Um blog de raiz
15 Dec 2007

Quem não gosta de gatos tem na ponta da língua uma relação sem fim com os defeitos dos bichanos – gato é aproveitador, gato não é fiel, gato gosta mais da casa do que do dono, gato tem parte com o tinhoso e por aí vai.
E quando comparados aos cachorros, os coitados perdem feio.
Embora hoje eu tenha um cachorro {na verdade, o cachorro é dono da família toda}, sempre gostei mais de gatos. Tive vários, que sempre renderam muitos momentos felizes na minha vida.
Félix foi o melhor deles.
Ele era tão especial que chegou a ser classificado pela família como um gato com espírito de cachorro, tamanha a semelhança de suas atitudes com as da raça canina {não sei se isso pode ser considerado um elogio para um gato…}
Felix era nosso despertador. Às seis da manhã, subia na cama dos meus pais e os acordava com miados. O velho levantava, se arrumava, tomava café e ia trabalhar. Tudo isso acompanhado pelo bichano {menos a parte do banho…}.
Sério.
Quando meu pai saía para o ponto de ônibus, Félix o acompanhava até lá. E só voltava quando meu pai tomava o ônibus. Alguns vizinhos achavam assustador, outros achavam fofo. Na escola, ninguém acreditava quando eu contava.
Quando qualquer pessoa de casa chegava da rua, ele fazia aquela festa, miando e se esfregando em nossas pernas - nenhum outro gato que eu tive fazia isso.
Quando não estava estudando ou vendo tv, eu passava a tarde brincando com Félix: ele adorava correr atrás dos meus carrinhos de fricção; ficava maluco tentando pegar um cordãozinho que eu ficava puxando pela casa; e travávamos verdadeiras batalhas: eu com minha almofada ou travesseiro e ele com suas garras afiadas.
Às vezes, tirando um cochilo no final de semana, acordava com aquele peso no abdômen – era o gato, todo enroscado em cima de mim.
Ele parecia entender o que a gente dizia.
Até o dia em que a estupidez humana falou mais alto.
Félix voltou dos seus tradicionais passeios noturnos doente. Vomitava muito. Alguém o tinha envenenado. Meu pai foi atrás de remédio, desesperado.
Fui dormir e Félix, já medicado, parou de miar de dor e parecia ter melhorado.
Às seis horas da manhã do dia seguinte, ninguém acordou com os miados de Félix.
Nessa história, a cena que me marcou e que até hoje me emociona {é só lembrar que já fico com os olhos cheios d’água} é a de meu pai tomando café, todo arrumado para ir trabalhar, num silêncio perturbador, com pesadas lágrimas escorrendo pelo seu rosto.
Félix foi colocado em uma caixa de sapatos. Meu pai saiu com ela debaixo do braço…e meu gato preferido se foi para sempre.
Depois de um período de “luto”, a família teve outros gatos – alguns com histórias divertidas, curiosas e também tristes. Mas nenhuma delas digna da história de Félix.
P.S. 1 – o nome Felix foi tirado do personagem Felix The Cat, de Pat Sullivan e Otto Messimer, um clássico da animação e dos quadrinhos. O título desse post é inspirada na frase do intelectual e acadêmico francês Marcel Brion, que disse: ”Felix não é um gato: ele é O gato.” Uma boa pedida para quem quiser conhecer um pouco do bichano é o álbum lançado pela Opera Graphica Editora.

P.S 2 – Falando em gatos, minha hq preferida de Sandman é “Sonho de Mil Gatos”, uma história fascinante do mago Neil Gaiman.

P.S. 3 – pra finalizar – e pra quem adora gatos – sugiro a divertida e inteligente leitura do livro “Akhenaton: a história do homem contada por um gato {traduzido do siamês}”, escrito por Gerard Vicent.

9 comentários para "Félix não era um gato, ele era O Gato."
Sempre preferi gatos a cachorros. Tudo o que dizem a respeito deles como defeito (infiel, independente, egoísta) e o que mais admiro nos felinos.
Cachorros são bobalhões, tontos, e mesmo que você os maltrate eles continuam lá. Cachorros são otários.
No mais, parabéns pelo blog!
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Oi, Fabiane!
Pois é…são justamente essas características que fazem dos gatos os melhores {e mais classudos} bichinhos de estimação do mundo!
Agora, quanto aos cachorros serem otários, minha filha {e o poddle dela} não gostaram nem um pouquinho do comentário…
abração!
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Oi Bruno, tenho um filho com o mesmo nome. Adorei e me emocionei com a história de Felix, quem gosta de animais se emociona mesmo. Já tivemos um luto assim por um cachorro pequinês. Hoje tenho um gato e um cachorro, comprei o gato como gata só descobrique era macho quando ele fez um ano (kkkkk) e como ele tem nome feminino (buffinha) hoje ao invés de chamá-lo bichano chamamos bichona (hehehehe). Sou apaixonada pelos dois, e fico furiosa com pessoas que maltratam ou abandonam os animais depois que não querem mais. Parabéns pela dedicação. Abraços.
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He he, coitado do Buffinha!
Nunca mais tive gatos, até porque a família (esposa e dois filhos)gosta mais de cachorro. Por isso, o atual “dono” da casa é um poodle chamado Pepe, que dá um trabalho enorme mas é o xodó da família.
Obrigado pelo comentário, Cristiane.
E dá um abraço no meu xará!
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Aff eu detesto cachorros… só gosto dos cachorros de rua…
Tá eu gosto de animais, porém o cachorro é o único animal de toda a natureza que eu não gosto
Prefiro gatos ou qualquer outro animal,prefiro até uma barata (eu gosto de baratas huahuahua) do que um cachorro
valeu
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Essa da barata foi nojento! : (
mas tem gente que gosta de animais até mais esquisitos, nojentos e perigosos do que uma barata {tipo aranha, lagarto e serpentes…}
Mas não entendi…você não gosta de cachorro, mas gosta de cachorro de rua?
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Eu gosto de cachorro de rua porque eu nunca vi algum deles perseguir um gato ou morder uma pessoa, invés de correr atrás de gatos ou pessoas eles correm atras é de comida hehehe
Na verdade eu gosto de qualquer animal que vive na rua ou selvagem que vive na floresta, porque eles são mais indepedentes do que os domésticos, sabem se virar sozinhos e etc..
Eu gosto de barata urubu e afins porque eles limpam o ambiente, porque comem porcarias, lixo… e não fazem mal a ninguém (como a maioria dos animais)
valeu
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Não senhor! Em comparação com cachorros os gatos NÃO perdem feio! rsrsrsrs
Linda a história do Félix.
Eu também tenho uma gata que acorda todos os dias as 5 horas da manhã e desperta todo mundo. O problema é nos feriados rsrsrsrsrsrsrs
E que saudades de uma outra (Duquesa) que ia me esperar na esquina todos os dias quando eu voltava da escola. Ela dormia a noite toda nas minhas costas (ainda bem que eu era criança porque se fosse hoje ia acordar quebrada).
Eu tive gatos a vida toda, por isso se fosse contar ia ter cada história… Eles até parecem gente.
Mas a verdade suprema sobre os gatos e a sua famosa independência, é que, ao contrário dos cachorros, o dono não é você, são eles.
Parabéns pelo blog.
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Bruno Alves Reply:
October 15th, 2008 at 9:29 pm
Também acho que eles não perdem, Adriana. Quem fala isso são os fãs dos cachorros…
Só essa história do gato ser independente já me faz gostar mais deles, além das outras qualidades.
Obrigado pelo comentário e grande abraço!
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