
Depois de algumas semanas ausente do blog, eis que retorno ao batente.
Impressionante como, depois que você entra nessa de blogar, fica se sentindo culpado quando passa um bom tempo sem publicar nada. Claro que as visitas devem ter caído consideravelmente (não quis nem ver) e alguns leitores devem ter achado que alguma coisa de grave aconteceu comigo.
Ainda bem que tem o Twitter – e quem me acompanha por lá viu que estou alive and kicking (tm Simple Minds).
Meu pc ainda não está totalmente são, mas meu tempo deu uma aliviada, pelo menos até semana que vem, quando devo passar mais uns dias ausente (concurso público! concurso público!).
Então, prá pegar o ritmo de novo, vamos de Drops de Macaxeira – anotações aleatórias sobre a vida e coisas afins:
Lula e a educação fast-food
Uma das birras que tenho com o Lula foi a maneira desrespeitosa com a qual ele dispensou o Cristovam Buarque do Ministério da Educação: pelo telefone, enquanto o ministro estava fora do país, para colocar no seu lugar alguém da cota da troca de favores.
Quando Cristovam foi candidato à presidente, escutei um monte de gente dizendo: “cara chato, não muda o discurso, só fala de educação, educação, educação, educação...” – Mas, catzo, alguém tinha que tocar na ferida! Mas como ele não prometeu milhões de bolsas-família e outras coisas assistencialistas, não chegou nem perto.
Ô povinho!
Agora, de uns anos prá cá, o Lula resolveu que vai solucionar os problemas da educação no país com medidas que, se em algum momento parecem justas, pecam pela rapidez com que são implementadas (de maneira quase ditatorial, eu diria).
Alguns exemplos:
- a interiorização da UFPE, por exemplo: o projeto veio de cima prá baixo, sem chance de muita discussão, com muito dinheiro e tal. Não que os campi avançados da UFPE nas cidades do agreste (Caruaru e Vitória) não sejam justos, mas a questão aqui é de manutenção da estrutura. Se o campus sede sofre com a falta de recursos, imagina o que vai acontecer daqui a algum tempo nas outras unidades.
- O REUNI também foi bastante rápido, as universidades tiveram que decidir às pressas, o que gerou debates acirrados e dúvidas profundas, invasão de reitorias pelos alunos, mas o governo praticamente cooptou todo mundo com muito, muito dinheiro. Como a necessidade falou mais alto, taí o Reuni implementado;
- Ok, o vestibular é injusto; algo tinha de ser feito. O governo acenou com uma solução, mas, prá variar, ela veio como num gibi do Flash: tinha que ser prá ontem, senão… A decisão de usar ou não o ENEM para o acesso ao ensino superior teve um prazo apertadíssimo para as universidades decidirem e tudo foi muito corrido. Pior: ao invés de deixar o início do novo sistema de acesso para o ano que vem, o negócio já começa agora em outubro!
- Cotas: sinceridade? Sou contra as cotas. A questão do acesso ao ensino superior no Brasil não passa pela cor da pele, pela raça e sim pela condição social. E o menino pobre branco, de olho verde e cabelo claro, como fica? O governo tenta resolver um nó que vem de décadas com medidas como esta e joga tudo para as universidades. E o ensino básico, minha gente? E a valorização do professor?
Prá que essa pressa toda? Deve ser porque o mandato acaba ano que vem…
Meu Nokia N800
Quando vi a oferta do Nokia N800 no Submarino, fiquei em parafuso: compro ou não compro? Incluo mais uma dívida no meu já apertado salário ou não?
Mas, catzo, R$ 399 paus reais numa maquininha daquelas era simplesmente irresistível.
Doze dias depois, não estou nem um pouquinho arrependido. Ainda não tive tempo suficiente para descobrir todos os recursos e ainda nem instalei uma rede wi-fi em casa, mas já estou apaixonado pelo gadget!
Meu celular novo vai ter que esperar, mas não tô nem um pouquinho desesperado: já fiz ligações pelo Skype com o N800! Show de bola! E pensar que, uma semana antes do N800, eu quase compro um celular por R$ 499 real, só com MP3 player, câmera e bluetooth!
Só falta agora clonar o Sistema Operacional pro cartão de memória e começar a baixar mais aplicativos (a memória interna de 256 MB já foi pro espaço)!
Viver faz mal
Hoje, durante um bate-papo dominical em família, eu e minha Tita começamos a lembrar de como as coisas mudaram e de como a vida vai ficando cada vez mais difícil.
Antigamente, tomar sol era bom. Ninguém usava protetor solar; ao contrário, usava bronzeador. Tinha um que vinha num saquinho plástico transparente; era vermelho e queimava a pele que era uma beleza!
Comer ovos, então, era muito saudável! Tinha um tio que engolia um ovo cru de vez em quando; tomar gemada era praxe; comer ovo todo dia também. Ah, e junto com bacon, queijo de manteiga suando gordura e pão francês.
Doces então, nem se fala! Haja coisa doce no domingão: bolo, pudim, manjar, doce em calda. Minha vó tinha mãos de Dona Benta; minha mãe até hoje faz gostosuras.
Café despertava, não fazia mal, deixava acordado naquelas horas de sono onde se precisava estudar prá prova! e tome café!!!
Andar de noite, de madrugada, sem medo de nada, também era fichinha. Eu chegava em casa da balada com os amigos lá pelas três da manhã; um dia, desci sozinho, de madrugada, as ladeiras de Olinda. As pessoas estavam acordadas, sentadas em cadeiras de balanço nas calçadas, tomando café e jogando conversa fora!
Assalto em ônibus? O que era isso? Pessoas mortas no sinal de trânsito por causa de assalto? Sequestro relâmpago? Isso não existia.
Hoje, temos que saber dos perigos que nos rodeiam pelos caminhos! Isso faz mal hoje, amanhã já não faz; hoje pode comer isso, amanhã não pode.
Viramos prisioneiros de nossos medos. A violência bate na sua cara. Semana passada um rapaz morreu aqui, na outra esquina. Tentativa de assalto.
Concluindo: viver faz mal. Muito.
Mas não tem nada melhor nesse mundo.
Escrevi demais.
Até!
Sphere: Related Content