Diz o senso comum que cada pessoa no mundo tem um duplo, um sósia, um indivíduo que tem algumas características física em comum que as tornam semelhantes.

Claro que nada a ponto de serem confundidos como os gêmeos univitelinos, mas a ponto de acontecerem pequenas confusões sem maiores conseqüências – ou não.

Só para ficar no terreno das celebridades, vejam as semelhanças abaixo:

Rogéri Ceni e Luciano Huck
Rogério Ceni e o apresentador Luciano Huck

 

Débora Secco Fernanda de Freitas
Débora Secco e Fernanda de Freitas

Serra e Homer

Jose Serra e Homer Simpson

Bush irmão de Bush
George Bush e seu irmão.

Ser confundido com outra pessoa é coisa comum pra mim. Já perdi a conta das vezes em que fui abordado na rua ou no ônibus por pessoas que acharam que eu fosse o meu clone.

Sim, clone.

Porque, diante da quantidade de vezes que isso aconteceu, só posso ter alguém talhado e esculpido {um tio meu dizia “cagado e cuspido”…eca!!!!!!} à minha imagem e semelhança aprontando por aí.

A maioria foram confusões simples….uma vez, tinha acabado de entrar num ônibus e antes de me sentar, um casal que estava descendo começou a acenar pra mim; aí, o cara falou: “passa lá em casa domingo, vai ter o churrasco do aniversário dela”- e apontou para a mulher. Ela completou: “não falta não, visse? E leva a namorada…”

Pra não desapontar o casal na frente de tanta gente, levantei o polegar e disse “Ta”. Eles desceram felizes.

Já fui confundido com pai, padrinho, irmão, chefe, cunhado, marido, afilhado e por aí vai. {Eu tenho um clone até na blogosfera!! – se bem que talvez EU seja o clone, pelo simples fato dele ter chegado primeiro…}

Era até divertido.

Até que uma dessas confusões me deixou assustado até hoje.

Eu tava saindo de casa para trabalhar, às 7 da manhã. Descendo a rua, vinha um homem baixo, moreno, um pouco gordo e mancando da perna direita. Ao cruzar comigo, ele levantou a cabeça e quando viu meu rosto, segurou meu braço.

Imaginem o susto!!!!!!

- Graças a Deus encontrei o senhor de novo – ele falou, com um sorriso no rosto.

Gelei.

Ele começou a chorar…e a contar uma história de um acidente de carro na rodovia BR-232, à noite, quando estava se dirigindo à cidade de Caruaru; e que eu tinha salvado a vida dele e tal – contou tudo com um detalhamento tão grande que eu quase podia ver as cenas. Aí, ele levantou a barra da calça e mostrou uma grande e feia cicatriz na perna, que ia do peito do pé até o joelho.

Eu disse que ele estava enganado, que eu nunca tinha socorrido ninguém na estrada…

Mas ele, chorando muito, disse que eu era modesto, que era um anjo, que foi Deus que tinha me enviado naquela hora de desespero, que desde aquele dia rezava muito por mim. Apertou minha mão com força, enxugou as lágrimas com a manga a camisa.

- Que Deus lhe proteja, moço.

- Obrigado – respondi, ainda atordoado com aquilo.

Ele continuou descendo a rua, com seu caminhar manco e se foi. Eu fiquei ali, no meio da rua, o vendo ir embora. Aí, voltei pra casa para me recompor. Minha mãe, que tinha visto tudo do terraço de casa, quis saber o que o homem queria comigo. Contei.

- E porque você ficou assim, tão aperreado?

- Mãe, aquele homem me confundiu com uma pessoa que fez uma coisa muito boa pra ele. Eu to nervoso porque não consigo parar de pensar: e se tivesse sido o contrário?

Isso faz quase vinte anos. Desde então, não acho mais divertido ser confundido com alguém.

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