Música prá mim é essencial. Sempre foi. Se eu pudesse, viveria com um fone grudado nos ouvidos 24 horas por dia - sonho com o dia em que teremos biochips de players mp3 com bluetooth e 160GB implantados em nossas cabeças prá acabar com essas coisas enfiadas nas orelhas – ou espalhadão no sofá escutando cd’s e assistindo dvd’s de música.

Hoje em dia, qualquer um tem um mp3 player – seja um Ipod fudêncio ou um xing-ling descolado {ou não} – e a vida dos amantes da música ficou muito mais fácil.

Mas, prá quem tem prá lá de trinta anos – como eu, que já tô na casa dos enta -, as coisas não eram tão fáceis assim. Movable music? Tá de brincadeira comigo, é?

Motivado pelo post do Inagaki sobre os novos caminhos para a música nesse cenário virtual, pensei em colocar aqui um pouco de história sobre meus gadgets de música móvel, partindo do início dos tempos até a pós-modernidade vigente. E você, como curtia música em movimento?

 

No princípio, era o verbo…hã, não, isso é mais atrás…

No princípio, quem queria levar um som a tiracolo, prá escutar no ônibus ou prá passar o tempo em filas e similares, contava com o prático, inovador e revolucionário radinho de pilha. Pois é, vejam só: você não podia escolher o que ia ouvir, ficava à mercê da programação das rádios – se bem que naqueles tempos a programação era excelente.

Ainda me lembro da primeira rádio a transmitir em FM aqui em Recife: a Transamérica, que tinha uma programação classe A+. Aí ficou assim: FM era elite, AM passou a ser coisa de pobre {a velha mania sapiens de classificar tudo só para mostrar quem pode…}

Mas tinha uma rádio AM chamada Tamandaré, que já possuía uma programação selecionada; pois bem, ela refinou ainda mais a seleção musical e adotou o slogan: “Tamandaré: o som FM no AM do seu rádio”. Sensacional!!!

Tive vários radinhos de pilha – uns trambolhos e outros mais delicados, uns só com AM e outros dualband. Vejam que coisa singela…

Meu último rádio portátil...

Óbvio que este modelo é mais recente, de uns quatro anos prá cá – nenhum modelito antigo sobreviveu prá contar história. A diferença é que naquele tempo o radinho não tinha fone de ouvido. É, caro leitor jovem, você tinha que segurar o aparelhinho colado ao ouvido prá poder escutar o som. E em mono!

Vai um cassete aí?

Aí em 1979 veio a Sony e criou o conceito de walkman. Um toca fitas portátil, com rádio Am e FM e fone de ouvido, prá você curtir sua música com privacidade. Imaginem o hype na época. O bichinho custava 200 dólares e vendeu, no primeiro ano, um milhão de aparelhos.

 

O primeiro walkman, da Sony: um milhão de vendas no primeiro ano

 

Como todo pobre que se preza, claro que nunca consegui ter um sony ou outra marca melhorzinha; tive alguns aparelhos que duraram um ano, outros que duraram seis meses. Naquela época ainda não tinham inventado o controle de qualidade nem o Código de Defesa do Consumidor…

 

Eu tinha uma coleção enorme de fitas cassetes, com músicas gravadas do rádio ou de vinis – principalmente do meu amigão Jorge, que nos anos 80 já tinha uma discoteca gigantesca e variada. Ainda tenho algumas sobreviventes, guardadas por puro saudosismo.

 

O primeiro walkman a gente nunca esquece...

 

esse me salvou durante uns anos até dar pau completo

 

 

Meu Sony que não é só meu.

 

Esse Sony aí de cima, também gravador, não é só meu – foi comprado em parceria para um projeto com amigos – mas está sob minha guarda desde então. Usei muito prá gravar entrevistas, mas nas horas vagas escutava minhas fitinhas. Hoje, ele grava bem, mas a reprodução está acelerada. Tenho que levar prá consertar…

 

A evolução do walkman: senhoras e senhores, Mr. Discman!!!

 

Com a chegada do cd, tudo mudou. E não tardou para surgirem players portáteis prá musicófilos levarem seus disquinhos para qualquer lugar. No começo eram meio que desconfortáveis, gigantescos e instáveis – se você desse uma sacudidinha mais forte, o bichinho ou travava ou pulava a faixa.

 

Claro que isso depois mudou, com a inserção até de sintonizador FM.

Aí vieram os cd-r e os discman começaram a ler esta mídias; depois, com o advento do MP3, avanços como visor e legendas com título da música, artista e etc. começaram a pipocar.

 

discman meia boca

esse trambolhinho ganhei de presente por causa de uma assinatura. O som é ruim e nem todo cd-r ele consegue ler.

 

 

discman Panasonic - esse era duca...

Já esse, de marca, não tem fm, mas lê cd’s de MP3. O som que sai dos fones é excelente. Pena que tá com bronca, tenho que levar prá assistência…

 

Mas será que vale a pena?

 

Quem precisa de cd?

 

Precisa contar essa história com detalhes? Acho que não, todo mundo sabe, é coisa recente. Com a transformação da música em arquivos comprimidos que mantém a qualidade sonora – dependendo do bitrate - , vieram os players de MP3; e logo em seguida os de MP4.

 

A coisa toda tem uma estrela: o Ipod. Steve Jobs colocou o mundo da música digital de cabeça prá baixo com a criação do mais badalado player do planeta. Tudo bem que ele não tem rádio, não grava, não suporta arquivos de texto…mas é um Apple e isso já diz tudo.

 

 

 

Ipod Nano

Como nem todo mortal pode comprar um Ipod – principalmente por aqui, onde o bichinho é o mais caro do planeta – surgiram alternativas diversas, desde players de empresas de respeito {Phillips, Sony, Samsung, Microsoft e etc…, e às vezes tão caros quanto os da Apple} até aqueles de procedência duvidosa, mas que atendem a uma grande número de pessoas, àvidas para sair por aí, alegres e faceiras, ouvindo as suas músicas preferidas sem serem importunadas.

 

Resultado: milhares de pessoas nas ruas, metrôs e ônibus das cidades com fones de ouvido, mergulhadas em seus universos particulares de música, podcasts, audiobooks e aulas gravadas, videoclips e filmes.

 

Não chama de xing-ling que ele fica ofendido...

meu atual e inseparável companheiro de jornada.

Qual será o próximo passo? {espero que seja o biochip mp3 player bluetooth 160GB}

Postado ao som de “A Farsa do Samba Nublado”, de Wado e o Realismo Fantástico

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