Jovem militar pernambucano que estava preso por insubordinação foge da cadeia, segue para a Venezuela, se alista no exército e ajuda na luta pela libertade e democracia, tornando-se um herói num país que não é o seu.
Um dos empreendimentos mais esperados pelos pernambucanos é a construção de uma refinaria no Complexo Industrial Portuário de Suape, localizado no município de Ipojuca, a 57 quilômetros do Recife, e que tem como grande atrativo a geração de milhares de empregos.
No entanto, esse importante empreendimento não estaria sendo construído em Pernambuco se não fosse por causa dos feitos de um homem que nasceu em Recife e veio a tornar-se um grande herói na distante Venezuela.
E a história de sua vida é digna de um filme hollywoodiano…
O INÍCIO
José Inácio de Abreu e Lima nasceu em Recife, no dia 06 de abril de 1794. Filho do famoso Padre Roma, um dos líderes da Revolução Pernambucana de 1817, ainda jovem seguiu para o Rio de Janeiro para cursar a escola militar, retornando em 1816 ostentando o posto de Capitão de Artilharia.
Alguns meses depois, Abreu e Lima se encontrava prisioneiro em Salvador, por insubordinação. Nesse meio tempo, a Revolução Pernambucana já tinha se estabelecido e o Padre Roma foi enviado à capital baiana para arranjar reforços para a causa. Caiu prisioneiro, junto com seu filho mais novo, Luis.
Julgado em apenas 24 horas pelo Conde dos Arcos, o pai de Abreu e Lima foi condenado a morte por arcabuzamento; a execução aconteceu diante de José Inácio e Luís.
Auxiliados pela Maçonaria, José Inácio e Luís fugiram para a Filadélfia, nos Estados Unidos, país cuja independência estava influenciando movimento similares mundo afora.
Ao tomar conhecimento de que uma revolução tomava corpo na Venezuela, capitaneada por Simón Bolívar, José Inácio decidiu escrever ao general venezuelano e ofereceu sua experiência militar em nome da causa da liberdade
DANDO O SANGUE PELA LIBERDADE DA AMÉRICA LATINA.
Em janeiro de 1819, Abreu e Lima chega à Venezuela e conhece pessoalmente o General Simon Bolívar, conhecido como El Libertador. A partir daí, se engaja na luta pelo fim do domínio espanhol no país. Os dois tornam-se grandes amigos.
Abreu e Lima participou de batalhas importantes ao lado de Bolívar, como a de Boyacá e de Carabobo, esta uma das mais fascinantes, digna de figurar ao lado da batalha das Termópilas {é, aquela mesma que foi contada no filme 300}: mesmo com um número de soldados bastante inferior aos do exército inimigo, o General Paez coordenou aquela que talvez seja uma das estratégias de guerra mais mirabolantes {e malucas} da História.
Cento e cinquenta lanceiros camponeses, comandados por Paez, enfrentam milhares de espanhóis, que estavam sob o comando de Pablo Morillo. De repente, os lanceiros fogem. Quando os espanhóis imaginavam que a batalha estava ganha, eis que de repente o General Paez grita para todos voltarem. Resultado: os espanhóis são pegos desprevenidos pelas lanças e após algum tempo, batem em retirada.
Nesta batalha, Abreu e Lima foi ferido no peito.
Em 1823, Abreu e Lima comanda as tropas em Puerto Cabello, último reduto espanhol do Caribe e em 1824, é promovido a coronel.
O sonho de Bolívar era criar os Estados Unidos da América do Sul. O máximo que ele conseguiu foi a Grã-Colômbia, país que reunia Venezuela, Panamá, Colômbia e Equador.
Não tardou para que interesses pessoais começassem a estremecer as bases da Grã Colômbia. No processo, aconteceu uma guerra civil e logo depois Colômbia, Panamá e Venezuela abandonaram a Grã Colômbia.
Nesse meio tempo, Abreu e Lima sofreu vários reveses, quando tentaram por várias vezes queimar o seu filme diante de Bolívar. Um dos episódios mais marcantes foi o boato de que ele estava interessado na sobrinha do General, Benigna. Se ele realmente teve um caso com a mocinha, não há provas.Por conta desses ataques, Abreu e Lima se descontrolou e feriu com seu sabre o rosto do jornalista que publicava as notas.
Por conta desse ato, Abreu e Lima ficou detido por seis meses.
Quando Bolívar (que estava com tuberculose) faleceu, em 1830, a presença do brasileiro na Venezuela ficou insustentável. Além disso, um decreto expulsou todos os oficiais estrangeiros do país..
DE VOLTA AO BRASIL, UMA NOVA CAUSA.
Antes de voltar ao Brasil, Abreu e Lima passou pela Europa e conheceu D. Pedro IV, rei de Portugal – o nosso bom e velho D. Pedro I. Quando voltou ao Brasil, instalou-se no Rio de Janeiro, filiou-se ao Partido Caramuru e se engajou na campanha para a volta do imperador ao Brasil.
Ninguém entendeu nada. Defensor da república (pela qual derramou, literalmente, seu sangue), passou a defender uma monarquia. Com a emancipação de Pedro II, os planos dos partidários de D. Pedro I caíram por terra.
Em 1840 retornou ao Recife e aí envolveu-se em outra luta: apoiou a Revolta Praieira, que defendia uma monarquia parlamentarista. Mesmo não tendo participado ativamente, seus artigos apoiando a causa o levaram à prisão, onde foi condenado à prisão perpétua, a ser cumprida no arquipélago de Fernando de Noronha.
Num novo julgamento, Abreu e Lima foi defendido pelo advogado José Tomás Nabuco de Araújo (pai do abolicionista Joaquim Nabuco) e terminou sendo inocentado das acusações.
Mas outra polêmica estava por vir.
DEPOIS DE MORTO, EXILADO EM SEU PRÓPRIO PAÍS.
Em 1867, Abreu e Lima se envolveu numa polêmica que iria repercutir diretamente no momento de sua morte.
O monsenhor Pinto de Campos tinha proibido os protestantes de divulgaram e venderem suas bíblias. Abreu e Lima, indignado com a falta de liberdade religiosa, publicou dois textos sobre o assunto: “As Bíblias Falsificadas” e “O Deus dos Judeus e o Deus dos Cristãos” e terminou travando uma ferrenha batalha de idéias com o religioso.
Em 1869, (dois anos depois do polêmico embate) pouco antes de falecer, Abreu e Lima recebeu a visita de um padre, enviado do monsenhor, que lhe pediu uma retratação, para que assim pudesse receber a extrema-unção e o perdão da igreja católica.
Claro que ele recusou. E aí, quando ele faleceu e a família preparava o velório para o Cemitério Público de Santo Amaro, o bispo D. Francisco Cardoso Ayres proibiu que Abreu e Lima fosse enterrado em solo brasileiro, como punição pelas ofensas dirigidas à santa igreja.
A decisão do bispo causou comoção na cidade, houve protestos públicos, mas a igreja não voltou atrás. Por conta disso, Abreu e Lima foi sepultado no Cemitério dos Ingleses, que era exclusivo para uso dos britânicos e seus descendentes que moravam no Recife.
Em seu túmulo, consta a seguinte inscrição:
“Aqui jaz o cidadão brasileiro General José Ignácio de Abreu e Lima propugnador esforçado da liberdade de consciência. Faleceu em 9 de Março de 1869. Foi-lhe negada sepultura no Cemitério Público pelo Bispo D. Francisco Cardoso Ayres. Lembrança de seus parentes.”
Abreu e Lima foi um homem que teve seus momentos de contradição, fraquezas e conheceu algumas derrotas. Mas o que ficou, o que marca a sua vida, foi a sua incessante luta pela liberdade.
Como é um herói na Venezuela e em parte da América Latina, Hugo Chávez, ao aceitar fazer a parceria da estatal venezuelana PDVSA com a Petrobrás para a construção da refinaria, só fez uma exigência: que ela se chamasse Refinaria General Abreu e Lima.
Este personagem fascinante, entretanto, ainda é um desconhecido em sua terra natal. Com a refinaria, espera-se que esta história mude e que sua trajetória de vida seja divulgada não só entre os pernambucanos, mas em todo o país.
Notas:
1) Abreu e Lima também se destacou como escritor, tendo publicado livros sobre literatura, história do Brasil e política. Suas obras de destaque foram: “Bosquejo Histórico, Político e Literário do Brasil”, “Compêndio de História do Brasil”, “O Deus dos Judeus e o Deus dos Cristãos”, “As Bíblias Falsificadas”, “História Universal – desde os tempos mais remotos até os nossos dias, relatando os acontecimentos mais notáveis em todas as épocas e os feitos mais célebres de todos os povos” (em dois volumes) e “O Socialismo”.
2) O primeiro livro publicado nas Américas sobre socialismo foi de Abreu e Lima. “O Socialismo”, no entanto, está mais para o socialismo utópico do que para o socialismo científico dos marxistas. Quem já leu garante que as idéias apresentadas sobre igualdade e liberdade continuam atualíssimas.
3) Enquanto esteve preso em Fernando de Noronha, Abreu e Lima escreveu um artigo para a Revista do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco sobre a ilha, sendo um dos precursores do movimento do meio ambiente, segundo Manuel Correia de Andrade {Historiador e Geógrafo pernambucano, autor do clássico “A Terra e o Homem do Nordeste” e falecido em 22/06/2006}.
Fontes: Diário de Pernambuco-edição especial Abreu e Lima {16/12/2005}; pesquisas em sites diversos, como o Simón Bolívar, el hombre{biografia de Abreu e Lima}.
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Pernambucano vira herói na Venezuela….
Jovem militar pernambucano que estava preso por insubordinação foge da cadeia, segue para a Venezuela, se alista no exército e ajuda na luta pela liberdade e democracia, tornando-se um herói num país que não é o seu….
esa é uma das historias mas belas que um verdadeiro pernambucano deve conhecer, por ser abreulimence sou um historiador aciduo e muito curioso…
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Robson, em breve Abreu e Lima vai ganhar uma biografia em quadrinhos. Fique atento.
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Eu acho isso muiito chhhatoo ;D
eii vai toma .. café
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só se for com leite…
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mto massa malucooOoo
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[...] meses depois de produzir a revista Sangue Latino, que conta a história do General Abreu e Lima, ainda não vi a cor do dinheiro da Prefeitura de Ipojuca. Calote é isso aí! Um dos municípios [...]
[...] desafio agora era distribuir as informações em cinquenta páginas. A vida de Abreu e Lima daria um bom filme, pois tem elementos universais como honra, lealdade, sacrifício, traição, [...]
eu amei esta história
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olá esta história é muito interesate eu estou estudando um puco sobre a Abreu e Lima e acho muito interesante? vcs vão ganhar um oscar se vcs botar um pouco da história de Abreu e Lima ?bjs me agradeçam depois?beijos e muitos sucessos?ciane rodrigues
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Como protagonista dos anos de chumbo, e provecto nessa área e também pernambucano dos agrestes, veredas, caatingas e sertões do nosso nordeste das misérias, e das explorações do homem sobre o homem, isso digo, dos coronéis dominantes digo: “Os militares devem empunhar suas espadas para defender as garantias sociais!”. “Maldito seja o soldado que aponte as armas contra seu povo!”.
Abreu de Lima
Sem comentários … So isso basta para entender o grande homem que foi Abreu de Lima!
Forte abraço para todos desses comentários.
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Bruno Alves Reply:
June 8th, 2009 at 19:23
Fala, Espedito. Realmente, é lastimável que os pernambucanos não conheçam a história de Abreu e Lima – e mais lamentável ainda que o governo não faça a sua parte na divulgação da sua trajetória.
Obrigado pelo comentário.
Grande abraço.
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