Macaxeira Geral

Um blog de raiz

Arquivo de January de 2008

O futuro chegou, mas ainda tem fome.

 Desamparados, 1974 - escultura de Abelardo da Hora

 Uma das visões otimistas de como seria o século 21 apontava o fim das adversidades que atormentam a humanidade: as guerras, as doenças e o espectro da fome. A tecnologia daria um fim a tudo isso e o homem se dedicaria a outras “preocupações”, como a de explorar o espaço.

Bem, chegamos ao futuro. Ainda há guerras. Ainda há doenças. E ainda há a fome.

Tema freqüente debatido por todas as nações do planeta, a fome talvez seja uma das maiores vergonhas da humanidade.

Um brasileiro dedicou toda a sua vida a denunciar a fome no mundo.E uma boa introdução ao seu pensamento é o livro que estou lendo atualmente.

 Capa do livro “Fome: um tema proibido”, de Josué de Castro

Fome – um tema proibido é uma coletânea com os últimos escritos do médico Josué de Castro, organizados por Anna Maria de Castro, sua filha.

Apesar dos textos do livro terem sido publicados entre 1964 e 1973, os mesmos continuam atuais, o que evidencia a urgência do tema e confirmam que, desde a publicação de sua obra-prima, Geografia da Fome, em 1946, pouca coisa concreta foi feita pelos governos mundiais para resolver este problema.

 
A fome como fenômeno universal

 
O livro começa com “A descoberta da fome”, o prefácio que Josué de Castro fez para o seu único romance, “Homens e Caranguejos”. Publicado em 1965, o livro é um relato quase autobiográfico de como a fome se revelou para ele – e onde ele descreve o famoso ciclo do caranguejo, que serviu de base para Chico Science, Fred 04 e Renato L elaborarem o conceito do Movimento Mangue.

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Hoje se comemora o Dia do Quadrinho Nacional.

Hoje se comemora o Dia do Quadrinho Nacional. Mas, por que foi esta data foi escolhida?

Porque foi no dia 30 de Janeiro de 1869 que o italiano radicado no Brasil, Ângelo Agostini, publicou o primeiro capítulo de As Aventuras de Nhô-Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte, no jornal O Cabrião. Foi a primeira história em quadrinhos, em seqüência e com um personagem fixo, no Brasil. Nhô-Quim é importante para a arte dos quadrinhos mundiais por apresentar inovações que serviram como um balão de ensaio para a obra-prima que veio em seguida: As Aventuras de Zé Caipora ( de 1883).

Página de Zé Caipora, por Angelo Agostini

Angelo Agostini nasceu no ano de 1843 em Vercelli, no Piemonte (Itália) e passou a infância e a adolescência em Paris. Veio ao Brasil (São Paulo) quando tinha 16 anos acompanhado da mãe, que era cantora lírica e estava em turnê. Suas atividades artísticas se iniciaram em 1864, quando começou a desenhar para a revista O Diabo Coxo. Em 1867, muda-se para o Rio de Janeiro, onde foi o fundador e/ou diretor dos mais importantes jornais e revistas ilustradas no período de 1864 a 1903: O Cabrião, A Vida Fluminense, O Mosquito, Revista Ilustrada e Don Quixote. Agostini conseguiu a cidadania brasileira em 1888.

Excelente desenhista, caricaturista e crítico mordaz, foi um dos maiores defensores da Abolição e das causas democráticas e republicanas. Só por causa dessas atividades Agostini já entraria para a História da arte brasileira, mas a publicação do primeiro capítulo das aventuras deNhô-Quim o faz entrar para a História mundial dos quadrinhos.

Revolucionária no uso de elementos narrativos da linguagem dos quadrinhos que só viriam a ser “descobertos” no século seguinte e por adotar um estilo realista de desenho indo de encontro à estética cartunesca vigente no período, a saga de Zé Caipora começa com uma deliciosa comédia de erros e depois se transforma numa grande aventura, emocionante e realista onde o personagem aos poucos se revela um herói épico; Agostini experimenta ousadas diagramações de página, enquadramentos cinematográficos, grandes cenas panorâmicas, coloca os personagens em situação dramática e cria a primeira heroína universal dos quadrinhos: a índia Inaiá. Toda essa revolução pode ser apreciada no álbum As Aventuras de Nhô-Quim & Zé Caipora: os primeiros quadrinhos brasileiros, um belíssimo trabalho organizado pelo professor Athos Eichler Cardoso e publicado pelo Senado Federal, de onde retiramos as imagens que estão aqui.

Zé Caipora

Agostini também foi o inventor da “revista em quadrinhos”: devido ao grande sucesso de Zé Caipora, ele compilou os capítulos semanais do personagemem fascículos mensais, que também foram sucesso de vendas. Seu personagem ainda inspirou cançonetas e virou filme! Além disso, o artista ainda foi um dos fundadores da mais importante revista infantil brasileira: O Tico-Tico.

Angelo Agostini esteve à frente de sua época, criou um estilo, influenciou e tornou a caricatura, a sátira política e os quadrinhos parte de nossa nascente imprensa. Por esses feitos, o dia 30 de janeiro ficou instituído como o Dia do Quadrinho Nacional.

Mas, temos o que comemorar neste dia? Descubra isso no blog da ACAPE.

Fonte: Athos Eichler Cardoso

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Yo tengo la fuerza!!!!!

 

Hoje, cerca de 8,4 milhões de eleitores irão às urnas em Cuba para escolherem deputados e delegados de províncias, “numa expressão do estado de direito assegurado pela Revolução Socialista”, segundo o jornal Granma.

 

O voto não é obrigatório e o processo eleitoral conta com mais de 38.000 colégios que foram organizados voluntariamente por cerca de 190.000 pessoas, ainda segundo o jornal.

 

“Pode-se afirmar, sem equívocos, este compromisso com a pátria voltará a inspirar milhões de cubanos neste domingo de sufrágios e reafirmação revolucionária.”  Fim da matéria, assinada pela jornalista Maria Julia Mayoral.

 

Podem me chamar de burro, mas eu não sabia que tinha eleição em Cuba. E ainda mais democráticas. Vejam só, até Fidel Castro está inscrito para ser votado.

 

Segundo o site do Ministério das Relações Exteriores de Cuba,“o convalescente Fidel Castro e seu irmão Raúl, que assumiu o poder há algum tempo figuram entre os candidatos às eleições da Assembléia Nacional de Cuba”.

Na página específica sobre o sistema político cubano, você pode encontrar várias informações sobre como funcionam as eleições democráticas na ilha.

 

Gostei do que a Embaixadora de Cuba em Budapeste falou sobre as eleições:

           

“Las elecciones son libres y democráticas en Cuba, porque los candidatos son propuestos por el pueblo, y está garantizado el derecho al voto libre y secreto de los ciudadanos. No habrá fraude electoral en Cuba{grifo nosso}

 

Ta vendo só? Não entendo porque fica todo mundo implicando com Fidel Castro, dizendo que ele é ditador, que os cubanos não têm liberdade na ilha e etc. e tal.

 

Nessa história toda, só senti falta do nome dos partidos concorrentes e de uma explicação sobre o que acontece se Fidel e Raúl não alcançarem a quantidade de votos mínimos para serem reeleitos.

 

Também não consegui descobrir o site de um outro jornal além do Granma, para poder conhecer uma segunda opinião.

 

Alguém aí sabe?

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Ainda há esperança para a espécie humana?

O Wagner Fontoura, do blog Boombust escreveu um artigo no Nossa Via que ilustra bem o clima que nós, moradores de grandes centros urbanos, estamos vivenciando.

O relato dele é assustador.

Fatos violentos como esse, somados a outros aparentemente comuns que às vezes passam despercebidos justamente por terem se tornado “comuns demais” – como o não respeito às filas nos terminais de ônibus, não ceder o lugar para uma pessoa idosa ou uma mulher grávida nos coletivos, jogar lixo no chão tendo um cesto a poucos metros, transformar o espaço público em privado, descumprir regras de convivência garantidas por lei como nível de volume de aparelho de som após às 22 horas e outros absurdos que vejo acontecerem regularmente no dia-a-dia - só fazem contribuir com mais subsídios para reforçar, à contragosto, a minha tese de que talvez a espécie humana não tenha mais jeito.

É duro ter que admitir isso.

Mas para cada ato de bondade, respeito ao próximo, solidariedade, vidas resgatadas do crime e do vício, acontecem tantos atos bárbaros e vis que me pego se repetindo: onde vamos parar? Quando isso vai parar?

Cada um fazer a sua parte é importante, mas se uma maioria não faz essa parte, como a balança pode se equilibrar?

Estou precisando urgentemente do meu otimismo de volta.

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cartum

 

**“O humor é necessário para a vida humana.” (S. Tomás de Aquino)

 P.S.: ontem foi o Dia Internacional do Riso!!!!!

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Uma história - triste - de abordagem policial

Cartilha publicada pelo CDH de Sapopemba-SP

Alessandro Martins, do blog Livros e Afins, publicou um post indicando uma cartilha publicada pelo Centro de Direitos Humanos de Sapopemba {SP} que traz orientações de como se comportar em uma batida policial.

Acho importante iniciativas como essa {tanto do CDH em publicar a cartilha como a do Alessandro em divulgar}, porque nós, brasileiros, ainda precisamos aprender a exercitar os nossos direitos de cidadão.

Esse assunto me lembrou uma batida policial que aconteceu num ônibus, uns vinte anos atrás, e que ficou marcada em minha memória – e me ensinou, praticamente, como eu deveria me comportar em uma blitz.

Eu estava voltando da faculdade. O ônibus estava lotado, já era quase meia-noite. A maioria dos passageiros eram estudantes. Alguns dormiam pesadamente em suas poltronas, alheios ao barulho das pessoas conversando e aos solavancos do veículo.

De repente, o ônibus reduz a velocidade e pára. Estávamos no sistema viário conhecido como Complexo de Salgadinho, conjunto de avenidas e viadutos de alta velocidade que liga a cidade do Recife à de Olinda – e naquela época, um local ermo, sem iluminação pública, e em determinados trechos, sem residências ou prédios comerciais.

Os policiais entraram no coletivo e, bruscamente {o “boa noite, desculpem interromper a viagem” e “por favor, identidade na mão” só vieram a fazer parte da abordagem a partir dos anos 90}, começaram a pedir que as pessoas mostrassem documentos de identidade, abrissem bolsas e ficassem em posição para serem revistadas.

Foi então que aconteceu.

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Na estréia da coluna Sobe o Som!!!, a redescoberta de um grande (e incompreendido) disco do BRock.

A Mão de Mao - 1987

Corria o ano de 1987. O chamado BRockjá tinha mostrado ao que veio. As bandas paraquedistas já tinha ido dessa prá melhor. A cena era tomada pelos grandes.
Bandas amadurecidas, grandes discos lançados.

Lobão vinha com “Vida Bandida“, seu melhor disco até então. O Ultraje cantava que não vivia sem “Sexo“; o Barão Vermelho lambia as feridas da saída de Cazuza com “Rock’n'Geral“. Herbert, Bi e Barone repassavam a carreira em “D“, showzaço gravado ao vivo; os Titãs continuavam a trilha do “Cabeça…” com “Jesus não tem dentes no país dos banguelas“. A Legião atacava com “Que País é Este?“, resgatando os hits do tempo do Aborto Elétrico. E o Biquíni Cavadão teve a difícil missão de gravar o segundo disco depois do excelente e irretocável “Cidades em Torrentes” - “A Era da Incerteza” não era tão ruim {qualquer dia falo dele aqui}.

Eis que o Metrô, que tinha estourado dois anos antes com “Olhar“, volta sem a vocalista Virginie e lança um novo disco. A estranheza começava pelo enigmático título: A Mão de Mao. Nos vocais, o desconhecido Pedro Parq, que vinha do grupo underground português Mler Ife Dada.

O Metrô nos tempos de A Mão de Mao

Na época, comprei o disco motivado pela crítica positiva da revista Roll, mesmo sem ter escutado nenhuma música.

E fiquei de queixo caído.

O que o Metrô estava propondo era uma guinada radical na mina de ouro que foi o primeiro disco, “Olhar“, que era quase perfeito com suas saborosas canções pop. O novo disco soava como um tiro no pé, mas acho que eles não estavam nem aí.

O disco tem cinco grandes canções, uma promessa que poderia ter sido mais lapidada, uma doce experimentação, uma música de trabalho ruim e uma idiotice cantada em inglês. Saldo positivo.

o disco estava à frente do seu tempo. Não havia nada no rock brasileiro naquele momento que pudesse ser comparado ao som que a banda gravou. Nenhuma música tocou no rádio. Nenhum canal de tv os chamou para fazer playback no domingo à tarde. A crítica adorou. O público não comprou. Quando vieram fazer um show aqui em Recife, a chamada na tv tinha como música de fundo “Beat Acelerado” - que eles não tocaram, segundo um amigo que foi {e falou muito mal depois}.

Vamos ao disco, faixa à faixa:

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Asus Eee PC

Como um autêntico geek descapitalizado, tenho pesquisado muito para poder encontrar um notebook que caiba no meu orçamento. As máquinas do sonho estão longe do meu alcance – por isso que são sonho. Outras, apesar do preço competitivo, ainda não atendem aos meus anseios.

Na verdade, queria outro computador, pois dividir o único da casa com as crianças está complicado. Mas ao invés de outro desktop, tenho pensado num notebook, pelo fato da mobilidade permitir que eu o use em qualquer lugar da casa – levar ele para a rua está fora de cogitação: não tenho carro, não vou querer arriscar uma coisa cara dessas num busão.

Quando ouvi as primeiras notícias sobre o Eee PC, mini notebook da Asus, fiquei animado. Bonitinho, leve e barato. Todo mundo na blogosfera começou a ficar animado, li posts ansiosos, etc. e tal.

Mas depois veio a questão do preço: por 1.099,00 reais (preço sugerido) o bichinho ficou caro; melhor juntar um pouco de grana e comprar um notebook mais completo. Mas talvez, por um preço menor, o mini da Asus pudesse ser aquele que eu levaria para a rua, pelo tamanho diminuto e por não chamar a atenção.

Recentemente, Eric Lai, da ComputerWorld, passou um mês usando o Eee e apontou 3 pontos positivos e 6 negativos do bichinho. Resumindo a opinião do cara:

Positivos:

- o Eee PC pode se transformar num modesto desktop;

- você não sente falta do Windows XP nem do Office;

- o teclado é pequeno mas tem seus atrativos.

Negativos:

- o teclado é muito pequeno;

- o tempo de vida da bateria é medíocre;

- a tela é muito pequena;

- a webcam e o microfone são fracos;

- não foi possível configurar a impressora

E, pouco tempo atrás, o site Guanabara Info fez um review em vídeo do brinquedinho.

Pois bem: sábado passado (dia 12/01), fui comprar minha impressora laser numa loja de informática da zona sul e me deparei com um Asus preto, de 4GB. O bichim é bunitim mesmo. Testei o danado e confesso que gostei (até discordo de algumas coisas que o Eric disse: o teclado tem um tamanho bom, dá prá digitar sem problema; o tamanho da tela também não é tão ruim - gostei da nitidez; a webcam não chega a ser tão sofrível assim).

A vendedora me falou que ele foi testado em várias impressoras e funcionou em todas.O que testei estava rodando um XP sem problemas ou engasgues.

o bichim é realmente apaixonante.

Só fiquei triste com o preço: R$ 1.699,00!!!!!

Quando eu falei que estava muito caro, que o preço sugerido era de R$ 1.100,00 e que, quando ele começar a ser fabricado por aqui vai custar em média uns R$ 800,00, ela nem argumentou, tentou mudar de assunto - foi aí que eu percebi que tinha um tiozinho do lado, com outra vendedora, fazendo mil perguntas, virando o mini de cabeça prá baixo…e práticamente fechando negócio.

Resumo da ópera: quando (e se) ele baixar para menos de mil reais, vai se tornar uma excelente alternativa como segundo notebook.

Mas do jeito que vai, prefiro continuar minhas pesquisas atrás da máquina dos sonhos.

 

 

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Depois do recesso de final de ano, o início de janeiro parecia promissor com relação à mais tempo livre para manter o blog em dia.

Quem me dera…

Apesar das férias das faculdades, meu trabalho principal me sobrecarregou de uma maneira nunca antes vista - vejam só, hoje já é 8 de janeiro, eu estou em férias oficiais e AINDA estou aqui trabalhando.

Mas, parafraseando o lema dos carteiros, nem a chuva, nem o sol, nem uma tempestade cósmica e nem o acúmulo de trabalho me impedirá de cumprir minha missão: a de postar neste blog com alguma regularidade até minhas férias começarem de verdade.

Então, bem-vindos de volta ao Macaxeira. Um Feliz 2008 e vamo em frente!

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