Um blog de raiz
12 Nov 2007

Quando comecei a pesquisar sobre blogs, as primeiras definições que encontrei descreviam os mesmos como diários pessoais publicados na web, na maioria produzidos por adolescentes. Não dei muita atenção. Vez ou outra ouvia falar sobre o crescimento dos blogs, mas continuei não dando tanta atençao, era só mais um hype da internet.
No início deste ano, conversando com um amigo sobre a falta de paciência dos meus alunos- e das pessoas em geral - em ler, principalmente na internet, ele me falou sobre um blog que tinha comprovado isso ao publicar posts com títulos provocativos e ter causado uma reação sem precedentes de centenas de leitores, que criticavam mesmo sem terem lido o texto completo.
Curioso, fui procurar o blog - achei e gostei do que vi. A partir daí, fui descobrindo mais coisas sobre blogs, e a principal delas é que não eram mais diários pessoais adolescentes. Fui descobrindo outros blogs e fiquei fascinado com a diversidade: tinha prá todos os gostos, nos mais variados estilos e gêneros.
Fiquei animado para criar o meu blog. A princípio, ele seria sobre histórias em quadrinhos. Mas depois, pensei em diversificar. E aqui estou: no começo, tateando, aprendendo aos poucos, lendo os blogueiros mais experientes, tentando compreender esse universo. Já tenho meus favoritos, mas estou sempre buscando novidades.
Então, achei que escrever sobre estas descobertas seria interessante, incluindo coisas que vejo sobre blogs fora da blogosfera. Vamos lá? Nesse primeiro post da série: todo blogueiro se considera um jornalista?
Impressões de um blogonauta: Post 1
Mês passado me deparei com um post no blog de um jornalista {”Mídia eletrônica atordoa federação de jornalistas”}, que reproduz o texto do jornalista José Carlos Torves, do Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco, intitulado “Adeus aos jornalistas“. Foi dele que tirei o título do meu post.
Destaco alguns pontos do texto: ele ressalta a importância do jornalismo para a democracia; lembra que os fundamentos ainda são os mesmos: levantar uma pauta, checar as informações, entrevistar várias fontes; e destaca a importância da ética, para que o público tenha credibilidade no que lê, ouve ou vê.
Ele admite que há uma mudança: que agora, o cidadão comum também produz informação. Mas que possuir um link na internet não transforma ninguém em jornalista, pelo simples fato da vulnerabilidade da nova mídia. O parágrafo seguinte começa com a frase que dá título a este post. Cito o mesmo na íntegra:
“Embora a maioria dos blogueiros se considere jornalistas {grifo nosso} e muitas empresas de comunicação se valem desse tipo de material em veículos tradicionais, com o objetivo apenas de preenchimento de espaço sem nenhum custo, aumentando com isto a sua margem de lucros, não significa que o jornalista passou a ser um profissional obsoleto. “
Em seguida, ele completa:
“Este comportamento, depois de uma, duas ou mais notícias falsas levará a perda total de credibilidade, junto à sociedade {grifo nosso}, e processos de pessoas lesadas por noticias sem a devida apuração, que poderão ocasionar a inviabilidade econômica de qualquer projeto jornalístico, mesmo os mais sólidos e com uma imagem construída ao longo dos anos de boa prestação de serviços a sociedade.”
Após o texto, o autor coloca uma observação esclarecendo que o mesmo se destina àquelas empresas que tentam burlar a regulamentação da profissão, utilizando inabilitados {grifo nosso} no lugar de profissionais.
Sei que alguns blogueiros mais famosos da blogosfera são jornalistas, outros tão famosos quanto - ou até mais famosos - não são. Apesar de pouco tempo neste universo, tenho percebido que uma das principais preocupações entre os blogs é a de terem credibilidade - isso é fundamental para a sobrevivência dos mesmos. E o mais perceptível, nos melhores blogs, é a qualidade do texto, seja ele informativo, opinativo ou um exercicio de umbigologia. Inclusive, em alguns casos, os blogs saem na frente na divulgação de fatos.
Claro que, como em qualquer atividade, existem os aproveitadores, os paraquedistas, aqueles que denigrem a profissão - eles existem nos blogs, eles existem na mídia tradicional. Será que ao escrever o texto, o jornalista em questão esqueceu de cases famosos de sua própria área, como a do jornalista norte-americano Jayson Blair, do New York Times que inventava suas notícias ou da atuação da imprensa brasileira no caso da Escola Base? Nos dois casos, os profissionais envolvidos eram habilitados, não eram?
Toda nova linguagem, tecnologia, teoria, etc. causa esse temor nos seus correspondentes tradicionais - a tv ia matar o cinema, a internet iria acabar com a mídia impressa - mas a convivência {ou a hibridação} entre os dois modos é possível {vejam o exemplo do Jornal do Commercio, aqui de Recife, com o seu jornalismo 2.0 intitulado Meu JC, onde leitores podem enviar matérias, resenhas e fotos}
Afinal de contas, a mídia tradicional é importante, seus conceitos e procedimentos são fundamentais para a credibilidade da informação - e esses pontos imprescindíveis são copiados saudavelmente pelos melhores blogueiros.
Não acho que um blogueiro responsável e que busque credibilidade e leitores para o seu blog, e que não seja jornalista, espalhe aos quatro cantos que é um - aliás, nunca vi nenhum dos melhores alardear isso em nenhum post.
Por fim, o que fica claro mesmo é que boa parte da mídia tradicional ainda não assimilou esse novos tempos, e isso termina nesse debate meio burro sobre quem é melhor, mais confiável ou mais moderno.
Sphere: Related Content
2 comentários para "Embora a maioria dos blogueiros se considere jornalistas…"
Cara, esse Torves não é de PE. Ele é do RS e tá na FENAJ hoje.
Outra coisa, esse tema do wordpress tá cada vez mais popular
[Responder]
Olá, Bender. Legal ver você por aqui! Obrigado pelo comentário.
Valeu pela correção da origem do Torves - é que no post do blog que linkava o texto dele não tinha essa informação, e como estava no site do sindicato daqui de Pernambuco, fiz a confusão {mais uma lição aprendida: checar as infos antes de postar}.
E bem vindo à comunidade Illacrimo
[Responder]
Escreva um comentário