Um blog de raiz
19 Nov 2007
Sérgiofredo se apressava para descer do ônibus apinhado, pisando nos pés dos outros passageiros, gritando pro motorista que acelerava: “vai descer, vai descer”.
Caminhou pela rua enlameada e escura. O maldito poste tinha apagado de novo.
“Êta vida sacrificada!”, pensou ele. Como seria bom se tivesse um carro.
Não precisaria mais vir espremido nem correr atrás do ônibus.
Cruzou com dois homens pela rua. Um deles puxou o revólver e anunciou o assalto.
Sérgiofredo correu.
Escutou o estampido. Esperou o impacto nas costas, ou na cabeça. Não sentiu nada. Mais dois estampidos. Nada. Outro. E outro.
Não parou de correr. Corria como o vento.
Chegou em casa branco, olhos arregalados, a camisa empapada de suor.
A mulher acudiu e quis saber o que tinha acontecido. Ele contou.
Ela não acreditou na história. Como ele podia ter sido mais rápido que as balas?
Sérgiofredo contou: “Foi só imaginar que na minha frente ia o ônibus das 6 e meia e que se eu não o pegasse, ia chegar atrasado e ser demitido”.
Mais uma vitória do proletariado.
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