Macaxeira Geral

Um blog de raiz

Arquivo de November de 2007

Às margens do Salzach

Rio Salzach, em Salzburgo, Àustria

- Não queres a glória, meu senhor?

Ante a pergunta do etéreo jovem que surgiu ao seu lado como num passe de mágica, o irrequieto Johannes Chrysostomus Wolfgang Gottlieb Mozart sentiu uma neblina tomando conta de sua visão, uma tontura, o chão pareceu fugir-lhe aos pés. Olhou de novo para a estranha figura e por um momento lhe pareceu que ela era transparente.

“Acho que me excedi caminhando”, pensou. “Já estou vendo miragens”.

O mais estranho era que ao movimentar-se, o jovem deixava no ar um aroma doce que quando absorvido suavemente pelas narinas, soava como música dentro da cabeça do compositor.

- És o anjo da morte que veio anunciar o meu fim?

- Não me respondestes, senhor.

- A glória? – Mozart parou de caminhar. De repente, a brisa suave e os murmúrios vindos do Salzach não lhe importavam mais. Diante da beleza do jovem à sua frente, o rio não passava de uma faixa de água correndo entre duas faixas de terra. – Quem não a quer, meu jovem? A questão é que não é fácil domá-la. É uma dama muito arisca, inconsistente, frívola; num momento está ao nosso lado para no momento seguinte nos abandonar.

Parou de falar para sentir novamente o aroma doce que emanava do jovem. Desta vez, chegou a ter a sensação esquisita de ter visto o cheiro dele.

(more…)

Sphere: Related Content

 

Mas que coisa feia, Raimundo! O que eu disse demais?

Ana Júlia Carepa e Raimundo Benassuly

A vítima é culpada. Pronto. Tão simples. Porque, então, essa celeuma toda em torno da prisão de uma menor de idade numa cela com 20 criminosos, que teve de trocar sexo por comida?

Se ela era culpada desde o começo, era só a secretaria de segurança pública do Pará ter dito e tudo estaria resolvido. Bastava processar a mesma por não ter revelado que era menor de idade {falsidade ideológica} e por ter provocado vinte homens sedentos por sexo dentro da cela {atentado ao pudor}.

Fiquei realmente indignado com a declaração do delegado-geral do Pará, o senhor Raimundo Benassuly e sugiro, já que pelo visto a governadora Ana Júlia Carepa não vai exonerar o dito cujo e nem punir ninguém pelo caso, que o mesmo seja indicado para um alto cargo de segurança, tipo delegado-geral do Brasil. Aí, é só aplicar sua lógica revolucionária e não teremos mais criminosos no país – afinal, todos os crimes terão como culpados as vítimas.

Agora, falando sério – que o assunto é sério – a infeliz declaração do delegado-geral é mais um capítulo da novela da prisão de mulheres junto a homens no Estado do Pará – depois da cara de tacho do titular da delegacia onde a menor foi presa, da declaração da governadora de que “esse era um acontecimento comum nas prisões do estado”, da justiça que foi avisada do ocorrido e não tomou nenhuma providência e do ridículo decreto estadual proibindo a prática - ridículo porque já existe lei maior que diz a mesma coisa.

O mais lamentável é que até o momento em que este post é publicado, não ouvi falar em nenhuma indicação de culpados ou de punições exemplares.

E mais: analisando tudo o que as autoridades do Pará disseram até agora, ficou subentendido que se ela fosse de maior, tudo bem, não haveria problema.

O código penal (Artigo 37) reza que as mulheres têm direito a cumprir suas penas em estabelecimento próprio. Ta no papel. É lei. E lei tem que se cumprir.

O que a justiça está esperando para tomar alguma atitude?

Sphere: Related Content

Apesar do sucesso da blogosfera brasileira, é raro ver alguma menção à mesma em alguma publicação “grande” e “comercial”, seja impressa ou on-line.

Não lembro de matérias sobre o assunto nos dois principais jornais daqui de Recife, nem em revistas informativas semanais ou de informática – se alguém sabe, ajudem este velho desmemoriado…

Mas não é que a revista INFO deste mês citou um blog, com direito a link?

O motivo foi o Super Trunfo Blogs, criação do Ivo Neuman, do blog Treta.

Começa assim: hoje uma notinha, amanhã, capa de revista! ! !

Sphere: Related Content

Vamos saudar a Vida!

saudações

Hoje é o Dia das Saudações. Esta é mais uma daquelas datas interessantes do calendário anual e da qual eu não consegui descobrir a origem {se alguém souber, por favor, manda que eu faço um update aqui no post}.

Apesar de ser uma data simpática, ela é, junto aos Dia das Mães, dos Pais, da Consciência Negra, das Crianças e similares, mais uma que especifica um único dia para celebrar aquilo que deve ser celebrado, se não todos os dias, pelo menos com mais freqüência.

E, claro, tem o seu lado comercial – quem se lembrar da data, com certeza vai comprar um cartão e enviar para aqueles que respeita e admira.

Mas, nestes tempos virtuais, não é necessário comprar nada: basta enviar um e-mail, um torpedo, postar, twittar… whatever, para aqueles que você considera.

Então, em primeiro lugar, saudações à Vida, que apesar de tudo, vale a pena ser vivida, principalmente se sua alma não é pequena;

Saudações à minha família linda: Tita, Lika e JR e, principalmente, ao dono da casa, o poddle Peppy; saudações aos meus queridos pais - que me ensinaram como ser uma pessoa do bem, à minha irmã, às sobrinhas, ao querido Humberto, que ora por nós lá de cima, à minha sogra, meus cunhados e cunhadas;

Saudações aos meus grandes amigos;

Saudações de um blogueiro iniciante àqueles blogs que fazem a diferença na blogosfera e que, de certa maneira, me incentivaram a começar e me instigam a continuar:

Saudações ao Quero Ter um Blog, do Alessandro Martins, por ensinar o caminho das pedras;

Saudações ao PBlog, do Érico Oliveira, por ensinar a arrumar as pedras do caminho;

Saudações aos amigos Acapeanos {cartunistas, quadrinistas, caricaturistas} pelo talento, engajamento e, acima de tudo, bom humor;

Saudações ao Pensar Enlouquece, Pense Nisso, do Alexandre Inagaki, por inundar a blogosfera de inteligência;

Saudações ao Digital Drops, do Nick Ellis, por proporcionar alegria {e ânsias de consumismo} a todos os nerds viciados em gadgets e afins;

Saudações ao Inovavox, do Sampson Moreira, por não saber se faz um blog de humor, mas que me faz rir sempre;

Saudações ao Justale Podcast, da Alessandra Tussi, pelas dicas sobre tecnologia e usabilidade;

Saudações ao Garota Sem Fio, da Bia Kunze, pela consultoria simpática sobre mobilidade e aparelhinhos matadores {que um dia ainda vou ter} e pelo podcast mais legal sobre o assunto;

Saudações ao Interney,do Edney Souza, um problogger de responsa;

E, last but not least, saudações ao Jovem Nerd, do Alexandre Ottoni, pelas doses semanais de gargalhadas {e que me fazem parecer um idiota rindo sozinho dentro do ônibus}.

E, como disse minha esposa em seu blog, não fique preso à uma data comemorativa: se não der prá saudar ninguém hoje, faça amanhã, depois de amanhã, mês que vem…mas faça.

A vida agradece.

Sphere: Related Content

1986.

Eu trabalhava num banco chamado Banorte - que foi o primeiro banco do país a interligar suas agências eletrônicamente. O banco tinha um setor de esportes, e possuía times de handebol, volêi, futebol de salão, natação e sei lá mais quantas modalidades.

Os atletas não eram funcionários do Banorte, eram apenas atletas. Eu tinha uma colega do tempo do segundo grau que era da seleção de handebol. Até que um dia eles fizeram uma reinvidicação para serem admitidos como funcionários, pois o que ganhariam de salário seria melhor do que a ajuda de custo que ganhavam como atletas - e isso ajudaria a melhorar o desempenho deles, que em algumas categorias era muito bom.

O banco aceitou. Na época, os bancos estavam implementando o serviço de recepcionistas na entrada das agências, trajando uniformes, que eram o primeiro contato dos clientes ao entrarem. Lembrando que, naquela época, caixa eletrônico era coisa de ficção científica - a agência em questão dispunha de mais de vinte caixas {de carne e osso} para atendimento ao público.

Pois bem: lembram daquela minha colega do segundo grau, que citei lá em cima? O nome dela era Rita. O banco contratou os atletas para várias funções, mas o destino de boa parte DAS atletas foi ficar no hall da agência, com os bracinhos para trás, um sorriso nos lábios e ficar repetindo “bom dia, senhor. Posso ajudar?” e coisas do gênero. Eram as famosas Moças Banorte.
Confesso que quando vi Rita chegando cedo, fardada, com um sorriso nos lábios, tomei um susto {do bem}: nunca a tinha visto sem o uniforme de atleta e ela estava muito chique e bonita na sua farda de Moça Banorte. Mas a minha surpresa não foi só por isso. Meu segundo pensamento foi: que coragem do Banorte!

Rita era negra.

(more…)

Sphere: Related Content

O trabalho é a única recompensa do homem

Sérgiofredo se apressava para descer do ônibus apinhado, pisando nos pés dos outros passageiros, gritando pro motorista que acelerava: “vai descer, vai descer”.

Caminhou pela rua enlameada e escura. O maldito poste tinha apagado de novo.

Êta vida sacrificada!”, pensou ele. Como seria bom se tivesse um carro.

Não precisaria mais vir espremido nem correr atrás do ônibus.

Cruzou com dois homens pela rua. Um deles puxou o revólver e anunciou o assalto.

Sérgiofredo correu.

Escutou o estampido. Esperou o impacto nas costas, ou na cabeça. Não sentiu nada. Mais dois estampidos. Nada. Outro. E outro.

Não parou de correr. Corria como o vento.

Chegou em casa branco, olhos arregalados, a camisa empapada de suor.

A mulher acudiu e quis saber o que tinha acontecido. Ele contou.

Ela não acreditou na história. Como ele podia ter sido mais rápido que as balas?

Sérgiofredo contou: “Foi só imaginar que na minha frente ia o ônibus das 6 e meia e que se eu não o pegasse, ia chegar atrasado e ser demitido”.

Mais uma vitória do proletariado.

Sphere: Related Content

Rotina

Uma das coisas que mais gosto no meu trabalho é a cara que a pessoa faz quando descobre o que vai acontecer com ela. Quando isso acontece, pelo menos o começo do meu dia está salvo. Dá para perceber a despedida surgindo, a incredulidade dando lugar à resignação, o grande vazio da perda se formando. Na maioria das vezes é assim; claro que de vez em quando há desespero, tentativas de agressão e de fuga. Nem pisco nesses casos. Vou direto ao assunto e pronto.

Gosto mais dos que se resignam, batem um papo como se para ganhar um tempo, para tentar entender. Como agora. Os olhos castanhos claros parece que me fitam a uma eternidade; o lábio inferior treme suavemente; as lágrimas que começam a surgir nos olhos encontram o sol e criam aquele brilho estrelado, como nos filmes…só faltou aquele barulhinho…. “plim”! Apesar de não-dito, o “porquê?” é palpável.

Ele me pergunta se pode fazer um pedido. Claro que eu digo que sim. Me pede para que aconteça num local discreto, longe de todos. Então eu lembrei de um lugar onde nos sentiríamos num deserto. Ele agradeceu. O silêncio tomou conta da nossa partida.

Caminhamos devagar – mais um de seus pedidos, pois queria observar pela última vez a vida. De vez em quando, parava repentinamente. Eu seguia o seu olhar e lá estava: um baobá, imponente, sábio e velho. “Nunca tinha percebido como ele é bonito…”, sussurou. Outro olhar, outro lado. Um prédio antigo, estilo clássico, pintado com cores alegres – por um desses projetos de revitalização urbana. “Veja só…agora não acho esse prédio tão museu assim…”, disse, um breve sorriso surgindo, para depois desaparecer.

Foi assim toda a caminhada.

Chegamos, sentamos lado a lado, mudos por alguns instantes.

É nessa hora que chegam os clichês: tanto ainda por fazer, se não tivesse dito aquilo à ela, se pudesse voltar no tempo…aí vem aquele olhar suplicando uma nova chance. Nem pisco. Minha distância incomoda, não digo nada, não mudo minha expressão, não sorrio, não choro. Apenas olho.

Quando começa o crepúsculo, vem o silêncio final. Sem estardalhaços, limpo, objetivo.

Pronto. Mas uma missão cumprida. Agora, tenho que ir, ainda há mais uma pessoa para hoje, segundo a informação que chega no meu smartphone.

Espero que venha mais uma cara engraçada para fechar o dia com chave de ouro.

Sphere: Related Content

Hã…não é nada disso que vocês estão pensando, viu?

O negócio é que já cheguei àquela fase da vida na qual você tem que começar a se preocupar com tudo. E você descobre que se tivesse se preocupado uns dez anos antes, não estaria perdendo o sono agora.

Tinha um colega de trabalho que já dizia, quando eu tinha uns vinte anos: “aproveita a vida agora, pois quando você chegar nos enta, a coisa fica feia.”

Mês passado, fiquei doente, tive febre, dores no corpo, enxaqueca. Aí pensei: é uma virose, coisa comum. Fui ao médico assim mesmo {evito ir a médicos, quando é possível. Não gosto deles}. Batata. Era uma virose. Uma semana de licença. Mas, aproveitando que já estava no médico, pedi um check-up geral, já que não fazia exames uns bons dois anos e lá vai fumaça – e tenho que manter o controle, tem história na família de diabetes e hipertensão.

Boas notícias: colesterol, glicose, ácido úrico, esses trastes, todos em ordem. Até o meu colesterol bom está acima da média.

Mas os triglicerídeos estão altinhos – 198, num limite aceitável de 150.

Resultado: regime. Tudo integral, evitar frituras, evitar coisas muito doces, evitar molhos de queijo!!

O Horror!! O Horror!!

E ainda tenho que fazer exercício prá perder peso e a barriga – que, sinceridade, tá feiosa mesmo.

Mas cadê a coragem? O regime até que comecei, a passos de tartaruga, mas comecei. Minha sorte é que sempre gostei desses trecos naturebas, de vez em quando batia uma fase saudável e eu só comia essas coisas diet, light, sem colesterol e etc. Então, sem stress nesta parte…

Mas caminhar, academia…

Pois é, depois dos quarenta, você até que tenta levar uma vida normal, mas…

Então, jovens, se cuidem: os enta estão chegando!!

Postado ao som de Physical, de Olivia Newton-John

Sphere: Related Content

digit

Quando comecei a pesquisar sobre blogs, as primeiras definições que encontrei descreviam os mesmos como diários pessoais publicados na web, na maioria produzidos por adolescentes. Não dei muita atenção. Vez ou outra ouvia falar sobre o crescimento dos blogs, mas continuei não dando tanta atençao, era só mais um hype da internet.

No início deste ano, conversando com um amigo sobre a falta de paciência dos meus alunos- e das pessoas em geral - em ler, principalmente na internet, ele me falou sobre um blog que tinha comprovado isso ao publicar posts com títulos provocativos e ter causado uma reação sem precedentes de centenas de leitores, que criticavam mesmo sem terem lido o texto completo.

Curioso, fui procurar o blog - achei e gostei do que vi. A partir daí, fui descobrindo mais coisas sobre blogs, e a principal delas é que não eram mais diários pessoais adolescentes. Fui descobrindo outros blogs e fiquei fascinado com a diversidade: tinha prá todos os gostos, nos mais variados estilos e gêneros.

Fiquei animado para criar o meu blog. A princípio, ele seria sobre histórias em quadrinhos. Mas depois, pensei em diversificar. E aqui estou: no começo, tateando, aprendendo aos poucos, lendo os blogueiros mais experientes, tentando compreender esse universo. Já tenho meus favoritos, mas estou sempre buscando novidades.

Então, achei que escrever sobre estas descobertas seria interessante, incluindo coisas que vejo sobre blogs fora da blogosfera. Vamos lá? Nesse primeiro post da série: todo blogueiro se considera um jornalista?

(more…)

Sphere: Related Content

Usabilidade: tornando sua vida mais fácil.

Logo do movimento World Usability Day

No último dia 8 de novembro, foi comemorado o Dia Mundial da Usabilidade, com eventos acontecendo em algumas cidades do país, inclusive aqui em Recife - que infelizmente não pude conferir.

O evento foi criado com o objetivo de conscientizar as pessoas de que serviços e produtos importantes à vida humana devem ser mais acessível e simples de usar.

Segundo a Wikipedia, usabilidade é a facilidade com que as pessoas podem utilizar uma ferramenta ou objeto; ou, simplificando, “fazer a vida mais fácil”, conforme o slogan do movimento.

Usabilidade pode se aplicar a tudo: desde a facilidade de se abrir uma embalagem qualquer até a navegação em um site ou utilização de um software.

Quantas vezes você já não se irritou com a dificuldade de uso de alguma coisa? Um exemplo simples: tem coisa mais difícil do que retirar aquele plástico que envolve um cd?

Recentemente, ao cadastrar minha esposa num dos sites da Globo, me irritei profundamente com a quantidade de janelas que cada ação ia abrindo, sem falar na obrigação de clicar em links dentro dessas janelas, que me levavam a outras janelas explicativas…

Quer saber mais sobre usabilidade? Indico quatro blogs e um site:

FatorW, do jornalista Walmar Andrade, que discute usabilidade através de excelentes artigos sobre o tema, além de outras áreas como acessibilidade, arquitetura de informação, design, gerenciamento de projetos, marketing, SEO, microformatos, web standards e webwriting.

Justale Podcast, da Alessandra Tussi, que é Analista de Marketing. Em seu podcast, Alessandra apresenta dicas de sites e softwares, novidades sobre tecnologia e resenhas de livros; ultimamente, ela tem apresentado uma série sobre usabilidade que vale a pena escutar.

Específicamente voltado a webdesign, o Usabilidoido, de Frederick van Amstel, é uma boa pedida para quem se interessa pelo assunto. O autor é consultor especializado nas áreas de Design de Interação, Arquitetura da Informação e Projetos Web 2.0.

No blog Tá Difícil…, comandado pela Mercedes Sanchez, que é especialista em usabilidade, os leitores são convidados a enviarem fotos, vídeos ou textos que mostrem alguma dificuldade na utilização de qualquer produto ou serviço. Dê uma passadinha por lá e deixe sua reclamação…

E por fim, o site do Instituto Brasileiro de Amigabilidade e Usabilidade - IBRAU, formado por profissionais de informática, e que apresenta uma série de artigos voltados à construção da interface com o usuário.

 

 

Sphere: Related Content