar juntas, uma complementando a outra. Isso até acontece, mas só nos anos iniciais. Depois disso, o desenho é oficialmente descartado do conteúdo programático. Uma prova disso é que as aulas de Educação Artística nas escolas acontecem apenas uma vez por semana, em curtíssimos cinqüenta minutos – eu sou licenciado em artes plásticas, fui professor da rede pública e sofri muito com esse descaso “oficial”.

Dar desenhos prontos para colorir também não ajuda muito, porque a comparação é invevitável: aquele esquema prontinho para encher de cores dentro das linhas pretas inibe, pois o nível do desenho pronto, por mais simples que seja, está a quilômetros do nível inicial da criança.

Esse estigma de que “saber desenhar” é representar fielmente o mundo atinge também artistas famosos, que revolucionaram a maneira de ver {e fazer} arte e por isso o senso comum os classifica como pseudo-artistas.


Pintura “Ciência e Caridade”, de Pablo Picasso, 1897. Museu Picasso, Barcelona.

“Ciência e Caridade”, de Picasso. No início, um artista com estilo realista

É lugar comum escutar que o trabalho de Picasso é infantil. O problema é que o que ficou para a história da arte, pela revolução que causou, foi o Cubismo; mas Picasso começou como todo que quer ser pintor começa: aprendendo a retratar a realidade com precisão, para depois, se for o caso, simplificar, estilizar a sua arte.

The Dance of Youth, Pablo Picasso

“A Dança da Juventude”, desenho bunitim de Picasso

Como ele mesmo disse, levou a vida toda para aprender a desenhar como uma criança.

Paul Klee é outro artista que trabalha a expressividade no desenho, o balé das linhas. Se comparados com os desenhos realistas de Da Vinci, qualquer pessoa vai dizer que o de Klee é infantil.

“Carta Fantasma”, pintura de Paul Klee. The Museum of Modern Art

“Carta Fantasma”, pintura de Paul Klee.

Mas quem criou esses critérios?

Então, pare de aceitar que você não sabe desenhar. Se você sabe escrever, sabe desenhar.

E então, que tal tentar?

Como hoje, 15 de abril, é Dia do Desenhista, eu convido àqueles que dizem que “não sabem desenhar” a fazer um desenho, qualquer um, e mandar pra mim, com uma breve historinha sobre o mesmo. Eu vou publicar todos aqui no blog. Vale tudo: auto-retrato, paisagem, objetos, animal, “bonequinho de palito”…qualquer coisa.

Ah, e qualquer pessoa pode participar, tenha um blog ou não.

Como isso é uma espécie de meme gráfico, prá não fugir à regra da blogsfera, eu convido, especialmente, a Nospheratt, o Sampson e o Yeltsin para experimentarem também. E aí, amigos, vamos participar?

Os desenhos devem ser encaminhados ao e-mail macaxeirageral@gmail.com, até o final de abril.

Mãos - e canetas - à obra!

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Sobre o perigo de colocar filhos no mundo

“Pai e Filho, praia do Chile”. Foto de Rafael Maglioni.

 

Gosto muito daquele poema do Vinícius que começa assim: “Filhos…filhos?/ Melhor não te-los!/Mas se não os temos/Como sabe-lo?”

Na época em que eu e minha esposa ficamos grávidos, a insegurança era um dos sentimentos mais presentes.

Depois que a filhota nasceu, o pavor tomou conta de mim: “e agora? Como cuidar? Vou ter dinheiro suficiente? E se eu morrer agora, o que vai ser dela? Como segurar sem derrubar? Porque ela ta chorando tanto? Ai meu Deus, ta tão quietinha…será que ta respirando?

Enquanto isso, passado o temor inicial, a mãe seguia pelos dias sem tanto stress assim – mãe é mãe, é divino, não tem jeito…

Uma nova vida é um sinônimo de esperança, de coisas boas, de perpetuação da espécie humana no que ela teria de melhor.

Porém, nas últimas semanas, cheguei a comentar com Tita: se fosse hoje, eu ia pensar muito antes de ter um filho.

(more…)

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Quando este blog começou, cinco meses atrás, este autor não entendia quase nada de blogs.

Quer dizer, continuo não entendo algumas coisas, mas já aprendi um bocado – e continuo aprendendo*.

Mas a minha maior mancada – típica de iniciante – foi ter ficado às escuras com relação a uma questão crucial: tinha alguém lendo o que eu escrevia?

Só vim ter noção disso quando me inscrevi no Google Analytics.

Foi duro ver que durante quatro meses minha visitação foi ZERO.

Mas aí eu pensei: “tô no limbo, mas to feliz. Um dia a coisa acontece.” E continuei tocando.

Bom, nesse meio tempo, fiz uma promoção aqui no blog.

Precisa dizer que que ninguém participou?

Mas agora ela está de volta. E como fazer para participar, caros leitores do Macaxeira Geral?

Simples. Basta localizar o post onde consta a citada promoção, deixar lá um comentário {conforme os critérios descritos} e pronto! Você já estará concorrendo não a um, mas a dois livros!

Então, o que está esperando?

Boa leitura e boa caçada ao post premiado!

 

* Também quer aprender mais sobre blogs? Então, dê uma olhada nos links abaixo {eu recomendo}:

Blosque - blogando por dinheiro…com inteligência, da Nospheratt

pBlog - tudo sobre Wordpress, do Érico Oliveira

Brpoint - SEO e Blogs, por diversão e dinheiro, do Bruno Alves

UPDATE: Mas quais são os livros, afinal? {eu esqueci de mencionar isso}. Bem, um dos livros é o que eu já ia sortear mesmo e tá lá no post; o outro é surpresa, ok?

 

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Mais um capítulo do festival de absurdos que foi a prisão de uma adolescente numa cela masculina no município de Abaetetuba, no Pará, em novembro do ano passado:

A juíza Clarice Maria de Andrade foi inocentada por seus pares da acusação de negligência diante do caso – porque não estou surpreso?

A juíza soube da irregularidade e nada fez. A justificativa para a absolvição beira o ridículo:

Não podemos ceder à pressão da opinião pública e nem da imprensa”, disseram os desembargadores que votaram a favor da juíza.

Estamos perdidos.

Eu não entendo nada de Teoria do Direito. Nem de Filosofia do Direito (me desculpem se eu falar alguma bobagem).

Eu só entendo o que é certo e errado.

No juramento que uma pessoa faz ao concluir o curso de Direito, ela promete “exercer a advocacia com dignidade e independência, observar a ética, os deveres e prerrogativas profissionais e defender a Constituição, a ordem jurídica do Estado Democrático, os direitos humanos, a justiça social, a boa aplicação das leis, a rápida administração da justiça e o aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas.”

Essa juíza está cumprindo o seu juramento a contento?

E o pecado maior dela nem foi esse. O pecado dela foi mais grave do que descumprir o seu próprio juramento.

O maior pecado dela foi não se sensibilizar diante da situação de risco de uma mulher.

Ao saber da situação irregular e degradante em que se encontrava uma mulher, essa juíza tinha a obrigação de se indignar, de se sensibilizar, e ordenar imediatamente a transferência da detenta para acomodações adequadas – o Estado que se virasse para cumprir a decisão.

Mas ela não fez isso. Seu primeiro argumento foi de que não sabia se tratar de uma adolescente.

Quer dizer, se fosse uma mulher de 40 anos presa com mais de vinte homens numa cela, estaria tudo bem?

Talvez tenha passado pela cabeça dessa juíza: “Ah, é uma criminosa mesmo, deixa ela lá.” Talvez sua indignação só viesse à tona se a detenta fosse alguém de classe média. Talvez, assim, ela tivesse tomado medidas urgentes.

A jovem, além de ter cometido um delito, ainda cometeu um mais grave ainda: o de ser pobre.

De que adianta uma pessoa ficar quatro anos estudando Direito numa faculdade (se foi pública, paga pelo povo), ser aprovada num concurso público para defender a justiça, ganhar um bom salário (também pago pelo povo), se ela não tem capacidade de julgar o que é CERTO e ERRADO? De decidir entre a LEI e a JUSTIÇA? De não saber o que é DIREITO?

De que adianta emoldurar o diploma e pendurar na parede?

A Presidente do Tribunal de Justiça do Pará, Albanira Bemerguy, que era a favor de punir a juíza, afirmou que “O TJPA não deveria transferir a responsabilidade do que aconteceu com a menina às falhas do Estado. Isso poderia ter acontecido com qualquer pessoa, inclusive da nossa família“.

Com todo respeito à Presidente (até pela coragem de seu posicionamento): isso poderia acontecer com qualquer pessoa, mas da família de vossas excelências, eu duvido.

Meu esperançômetro caiu a níveis baixíssimos hoje.

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