Um blog de raiz
19 Jan 2008

Alessandro Martins, do blog Livros e Afins, publicou um post indicando uma cartilha publicada pelo Centro de Direitos Humanos de Sapopemba {SP} que traz orientações de como se comportar em uma batida policial.
Esse assunto me lembrou uma batida policial que aconteceu num ônibus, uns vinte anos atrás, e que ficou marcada em minha memória – e me ensinou, praticamente, como eu deveria me comportar em uma blitz.
Eu estava voltando da faculdade. O ônibus estava lotado, já era quase meia-noite. A maioria dos passageiros eram estudantes. Alguns dormiam pesadamente em suas poltronas, alheios ao barulho das pessoas conversando e aos solavancos do veículo.
De repente, o ônibus reduz a velocidade e pára. Estávamos no sistema viário conhecido como Complexo de Salgadinho, conjunto de avenidas e viadutos de alta velocidade que liga a cidade do Recife à de Olinda – e naquela época, um local ermo, sem iluminação pública, e em determinados trechos, sem residências ou prédios comerciais.
Os policiais entraram no coletivo e, bruscamente {o “boa noite, desculpem interromper a viagem” e “por favor, identidade na mão” só vieram a fazer parte da abordagem a partir dos anos 90}, começaram a pedir que as pessoas mostrassem documentos de identidade, abrissem bolsas e ficassem em posição para serem revistadas.
Foi então que aconteceu.
Um rapaz que dormia profundamente, com cadernos e livros no colo, foi acordado pelo policial com cutucões no braço; aparentava estar muito cansado, pois só acordou a muito custo. Quando percebeu que era uma blitz, levantou, mostrou documentos, cumpriu tudo o que o policial pediu.
Como que revoltado pelo tempo perdido com o sonolento, começou a fazer perguntas com a identidade do rapaz na mão: “nome do pai, nome da mãe, ano de nascimento, mora aonde”…
O rapaz respondeu a tudo, o policial devolveu os documentos e já ia saindo, quando o rapaz sentou pesadamente na poltrona, soltou um suspiro profundo e voltou a fechar os olhos.
O policial voltou e perguntou: “o que foi, achou ruim porque eu acordei você?”
Entrou um oficial e perguntou o que estava acontecendo. O policial: “ele achou ruim porque tava dormindo e eu acordei pra revistar”
O coitado do rapaz foi convidado a se levantar novamente. Tentou se defender. Outros passageiros começaram a dizer que ele não tinha reclamado nada.
O oficial não quis saber. Pegando ele pelo braço, ordenou rispídamente: “Desce”
E pronto. Tiraram o rapaz do ônibus. E mandaram o ônibus seguir.
Ficamos olhando pela janela o oficial gritando com o rapaz.
O ônibus foi embora. Só no dia seguinte, quando voltava para casa, no mesmo horário, foi que fiquei sabendo, através de outras pessoas, que não fizeram nada demais com ele. Só o seguraram por alguns minutos e mandaram ele ir embora a pé – o coitado deve ter chegado em casa no meio da madrugada.
Por isso, a importância de se conhecer os seus direitos e deveres, para evitar que abusos como esse aconteçam.
3 comentários para "Uma história - triste - de abordagem policial"
Ainda bem que essa história agora está mudando. As pessoas já conhecem melhor os seus direitos. Eu mesmo já testemunhei em um caso de abuso policial.
quero saber em q vc deve fazer em ver um policial batendo em uma pessoa e a mae e a mulher com uma criança pede para eles naum beter no rapaz eles chigam as mulheres de modo q eu naum concordei falaram para as mulheres eu tou batendo nele suas porras .em eu ver pedir esses policiais q naum presisava chingar as mulheres e se o rapaz devesse levasse a delegacia naum ficar batendo nele na rua eles se voltarao para mim falando alto vc eh advogado eu falei nao so acho q vcs estao com abuso de autoridades ai ele falou eu te conhesso sei quem vc eh esse carro eh seu vc ta fudido na minha mao isso no domingo quando foi domingo fui abordado pelo os mesmo policiais q falou e ai blz eu falei sim ai viraram meu carro de cabeça para o alto e encontraro algumas iregularidades porq eles queria algo q me prejudicasse e aprenderao meu documento do meu carro na delegacia mandaram q eu providenciasse o motivo no carro q pegava os documento no carro fiz isso na mesma hora o comadante disse q so no outro dia sedo fui no outro dia sedo chegando la o mesmo comandante disse q tava na cidetran meu documento fui la chegando la naum estava voltei o mesmo comandante disse olha essa viatura tah levando seu documento para o cidetram aconpanhe e vc pega la chegando la no cidetran tinha uma ordem de pegar o documento so quando quitar os debitos q vencia em setembro isso nois tava em abril ai revoltado peguei o carro vendir para um rapaz q era assessor de um vereador ele oi la e pegou o documento e comprou meu carro e ai fiquei nessa ainda por sima ele me prossessor por desacato autoridade e feis um b.o fui la levei testemunha do caso e tou aguardando o caso e fico com medo disso td q ele disse q ia me ferrar e mais fui ate a coregedoria fiz inha queixa la mais naum deu em nada
se o cara que foi preso tivese acabado de te roubar, ou violentado alguem de sua familia não acredito que vc iria la dizer coitadinho do ladrão, e é dificil acreditar que vc foi tão bonzinho e educado e os policiais estão te persiguindo porque gostam de persiguir pessoas e ficam felizes em fazer isso. Eu não sei se vivo no mesmo mundo que vc mas moro em Sao Paulo e fui roubado hà uns 2 meses e fui bem atendido, ninguem ficou passando a mão na minha cabeça, porém foram lá e fizeram o serviço deles, não tenho o que reclamar porque se um mané for no meu serviço e atrapalhar o que estou fazendo pra me encher o saco acho que cubro na porrada também … ou por tras da farda nao tem um ser humano?
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