…sempre viveram do que achavam na lama…

Ele não conseguia entender o que tinha acontecido com seu filho. Sempre viveram do que achavam na lama, sempre se alimentaram do que o rio deu. E no entanto, seu filho deixou o mundo. Amanheceu imóvel, depois de noites de sofrimento. A comunidade se reuniu para discutir a questão e, como em toda reunião, não chegaram à uma solução.

Ele não queria soluções. Queria respostas. Seu filho já não estava ao seu lado e nada mais importava.

Ele apenas achava, tinha uma sensação, de que a culpa era daquelas criaturas estranhas, que jogavam coisas nas águas e a deixavam diferente. Lembrava das histórias contadas pelos mais velhos da comunidade, que falavam de como a vida era boa antes dessas criaturas aparecem. Mas isso foi a muito tempo.

Alguma coisa lhe dizia que aquilo era apenas o início do fim.

Desolado, moveu sua patola e começou a catar comida na lama, comendo apenas por comer.

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